2016 – O ano da Revelação?

2016

O panorama do mundo se revela caótico. Mas o mundo é resultado da interação entre o ambiente e nossas ações. E estas são consequência do mundo interno, de pensamentos, emoções e gestos mecânicos que não compreendemos, muito menos dominamos.

Esse caos externo, tantas vezes ilustrado em cores berrantes pelos noticiários – as cores da violência, da injustiça, da desonestidade, do desrespeito, do confronto de ideias – faz com que os programas de retrospectivas do ano sejam assustadores e que a esperança seja sentida como uma palavra vã.

Nesses momentos, o Apocalipse é lembrado. As imagens de destruição do mundo reforçam a interpretação do célebre texto de João Evangelista, e que costuma causar terror pelo temor de que tudo acabe em uma guerra de destruição.

Mas lembremos que Apocalipse quer dizer Revelação.

Podemos revelar nosso verdadeiro “eu” (para nós mesmos)? Este seria um significado divino para o ato da Revelação.

Um modo de interpretar as figuras fantásticas do Apocalipse pode ser o caos existente no mundo interno do ser humano, pelo fato de não se conhecer. Vamos enumerar alguns exemplos de desconhecimento de nós mesmos, evidências do quanto falta para despertarmos a verdadeira consciência do Espírito.

Desde que fomos criados, como centelhas divinas, temos o potencial do Criador, porém passamos por eras inimagináveis de não-consciência de nós mesmos. Vieram lampejos de consciência nos últimos estágios que fizemos no reino animal e um lento despertar do que hoje chamamos de capacidades cognitivas nas primeiras fases como seres humanos.

Ainda não conquistamos a consciência de nossa vida como Espíritos. Não percebemos a realidade da vida espiritual. E a principal questão é que não temos consciência de nós mesmos.

Melhor dizendo, temos uma noção de que somos indivíduos. Podemos fazer raciocínios lógicos, memorizar fatos, desenvolver relações complexas com outros seres, transmitir nossa experiência individual e coletiva. Porém, ainda não conquistamos o verdadeiro “eu”.

Observemos algumas situações, bem comuns.

Não sabemos a causa específica do mau humor de um dia. Não prestamos atenção nas influências de cores, sons, tons de vozes, olhares e tantos outros fatores externos que inconscientemente alteram nosso mundo interno.

Não controlamos o fluxo de nossos pensamentos. Uma lembrança puxa outra e, de repente, estamos sintonizados com assuntos totalmente diferentes, numa sequência sem controle e que não podemos e nem temos vontade de interromper.

Não percebemos como uma contrariedade influencia nossas atitudes. Às vezes, muitas horas depois de uma ocorrência, passamos a distribuir “coices” a quem estiver do nosso lado, sem sequer fazer a associação dos fatos.

Não sabemos explicar um dia em que tudo parece dar certo. Nem notamos como uma lembrança feliz, uma frase oportuna ou uma simples roupa bem dobrada pode mudar a vibração de nossas emoções.

Não temos a menor ideia do nível de nossa energia individual. Por que motivo há certos dias em que temos intensa energia para fazer coisas, cumprir compromissos, fazer planos e cuidarmos da saúde, alternadamente com períodos em que parece que nos faltam forças até para as coisas mais básicas.

Tudo isso é autoconhecimento. Ou, melhor dizendo, autoDESconhecimento.

E podemos até participar de um programa de autoconhecimento como a Escola de Aprendizes do Evangelho, que nos apresenta conceito e ferramentas de Reforma Íntima. Mas também nesse caso nos iludimos praticamente o tempo todo, achando que já nos reformamos pelo simples fato de conseguirmos conter um gesto de impaciência ou nos consolamos em um momento de dificuldade. Ficamos sem perceber os fatores de nosso ser que se modificam dezenas de vezes por minuto, a cada pensamento, a cada lembrança, a cada influência do mundo externo.

E não basta falar sobre isso, nem proferir palestras (e nem mesmo escrever artigos sobre isso). Tudo o que desconhecemos em nós mesmos somente pode ser descoberto se nos dedicamos de verdade a um trabalho interior intenso com essa finalidade. Precisamos prestar atenção em como as coisas acontecem em nosso mundo interno.

Se nos empenharmos em um esforço consistente –  que não seja distraído pelas atrações do mundo, nem pelas próprias forças internas do ser – pode ser que venhamos a nos conhecer de verdade. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, disse Jesus (João, 8:32).

No Sermão do Monte: “Bem-aventurados os mansos e pacíficos, porque herdarão a Terra” (Mateus, 5:5). Pois a riqueza na Terra do amanhã é o resultado da conquista da paz interna.

E, no final do Apocalipse, podemos ler: “E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre” (Apocalipse, 22:3).

Esse Apocalipse pode ser em 2016? Claro que pode. Depende de quando conquistaremos o verdadeiro autoconhecimento. Para alguns, pode ter acontecido há trezentos anos. Para outros, ainda vai demorar séculos para que a Revelação aconteça.

Pois, no final do livro revelador de João, temos: “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Assim seja. Ora vem, Senhor Jesus” (Apocalipse, 22:20).

O Diretor Geral da Aliança