Biografia Leopoldo Machado

Leopoldo Machado Barbosa

Nasceu em 1891, em Cepa Forte, hoje Ladeira, na Bahia. Mudou-se para Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, em 1929. Nesta cidade viveu até o desencarne, em 1957, aos 65 anos de idade.
Tornou-se espírita em 1915, aos 24 anos, por influência de José Petitinga, como ele mesmo contou numa série de artigos que escreveu para a Revista Internacional de Espiritismo, em 1958.
Apesar de ter estudado poucos meses em escola, Leopoldo, autodidata, tornou-se professor, jornalista, escritor, poeta, polemista.
Em seu livro “Ide e pregai”, Leopoldo Machado fez uma síntese de sua trajetória no Espiritismo, que nos ajuda a compreendê-lo. Disse ele que, de 1915 a 1933, foi a fase de estudos. Estudou bem a Doutrina e outros assuntos de caráter religioso, científico e filosófico, “para bem saber o lugar exato do Espiritismo no concerto das outras doutrinas que por aí vão.”(1)

De 1933 a 1941, a fase das polêmicas e das doutrinações. “Aparecia em quase todos os jornais, polemizando e doutrinando. Jamais fiz, de resto, polêmica sem doutrina. Mantive 16 das mais sérias e rumorosas.”(2)
Interessante lembrar que, nesta época, o Espiritismo não era bem conhecido e, ao contrário, muito criticado por médicos e religiosos. O trabalho de Leopoldo, de propagação e propaganda, foi de grande importância.

A partir de 1941 entrou na terceira fase, a de obras e peregrinações. Trabalhou pela construção e manutenção do “Lar de Jesus”, misto de creche, orfanato e asilo, sugestão de sua esposa, Marília. Dez centros espíritas se organizaram para a construção, e a inauguração se deu no Natal de 1942.

Peregrinou pelo Brasil inteiro para divulgar o Espiritismo. A mais famosa viagem, a Caravana da Fraternidade em 1950, durou quase um ano. Com um grupo, viajou por onze Estados do Norte e Nordeste visitando centros espíritas, divulgando as ideias de unificação do movimento, estabelecidas no Pacto Áureo, em 1949.

Para Leopoldo, os Congressos eram muito importantes, como meio de “cimentar amizades duradouras, conhecermo-nos melhor, concertar planos de realizações, ajustarmos diretrizes”. (3)

É considerado o patrono do movimento de Mocidades Espíritas, tendo sido responsável pela organização do I Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil.
Sua atuação junto aos jovens ficou conhecida.
“Trabalhemos para que os moços se preparem para nos substituir. E o conseguiremos, confiando mais nos moços, incentivando-os de molde a que eles confiem mais em si mesmos, sentindo-se à vontade ao nosso lado, com o nosso convívio, auferindo de nós a experiência e emprestando-nos as energias moças, que já nos faltam.” (4)
O preparo dos jovens fazia parte de uma ideia mais ampla, que ele apresentou na forma de tese, no I Congresso de Jornalistas Espíritas, em 1939, intitulada “O Espiritismo é obra de educação” e depois, em 1948, tornou a esmiuçar em seu livro “Cruzada do Espiritismo de Vivos”.

Partia da constatação de que a humanidade era infeliz por causa do materialismo e que só a educação poderia salvá-la do caos. E também da análise de como eram os centros espíritas, lugares frequentados por homens no fim da vida que, arrependidos de seus erros, procuravam no Espiritismo um alento, mas já sem tempo na presente encarnação, para as reformulações necessárias.

O Espiritismo, para cumprir sua missão educadora, devia atingir também as mulheres, à época, responsáveis pela educação das crianças, as próprias crianças e os jovens.
“Centro espírita a que falte uma boa escola bem organizada, uma boa aula de educação moral às crianças, uma animada juventude espírita, um agrupamento feminino interessado nos serviços da formação dos lares espíritas e de assistência social, não passará, talvez, de uma antecâmara da mansão dos mortos.” (5)

Em “O Espiritismo é obra de educação”, Leopoldo esboçou um roteiro para as aulas de Evangelização Infantil, muito semelhante ao que usamos hoje.

O grande desafio, além de convencer os espíritas da velha guarda, que “continuam pensando que o Espiritismo deve hoje, ser feito e propagado como o era no seu tempo” (6), era como educar, como interessar as crianças, os jovens e as mulheres na Doutrina. Então sugeriu o uso da arte – o teatro, a música, a literatura, a poesia. Não só sugeriu, mas pôs mão à obra, escrevendo peças teatrais, organizando concursos de criação de contos com as crianças, escrevendo letras de músicas, poemas…

Sua canção mais famosa, a “Canção da Alegria Cristã”, era cantada em inúmeros eventos. A letra é dele e a música, de Oli de Castro, seu grande amigo, que tocava acordeão.

Certa vez, por ocasião da I Semana do Moço Espírita, em Belo Horizonte, da qual ambos participaram, estavam os dois num trem, que, em determinada localidade ficou tão lotado a ponto de quase não se conseguir respirar. Entraram no vagão vários “futiboleres” (jogadores ou torcedores de futebol), que, vendo o Oli com o acordeão, pediram tocasse samba ou baião. Eles não se fizeram de rogados e cantaram a Canção da Alegria Cristã!

Referências bibliográficas:
MONTEIRO, Eduardo Carvalho. Leopoldo Machado em São Paulo, São Paulo, Edições USE, 1999
MACHADO, Leopoldo. O Espiritismo é obra de educação, Matão/SP, O Clarim, 1944.
MACHADO, Leopoldo. Cruzada do Espiritismo de Vivos, Matão/SP, O Clarim, 1948.
MACHADO, Leopoldo. Iluminação, Rio de Janeiro, 1946.

(1) e (2) – MACHADO, Leopoldo. Ide e pregai, Rio de Janeiro, 1942, in MONTEIRO, Eduardo Carvalho. Leopoldo Machado em São Paulo, São Paulo, Edições USE, 1999.

(3) e (4) – Estudo e sugestões apresentados pelo professor Leopoldo Machado, durante o I Congresso Espírita do Estado de São Paulo, in MONTEIRO, Eduardo Carvalho. Leopoldo Machado em São Paulo, São Paulo, Edições USE, 1999.

(5) e (6) – MACHADO, Leopoldo. Cruzada do Espiritismo de Vivos, Matão/SP, O Clarim, 1948, págs. 6, 7 e 2.
Agradecemos à Maria Filomena Cordeiro Lopes, do Centro Espírita Irmão Alfredo (Regional São Paulo Sul) por sua valiosa contribuição.