Dez anos de Aliança

Desde o inesquecível encontro travado no dia 4 de dezembro de 1973, às 20 horas, na casa do nosso querido Cmt. Armond, quando se fundou a Aliança Espírita Evangélica, o tempo escoou com grande velocidade. Hoje, transcorridos 10 anos, fazemos pequena pausa para refletirmos e delinearmos alguns pontos históricos desse empreendimento espiritual.

Ao analisarmos a evolução da nossa Aliança, compreendemos bem que na sua história constituíram-se fases distintas, cada qual visando atingir objetivos específicos, demonstrando-se assim a ação benéfica, objetiva e determinante do plano espiritual superior.

A FASE PRÉ-ALIANÇA

Foi em março de 1973 que começamos a sentir os primeiros indícios da formação de uma entidade espírita com características, descentralizadoras e de cunho essencialmente religioso.

Nessa época, grupos de ex-alunos das escolas da Federação começaram a se unir, visando à formação daquilo que na época chamávamos de um sistema cooperativo espiritual.

Na antiga sede do Grupo Espírita Razin, eram recebidas mensagens elucidativas apontando com nitidez as diretrizes do novo trabalho.

Já em setembro de 1973 a união se efetivava e o primeiro número do Trevo vinha a público anunciando a nobre iniciativa de oito Instituições espíritas (C.E. Perseverança, Colônia Esp. Alvorada, Seara Bendita Instituição Espírita, G.E. Razin, Fraternidade Servos do Senhor, C.E. Irmã Brasilina, C.E. Jesus no Lar e C.E. Aprendizes do Evangelho).

Visavam os grupos acima enumerados a preservação dos ensinamentos que nortearam os trabalhos da Federação Espírita do Estado de São Paulo durante quase três décadas, a saber: a Escola de Aprendizes do Evangelho: para a vivência do espiritismo religioso; Assistência Espiritual: através de passes padronizados; e o Curso para Médiuns.

LANÇAMENTO DAS BASES

A segunda fase que se alongaria até dezembro de 75, foi aquele que maiores esforços exigiu e compreendeu essencialmente a adaptação de todos os programas e currículos, tendo-se em vista a necessária descentralização.

Os programas da Escola de Aprendizes, assim como do Curso de Médiuns, foram integralmente revisados pelo próprio Cmt. Armond, que apesar da idade avançada, legou-nos um exemplo maravilhoso de dedicação e valorização do trabalho.

Nesta segunda fase, as reuniões de diretoria eram mensais, seguidas em paralelo pelos encontros trimestrais que reuniam alunos e trabalhadores de todas as casas.

Não podemos olvidar o entusiasmo que nos empolgava quando após a conclusão de um capítulo importante dos programas, que estavam sendo revisados, a exemplo de Cromoterapia e Psiquismo, fazíamos cursos-relâmpagos de fim-de-semana, para atualização dos expositores e dirigentes.

Já em abril de 1975, 22 casas estavam integradas à Aliança estivemos em São José dos Campos, à guisa do 1°. Encontro interestadual, 236 pessoas.

Com a edição do Redentor, em julho de 1975, inaugurava-se a Editora Aliança.

Em dezembro de 1975, a série Iniciação Espírita era entregue a todos os grupos integrados e, com o grande encontro em 14/12/75, realizado em São Vicente, deduzimos hoje que as bases da nossa Aliança se encontravam lançadas.

COMPLEMENTAÇÕES

Uma vez implantados os programas fundamentais que definiram a origem da nossa Aliança, restava ainda implantar os programas de complementação, destinados a infância e juventude. Em 1976, nos dia 1 e 2 de maio, foi ministrado o 1° Curso para Evangelizadores da Infância, e, em outubro de 1976, teve início à 1ª Turma de Mocidade Espírita.

Uma data gloriosa desta 3ª Fase foi vivida pela Aliança em 12/12/1976, quando travamos, na Câmara Municipal de São Paulo, a 1ª Reunião Geral da Aliança (RGA) com a presença de todos os grupos integrados (inclusive os do exterior). Mais de 1.000 pessoas estiveram presentes na assembléia de encerramento.

PESQUISAS

A quarta fase que se estenderia pelos anos 1977,1978 e 1979, compreendeu intensas pesquisas a fim de encontrarmos as melhores fórmulas para:

  • desenvolver as atividades atinentes a FDJ (Fraternidade dos Discípulos de Jesus);
  • colocar o nosso programa à disposição de grupos nos Estados Unidos, África, América do Sul em geral, Suíça e Portugal, atendendo solicitações que eram dirigidas à nossa secretaria;
  • buscar a fórmula efetiva para realização de encontros e reuniões importantes de caráter deliberativo.

Uma fase onde muitos ensaios foram realizados: contatos pessoais feitos com os grupos do estrangeiro, e a reformulação dos estatutos e regimentos o que resultou na publicação, em dezembro de 1979, do livro Vivência do Espiritismo Religioso.

Nos dias 15 e 16 desse mês, foi realizada a 2ª Reunião Geral da Aliança (RGA).

Convém nos lembrar que nesse triênio de ensaios constituímos o plano vitorioso das Caravanas de Integração, propiciando visitas de intercâmbio entre todos os grupos da América do Sul.

DEFINIÇÕES

Em 1980 ingressamos na quinta fase. As reuniões da Diretoria começaram a ser realizadas nos diversos grupos integrados (uma prática de resultados excelentes que vem sendo cumprida até o presente momento) (1).

Nesse ano com a consolidação dos planos e a publicação do livro “Vivência do Espiritismo Religioso”, pessoas realmente interessadas no espiritismo religioso aproximaram-se e constituíram novos grupos, o que se traduziu em acentuado crescimento.

De outra parte, outros grupos até então integrados, que não concordavam com os objetivos básicos de renovação íntima esposados desde o início, debandaram acarretando no seio da Aliança, sólida união, dinamismo e maior eficiência. A Aliança cresceu rapidamente ao longo de 1981.

Em 1982, restava-nos ainda um problema. Consistia em pesquisar a fórmula adequada para a reunião dos seus dirigentes em seminários de estudos e aperfeiçoamento. Animados pelos resultados da 3ª Reunião Geral da Aliança (RGA) (dezembro/1982) na qual os encontros entre dirigentes foram da quantidade dos assuntos envolvidos, chegamos a 1983 em que o problema foi resolvido com soluções satisfatórias: foi o ano da consolidação.

CONSOLIDAÇÃO

Em 1983 foi realizado o Encontro, em 21/05/1983, entre expositores com a presença de 114 expositores vindos de todo Brasil.

Em 21 de agosto, o curso para evangelizadores da Infância congregou 120 participantes.

O encontro de mocidades espíritas, realizado em 18/09/1983, superou todas as expectativas reunindo 250 jovens.

E em 22/10/1983, no encontro de dirigentes de Escolas de Aprendizes, 47 grupos integrados estiveram presentes representados por 104 dirigentes.

EXPANSÃO

Neste último encontro de dirigentes, em 22 de outubro de 1983, inaugurou-se à fase de expansão onde, uma vez entendido que todos os recursos foram apurados e aprimorados dentro de sucessivos ensaios e pesquisas desenvolvidas, ao longo de 10 anos, só nos restava trabalhar para a expansão do valioso tesouro que temos em mãos.

Atualmente, quando iniciamos o Projeto de Expansão, 65 grupos integrados compõem a nossa Aliança, e 1484 alunos, que concluíram a Escola de Aprendizes encontram-se testemunhando o Evangelho como verdadeiros Discípulos.

(1) – na época da edição do texto era essa a prática, com o tempo houve alterações na forma das reuniões.

Jacques Conchon – Texto extraído na íntegra do jornal O Trevo nº 118 de dezembro de 1983