Maternidade, oportunidade sublime!

Tive a oportunidade de receber três filhos nesta vida quando ainda não era espírita. Meus olhos comtemplavam cada novo filho que chegava com tanto amor que não sabia explicar de onde vinha, mas meu coração confirmava que esse amor era real, existia!

Nas minhas reflexões sentia que eu trouxera alguém novo para este mundo, que era responsável por um novo ser e que esse compromisso não tinha data para encerrar. Ao mesmo tempo, admirava a beleza da criação se manifestando de forma tão frágil quanto no corpo de um recém-nascido e tão complexa quanto à sua formação e desenvolvimento.

Anos mais tarde, já integrada à doutrina espírita pensava: que pena não ter conhecimento na época das minhas gestações da grandeza do processo reencarnatório, quem sabe poderia ter feito mais, ou melhor! Hoje tenho a certeza de que fiz o que sabia e o melhor que podia, motivada por essa força que me ensinaram a chamar de amor. Um amor que sempre recebi de uma mãe que exemplificava com facilidade as virtudes da fé, da doçura e da bondade e que me preparava para experiências futuras sem eu sentir… uma mãe que me ensinou a colocar o amor como condição essencial e permanente para superarmos o que viesse pela frente… Uma mãe que me ensinou que embora a gente precisasse se separar fisicamente, o amor continuaria! E continuou…

Acredito que algumas alegrias não encontram forma de expressão plena, pelo menos na minha compreensão. Uma delas certamente é expressar a experiência da maternidade. É difícil comunicar a alguém o que sentimos verdadeiramente quando ouvimos o primeiro batimento cardíaco do nosso filho, a primeira vez que vemos o seu rostinho após as dores do parto que já esquecemos de imediato, o primeiro sorriso, os primeiros passos, a palavra mamãe… E na sucessão dos momentos preciosos com os primeiros desenhos, os bilhetinhos com desenho de coração, o primeiro dia na escola, a primeira formatura…

Engraçado como repetimos as mesmas situações, mas com alegrias sempre renovadas.

Com três filhos, muitas foram repetidas três vezes, como a torcida pelo vestibular.

Mas o tempo foi passando e os filhos cresceram proporcionando novo aprendizado. Então como mãe fui descobrindo outras formas de convivência que não vinham de nenhum manual, mas sim da intuição a me indicar que o percurso deveria ser feito com o coração, caminho que me fora ensinado. Comecei então a vivenciar as escolhas dos filhos, suas inquietações, suas frustrações, seus sonhos como alguém que está sempre ao lado, mas que não pode tirar-lhes a oportunidade de aprender através das próprias experiências. Às vezes o coração apertava, mas acreditava no que eu estava fazendo, algo como “segue que o caminho é esse!”.

Um tempo novo onde eu como mãe não me sentia mais essencial, mas sabia que continuava importante. Um tempo em que aprendi o valor do silencio, do segurar na mão, de sentir que basta estar ao lado porque às vezes nos perguntam, mas já sabem a resposta, nos questionam, mas não deixam de nos amar.

E aí me surpreendi, muitas vezes, chorando junto por namoros terminados, viagens que não puderam ser feitas, objetivos não alcançados, mas acreditando que estava criando filhos fortalecidos para o mundo, determinados, independentes na busca pessoal, mas dependentes do amor que nos une. Filhos que não detenho como posse, filhos que recebi, que entreguei e que continuam comigo no coração.

Hoje, a lembrança do dia das mães me traz a tona, tanto momentos de três crianças com três presentinhos, ensaiados pelo papai e subindo na nossa cama, quanto de três adolescentes me conduzindo de olhos vendados por um corredor cheio de fotos coladas nas paredes com declarações de amor, como muitos domingos de piqueniques, cartinhas e depoimentos de três adultos dividindo emocionados e gratos pelas suas conquistas pessoais.

A última experiência de ser avó me trouxe além da inexplicável alegria, mais um grande aprendizado. Recebi a notícia de que alguém novo vinha chegando justamente quando minha mãe se despedia aos poucos desta vida. Vivenciei o amor se manifestando em situações opostas, mas sempre presente, sustentando-me para a despedida com gratidão eterna àquela que tudo me ensinou e que precisava retornar, como para receber aquele que também vinha chegando para recomeçar. Senti a vida se manifestando cruamente no seu aspecto físico, de formação e desconstrução, mas lindamente no seu aspecto espiritual. Fui ao mesmo tempo, filha querendo recuperar lembranças antigas, mãe que não conseguia estar presente como gostaria e avó sonhando com momentos que ainda desconhecia.

Por tudo isso agradece a Deus a maternidade como oportunidade sublime, como aprendizado constante na multiplicação do amor!

Autora: Flavia Rocha do CE Mensageiros da Paz – CEMPE – SÃO PAULO CENTRO