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Aos Preletores E Expositores – A Tentação Da Palavra

Ouvi um relato de um assistido que, durante a preleção evangélica que antecede a aplicação dos passes, surpreendeu-se ao ouvir do preletor: “Eu também estarei nas ruas, na manifestação do próximo domingo…”.

Segundo esse assistido, esta colocação foi feita sem qualquer tom impositivo, e não havia qualquer intenção de convencer os outros a fazer o mesmo, mas surpreendeu pelo contraste entre o teor da mensagem evangélica e o sentido da frase.

A assistência estava sintonizada com a mensagem do Evangelho, momento que permite ver as mazelas e sofrimentos de mais alto, ampliando a compreensão dos valores da vida. Repentinamente, as imagens mentais são direcionadas para outro lado e, por associação de ideias, à sensação de injustiça, pressões sociais, preocupações com salário, emprego, moradia… Para promover o reequilíbrio espiritual, eram ideias dessa ordem que precisavam ser deixadas de lado pelo curto período de 20 ou 30 minutos, para refazimento da alma diante das incertezas.

A pessoa que comparece ao centro espírita em busca de assistência espiritual, abre seu coração e sua mente para uma oportunidade inusitada de reforço e equilíbrio, muitas vezes porque está atravessando momento difícil na vida.

Se essa pessoa está ali, sentada, ouvindo, foi porque os voluntários da casa e o ambiente de acolhimento lhe transmitiram um alento quanto à possibilidade de melhoria. E o teor da comunicação, desde a porta de entrada, passando pela entrevista até a preleção destaca a primazia do espírito sobre a transitoriedade da matéria, além do potencial de cada um de nós para crescer e ascender rumo a uma vida espiritualmente melhor.

Sem questionar a validade da ação dos cidadãos que se unem para reivindicar mudanças, penso que lançar uma ideia de participação em qualquer movimento ou campanha durante a preleção evangélica é abusar de um momento espiritualmente sensível do ponto de vista individual. E, além disso, talvez seja amargo, mas necessário reconhecer que se trata de um momento de invigilância em que se abre a possibilidade de sintonia com forças do mal que tentam dominar nosso mundo mental.

É por isso, caros companheiros de ideal, que precisamos buscar forças para vencer a tentação de usar a palavra a serviço das nossas ideias e não das ideias do Cristo. O episódio da tentação do Mestre assediado por Satanás no deserto é um símbolo. E, na resposta de Jesus, aprendemos que “nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”.

Eduardo Miyashiro

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