Quando o silêncio vira coragem
Quando o silêncio vira coragem
Júlio é um bom garoto. Era o que todos diziam. Desde pequeno ouvia sua família falar:
– O Júlio é bonzinho!
Júlio já estava cansado de ouvir isso, principalmente quando iam à casa de sua tia Sandra. Era sempre a mesma coisa, sua mãe levava os brinquedos preferidos de Júlio para ele brincar. Mas, na verdade, Júlio não brincava. Seus primos, Caio e Lara, pegavam os brinquedos e, se Júlio tentasse impedi-los, ameaçavam quebrá-los.
Júlio ficava muito triste e aceitava tudo calado, com o coração apertado. Via seus brinquedos passando de mão em mão, rezando para que ninguém os jogasse ou quebrasse. De vez em quando seu primo olhava bem pra ele e ameaçava lançar longe seu carrinho, com um sorriso disfarçado no rosto.
Sua mãe repetia:
– Júlio, querido, tenha paciência, você é tão bonzinho! Seu primo só quer brincar um pouquinho.
Tia Sandra acrescentava:
– É que o carrinho dele quebrou! Você é o lindo da titia! – Dizia ela, rindo.
Ele respirou fundo. Não entendia por que, para ser bonzinho, tinha que ficar sempre quieto e aguentar as provocações de seu primo. Pensou:
– Como é que a tia não via Caio rindo e o provocando? Se quebrou é porque ele sempre joga os brinquedos no chão quando faz birra. Júlio tapou a própria boca com as mãos, como se seu pensamento pudesse ser ouvido.
Foi numa aula de Evangelização Infantil que Júlio teve um despertar. Naquela manhã de sábado a evangelizadora iniciou com a dinâmica: Não deseje ao seu próximo o que você não deseja para você! Essa dinâmica consiste em escrever uma ação para o colega realizar, porém, a regra principal é: quem deseja é quem realiza a ação.
Júlio ficou pensativo ao aprender com Jesus que ser bom não é ser fraco e sim ter coragem de fazer o bem, de amar, é respeitar e ser respeitado.
À noite, Júlio orou ao seu anjo da guarda, pedindo ajuda com seus primos. Ao adormecer, sonhou com um anjo que lhe disse que suas escolhas fazem diferença e que, ao escolher não brigar e ser paciente, ele demonstrava sua verdadeira força.
Acordou tranquilo e confiante, agora sabia como agir com seus primos.
Naquele domingo aconteceu de novo. Caio e Lara pegaram seus brinquedos e ameaçaram quebrá-los. Júlio respirou fundo, lembrou-se do que aprendeu e disse com voz firme:
– Jesus disse: “Façam aos outros o que vocês gostariam que fizessem com vocês”. Posso emprestar meus brinquedos, mas terão que cuidar deles. Vocês iriam gostar se eu quebrasse os brinquedos de vocês?
Os irmãos, surpresos, balançaram a cabeça que não.
– Então vamos aprender com Jesus?
– Quem é Jesus, Júlio? – Perguntou Caio.
– Senta aqui, primo. Vou lhe contar. Vem, Lara. – Chamou Júlio.
Sua mãe e sua tia ouviram em silêncio. Ficaram envergonhadas ao perceberem a grande lição nas simples palavras de uma criança.
Ao final da tarde Caio e Lara devolveram-lhe os brinquedos direitinho. Júlio sorriu, feliz por ter colocado em prática o que Jesus ensinou.
Silvia Maria dos Santos Amâncio Ribeiro
Centro Espírita Luz do Caminho – CELUCA
Regional Vale do Paraíba


