O dia em que um passarinho ensinou amor — e uma sala inteira voou junto
O dia em que um passarinho ensinou amor — e uma sala inteira voou junto
Primeiro dia de volta às atividades normais de Evangelização, depois das férias.
Um dia de sol, a nossa Evangelização estava cheia e na sala Jardim estávamos com dez crianças cheias de energia, curiosidade e aquele brilho nos olhos que só criança tem.
Eu cheguei preparada para falar sobre amor aos animais.
Preparei a história do Sassá, o passarinho (aula 19 do livro Jardim B1). Pedi a um amigo que fizesse um passarinho grande, diferente, especial — e ficou lindo. Ele seria o protagonista da nossa aventura.
Comecei contando sobre Marcelo, o menino amoroso que tinha uma casa com uma árvore gigante no quintal. Na verdade, para contar essa história eu levei apenas um boneco (menino) e o passarinho numa vareta. Não levei imagem da árvore, mas encostei na porta, estiquei os braços o mais alto possível e anunciei:
“Na casa desse menino tinha uma áaaaarrrrvoreeee giganteeee!”, que tinha passarinhos, mas um deles estava num galho bem quietinho… Por que será?
E naquele instante eu vi a imaginação deles florescer. Eles enxergaram a árvore. Eles sentiram o quintal. Eles entraram na história comigo.
Falei do passarinho que não conseguia voar porque estava com a asa machucada, falei do cuidado, do carinho, da amizade que nasceu ali. Lembrei que o menino deu o nome de Sassá ao passarinho. E quando Sassá finalmente melhorou, voou, voou e foi embora (sniff)… Ah, aquele silêncio. Aquele olhar de “mas ele vai voltar?”. A mãe do menino explicou que o lugar do passarinho era o céu — e eles entenderam. Mas ficaram na expectativa.
Então, fiz o mistério: saí da sala com o passarinho “indo embora”. Depois o escondi e fiz Sassá aparecer na janela, conversando com o menino de pelúcia que eu levei. As crianças correram para a janela, encantadas, acreditando, vivendo a história como se fosse real.
Perguntei: “Por que vocês acham que ele voltou?”
A Aline respondeu com uma sabedoria que não cabe no tamanho dela:
“Ele voltou porque sentiu saudade.” – e eu completei: sim, Aline, a gente só sente saudade de quem a gente ama e de quem cuida da gente, né?
E ali, naquele momento, eu senti que a aula tinha cumprido seu propósito.
Mas a magia continuou — e dessa vez, os passarinhos quase voaram!
A imaginação estava tão viva na sala que parecia ter asas próprias. Enquanto todos montavam seus passarinhos, a pequena Sofia decidiu viver a história de um jeito só dela: ficou embaixo da mesa, abraçada ao passarinho, conversando com ele baixinho, como se estivesse esperando que ele voltasse para o ninho. Imaginação pura. Eu fiquei observando aquela cena — silenciosa, delicada — e confesso: achei o máximo, mas deixei que ela vivesse aquele momento sem interrupções.
Sobre a atividade, preferi usar o modelo do passarinho que levei, para eles colarem a asa, e foi um sucesso. Eles estavam tão envolvidos que, de repente, o Zaion e o Levi subiram na cadeira com o passarinho curado na mão. Por um segundo pensei: Será que vão tentar voar? (rs). Mas não — eles só queriam ver se o passarinho deles “voava”.
E foi aí que a magia aconteceu.
Aproveitei a ideia e disse com entusiasmo:
“Nossa, esses passarinhos estão prontos para voar! Será que eles conseguem?”
Os olhos brilharam. Outras crianças subiram nas cadeiras também — com todo cuidado, cada uma bem apoiada, eu ali pertinho garantindo segurança — e fizemos uma brincadeira organizada, gostosa, cheia de alegria.
“Preparados? 1… 2… 3… voa, passarinho!”
E lá foram eles, lançando seus passarinhos com delicadeza, rindo, celebrando, revivendo a história de um jeito que só criança sabe fazer. Era mais do que uma brincadeira: era uma forma de fixar a história, de sentir o momento, de transformar o aprendizado em experiência.
Bom, encerramos a aula com as vibrações, colocamos os animais nas mãos de Jesus e, por fim, fui embora com o sentimento de missão cumprida.
Quando achei que o dia já tinha sido especial o suficiente, veio a surpresa: no domingo, recebo uma foto de uma mãe. O Ravi tinha pendurado o passarinho dele no varal da casa. Ele estava cuidando do passarinho. Ele tinha levado a história para casa. Ele tinha levado o amor para casa.
Naquele instante, eu entendi: histórias não acabam quando a gente fecha o livro. Elas continuam vivendo dentro de quem as escuta.
Por que contar histórias com amor importa tanto?
Porque histórias despertam imaginação. Histórias criam vínculos. Histórias ensinam sem parecer aula. Histórias fazem crianças acreditarem no bem — e quererem praticá‑lo.
Quando contamos com amor, com entrega, com verdade, as crianças não apenas escutam: elas sentem. Elas vivem. Elas levam consigo.
E é isso que transforma.
Se for contar uma história, na Evangelização Infantil, por mais simples que seja, conte com brilho nos olhos. Conte com gestos grandes. Conte com voz que muda, com suspense, com surpresa. Conte com o coração aberto.
Porque, quando você faz isso, não está apenas narrando: Você está plantando árvores gigantes dentro delas.
E essas árvores, ah… essas nunca param de crescer.
Maria Eliana Vieira
CEAE Vila Nhocuné
Regional São Paulo Leste
Referência:
1 JARDIM B – EVANGELIZAÇÃO INFANTO JUVENIL | Aliança Livraria




