Encontro de Evangelizadores: aprendizados que vão além da programação

Encontro de Evangelizadores: aprendizados que vão além da programação

19º Encontro de Evangelizadores, realizado em São José dos Campos, reuniu participantes de diferentes Regionais da Grande São Paulo em um dia marcado por acolhimento, reflexão, espiritualidade e aprendizado. O tema do encontro — “Elos da Corrente: o que fazemos com o que aprendemos com Jesus?” — acabou se revelando em cada pequeno acontecimento daquele dia.

No último domingo, 30 de agosto de 2026, São José dos Campos recebeu o 19º Encontro de Evangelizadores, reunindo evangelizadores de diversas Regionais da Grande São Paulo.

Participei da organização e, talvez por isso, meus aprendizados tenham começado antes mesmo de o encontro começar.

Aprendi, por exemplo, que não importa o quanto de coisa você leve. Caixas, malas, sacolas… O checklist pode ser conferido quinze vezes, mas sempre vamos precisar justamente de alguma coisa que ficou fora da lista: um cabo de energia, uma tomada de três pinos…

Faz parte! Da próxima vez, aquilo que faltou estará na lista — e, provavelmente, faltará outra coisa.

Talvez organizar também seja aprender que nem tudo estará sob nosso controle. E tudo bem.

E aqui peço licença para abrir um espaço muito especial de agradecimento à equipe com quem tive a alegria de trabalhar na organização deste encontro.

Foram meses de preparação, dedicação e compromisso, compartilhados com pessoas que demonstram, em cada detalhe, o quanto amam aquilo que fazem. Pessoas dispostas a colaborar, resolver imprevistos, ajudar umas às outras e fazer o melhor para que tudo acontecesse da forma mais acolhedora possível.

A todos da equipe, fica o meu carinho, a minha admiração e a minha gratidão.

E talvez eu possa dizer, com um pouquinho de orgulho, que temos mais uma coisa em comum: eles amam muito o que fazem. E eu também!

 

 

Logo na chegada, já começamos a viver a alegria daquele encontro. Ali percebi como faz diferença receber alguém com um sorriso no rosto e demonstrar, de verdade, que sua presença era querida e esperada.

Um gesto simples ajudou a traduzir esse sentimento. Cada participante recebeu um coração acompanhado de uma palavra de incentivo. Pequeno no tamanho, mas enorme no significado. Às vezes, poucas palavras são suficientes para aquecer um coração e fazer alguém se sentir acolhido.

Durante a preparação, outro momento trouxe emoção. Uma canção foi executada com tamanha delicadeza e sensibilidade que parecia envolver o ambiente inteiro. Por alguns instantes, era como se um anjo nos abraçasse e nos enchesse de carinho, lembrando-nos de que aquele trabalho não estava sendo realizado apenas por nossas mãos.

Essa percepção tornou-se ainda mais presente durante a mensagem mediúnica. Foi possível sentir o amor e o amparo dos amigos espirituais que auxiliam o trabalho da Evangelização Infantil. Mas também compreender a seriedade, a responsabilidade e a necessidade desse trabalho abençoado na formação de nossas crianças.

E quem imaginaria que, logo na primeira atividade da manhã, contar até três pudesse se transformar em um desafio?

A dinâmica começou de um jeito aparentemente muito simples: bastava contar até três. Fácil, pensamos. Mas, a cada rodada, uma nova dificuldade era acrescentada. O que parecia tão óbvio começou a exigir mais atenção, concentração e esforço de todos nós.

Entre risadas, erros e novas tentativas, fomos percebendo que aqueles três números não estavam ali por acaso. Aos poucos, a brincadeira foi dando lugar à reflexão, até revelar o que realmente importava naquela atividade.

Fomos convidados a olhar nos olhos de quem precisa de nós e a verdadeiramente escutar, com atenção e carinho. Sem respostas prontas. Sem longos discursos. Apenas estar presente.

E descobrimos que três minutos de atenção verdadeira podem ser suficientes para acolher alguém, perceber um pedido de ajuda e, quem sabe, evitar um mal maior.

Ao final da plenária, uma sensibilização nos conduziu, em pensamento e emoção, ao Monte das Bem-aventuranças, onde Jesus proferiu o Sermão da Montanha.

Por alguns instantes, já não parecia que estávamos apenas imaginando aquela cena. Era como se estivéssemos ali, entre aqueles que se reuniram para ouvi-Lo, compartilhando o silêncio, a expectativa e a emoção de Suas palavras.

Foi um daqueles momentos difíceis de traduzir.

Por alguns instantes, estivemos todos naquele Monte.

 

Outro espaço que chamou a atenção foi a Feira de Boas Práticas, criada para a troca de experiências entre os evangelizadores. Ali estavam ideias simples, já aplicadas nas aulas e que haviam dado bons resultados. Exemplos para diferentes realidades e necessidades, mostrando que uma boa ideia não precisa ser complicada para fazer a diferença.

E, quando aquilo que deu certo é compartilhado, uma experiência que era de um evangelizador passa a contribuir com o trabalho de muitos outros.

E, em meio a tantas trocas e aprendizados, ainda tivemos a oportunidade de conhecer uma pequena amostra da Livraria da Aliança, com títulos cuidadosamente selecionados para quem se dedica à Evangelização Infantil.

Mais do que livros expostos, eram novas possibilidades de estudo, inspiração e aprofundamento para um trabalho que também exige de nós aprendizado constante. Afinal, quem se dispõe a ensinar também precisa continuar aprendendo.

Na hora do almoço surgiu um pequeno desafio: o espaço não comportava todos os participantes ao mesmo tempo. Aos poucos, os grupos foram sendo chamados e todos puderam saborear uma comida deliciosa — daquelas com gostinho de comida caseira, com gostinho de comida de mãe.

Depois, ainda houve tempo para descansar à sombra de uma enorme jaqueira. Entre o canto dos passarinhos e um ventinho gostoso que amenizava o calor, aquele cantinho se transformou em lugar de descanso, conversa e renovação das energias.

Para as atividades da tarde, fomos divididos em grupos e veio mais uma surpresa: os encontros aconteceriam na área externa, cada grupo debaixo de uma árvore.

 

Árvores como salas, sombras como abrigo e a natureza como cenário para novas trocas e aprendizados.

Ah, mas faltou contar um detalhe importante: para toda e qualquer atividade, nossas cadeiras iam conosco!

Era levantar, pegar a cadeira, caminhar até o próximo espaço, sentar… e, depois, começar tudo outra vez.

Pode parecer apenas um detalhe engraçado, mas até as cadeiras acabaram ensinando alguma coisa. Para tudo funcionar, cada um precisava fazer a sua parte. Cada participante carregava sua cadeira, ocupava seu lugar e colaborava para que a atividade pudesse acontecer.

No fim, pensei que talvez aquela cadeira simbolizasse algo maior: em um trabalho construído por muitas mãos, todos precisamos carregar um pouquinho. Quando cada um assume a sua parte, ninguém precisa carregar tudo sozinho.

Nas atividades da tarde, cada grupo foi convidado a refletir sobre uma das oito Bem-aventuranças.

Diante dos ensinamentos de Jesus, fomos provocados a responder perguntas que nem sempre eram fáceis. Perguntas que ultrapassavam o trabalho do evangelizador e tocavam o nosso íntimo.

Afinal, antes de ensinar as Bem-aventuranças, era preciso nos colocarmos diante delas e perguntar: quanto desses ensinamentos estamos conseguindo levar para a nossa própria vida?

Colocamos ali nossas questões, nossas experiências, aquilo que já conseguimos realizar e também o que ainda precisamos transformar em nós mesmos. Mas não paramos apenas na reflexão. Fomos convidados a pensar em propostas concretas de mudança.

Isso, para mim, foi magnífico.

Porque não estávamos apenas falando sobre os ensinamentos de Jesus. Estávamos sendo convidados a vivê-los.

Enquanto tudo isso acontecia, o céu começou a escurecer. Um grande temporal se aproximava e era hora de mudar os planos.

Os organizadores se mobilizaram rapidamente e, mais uma vez, lá fomos nós com nossas inseparáveis cadeiras! Todos os grupos deixaram a área externa e retornaram ao grande salão.

Oito grupos, divididos em subgrupos menores, precisariam continuar suas conversas ao mesmo tempo e no mesmo ambiente.

Confesso que olhei para aquela movimentação e pensei:

“Isso não vai dar certo…”

Mas deu.

Sem o espaço ideal, sem as condições planejadas e com muitas pessoas conversando ao mesmo tempo, as atividades continuaram. Foi preciso adaptar, reorganizar, colaborar e trabalhar com aquilo que tínhamos naquele momento.

Talvez algumas das melhores lições apareçam justamente quando o planejamento precisa dar lugar ao imprevisto.

 

Ao final, todos fomos convidados a nos reunir ao redor de uma pequena árvore colocada no centro do grande salão. Nela, uma corrente começava a ganhar forma. Seus elos coloridos traziam palavras escritas pelos próprios participantes — sentimentos, compromissos e marcas deixadas por tudo o que havíamos vivido naquele dia.

Éramos quase duzentos evangelizadores.

Parecia muita gente.

Mas, quando aquela corrente foi colocada ao redor da pequena árvore, ela ainda parecia tímida.

A imagem falou por si só:

nossa corrente precisa de mais elos.

Naquele momento, tornou-se evidente a importância de termos cada vez mais evangelizadores participando dos encontros anuais, compartilhando experiências, fortalecendo uns aos outros e compreendendo que ninguém realiza esse trabalho sozinho.

Somos apenas um elo.

Mas cada elo importa.

E foi então que a pergunta que dava tema ao encontro ganhou, para mim, um significado ainda maior:

O que fazemos com aquilo que aprendemos com Jesus?

Ao olhar para tudo o que havia acontecido naquele dia, percebi que talvez a resposta já estivesse ali.

Estava no sorriso de quem recebeu.

Na palavra colocada dentro de um pequeno coração.

Nos três minutos dedicados a olhar alguém nos olhos e verdadeiramente escutar.

Estava na ideia compartilhada com outro evangelizador, na cadeira que cada um carregou, na sombra de uma árvore que virou sala, na capacidade de mudar os planos diante de um temporal e continuar.

Estava nas perguntas difíceis que nos fizeram olhar para dentro e reconhecer aquilo que ainda precisamos transformar.

E estava naquela corrente, ainda pequena, nos lembrando de que há espaço — e necessidade — para muitos outros elos.

Talvez seja esse o convite de Jesus: não apenas conhecer Seus ensinamentos, falar sobre eles ou levá-los às nossas crianças, mas permitir que apareçam nas situações mais simples da nossa própria vida.

Porque aprender com Jesus é importante.

Refletir sobre Suas palavras é necessário.

Mas é aquilo que fazemos com o que aprendemos com Jesus, que transforma ensinamento em vida.

Renata Mascotte Sanches

CEAE Formosa

Regional SP Leste

 

 

Leave a Comment