Elos da Corrente: o que fazemos com aquilo que aprendemos com Jesus?
Elos da Corrente: o que fazemos com aquilo que aprendemos com Jesus?
Talvez agora, ao final do 19º Encontro de Evangelizadores Infantis, possamos compreender que nada do que vivemos no dia 30 de agosto de 2026, em São José dos Campos, aconteceu por acaso.
Este Encontro foi pensado passo a passo.
Cada momento, cada palavra, cada reflexão, cada dinâmica, cada encontro de olhares. Tudo foi preparado com muito carinho, pensando em cada um de nós. Pensando no evangelizador que somos. Na pessoa que somos.
Pensando naquilo que já conseguimos transformar em nós. E, principalmente, naquilo que ainda precisamos transformar.
Porque não foi somente para falar sobre as Bem-aventuranças que Jesus nos reuniu.
Ele nos reuniu para que pudéssemos olhar para dentro de nós, através delas e, nos perguntarmos:
Sou realmente misericordioso? Tenho sido pacificador? Tenho pureza no coração? Consigo ser humilde? Consigo suportar as dificuldades sem perder a esperança? Consigo enxergar o outro com amor?
E talvez algumas respostas tenham sido fáceis. Outras, nem tanto.
Talvez em alguns momentos tenhamos nos reconhecido nas palavras de Jesus.
Em outros, tenhamos percebido o quanto ainda precisamos caminhar.
E está tudo bem. Porque Jesus nunca nos pediu perfeição.
Ele nos pediu transformação.
E talvez seja esse o verdadeiro significado de um encontro como este.
Não sair pensando: “Eu preciso ser um evangelizador melhor.”
Mas sair pensando: “Eu preciso ser uma pessoa melhor.”
Porque antes de ensinarmos Jesus às crianças… precisamos permitir que Jesus nos ensine.
Antes de falarmos sobre amor, precisamos aprender a amar.
Antes de falarmos sobre perdão, precisamos aprender a perdoar.
Antes de falarmos sobre humildade, precisamos olhar para o nosso orgulho.
Antes de falarmos sobre misericórdia, precisamos perceber como temos tratado aqueles que erram.
E antes de ensinarmos as Bem-aventuranças, precisamos tentar vivê-las.
Foi por isso que este encontro nos chamou a olhar para dentro.
E talvez seja por isso que ele tenha sido tão especial. Porque, em algum momento, cada um de nós percebeu:
“Jesus está falando comigo.”
E agora chegamos à pergunta que dá sentido a tudo o que vivemos:
ELOS DA CORRENTE: O QUE FAZEMOS COM AQUILO QUE APRENDEMOS COM JESUS?
Porque aprender é maravilhoso. Sentir é necessário. Refletir é importante.
Mas… e depois? O que fazemos? Guardamos em uma pasta? Levamos para casa e esquecemos? Esperamos o próximo encontro? Ou permitimos que aquilo que aprendemos mude alguma coisa em nós?
Talvez a resposta esteja justamente naquilo que acontece quando voltamos para nossas Casas Espíritas. Quando encontramos novamente as crianças e seus pais.
É ali que descobrimos o que fizemos com aquilo que aprendemos com Jesus.
Porque as Bem-aventuranças não foram feitas apenas para serem guardadas. Foram feitas para serem vividas.
E cada criança que nos é confiada será uma oportunidade de colocá-las em prática.
Talvez a criança que mais nos desafia seja a oportunidade de exercitarmos a paciência.
Aquela que nos desobedece, a oportunidade de exercitarmos a mansidão.
Aquela que chega triste, a oportunidade de exercitarmos a misericórdia.
Aquela que se sente diferente, a oportunidade de exercitarmos o amor e o acolhimento.
E aquela que mais nos incomoda… talvez seja justamente aquela que mais nos ensina sobre nós mesmos.
E não podemos nos esquecer dos pais.
No diálogo que teremos com eles. Na escuta que oferecermos. Na compreensão diante de suas dificuldades. Na maneira como acolheremos suas dúvidas, suas inseguranças e, muitas vezes, suas próprias fragilidades.
Porque os pais também estão caminhando. Também estão aprendendo. Também estão buscando acertar.
E talvez uma palavra nossa possa aproximar. Um olhar possa acolher. Uma escuta possa aliviar.
É assim que os elos se fortalecem.
E nesse Encontro percebemos também que não estamos sozinhos.
Alguns elos se formaram. Outros foram restabelecidos. Outros foram fortalecidos.
E sentimos falta daqueles que não puderam estar conosco. Mas cada evangelizador faz parte dessa corrente. Cada um tem seu lugar. Cada um tem sua importância.
Porque uma corrente não precisa que todos os elos sejam iguais. Precisa que estejam ligados uns aos outros.
E talvez essa seja uma das maiores lições que levaremos desse Encontro:
Precisamos uns dos outros. E precisamos, acima de tudo… de Jesus.
Porque é Ele quem dá sentido à nossa corrente. É Ele quem nos reúne. É Ele quem nos inspira. É Ele quem nos ensina. E é Ele quem nos lembra, a cada criança, a cada pai que entra pela porta da Evangelização, que estamos diante de uma oportunidade sagrada.
Talvez nunca saibamos quantas sementes plantamos. Talvez nunca vejamos todas florescerem.
Mas nossa tarefa é semear. Com amor. Com responsabilidade. Com humildade. Com esperança.
E que permaneça, principalmente, esta pergunta:
“O que eu vou fazer, a partir de agora, com aquilo que aprendi com Jesus?”
Talvez cada um de nós tenha uma resposta diferente.
Mas que todas elas nos levem ao mesmo caminho: mais amor, mais compreensão, mais misericórdia, mais humildade, mais paz… Mais Jesus em nossas vidas, em nossas famílias, em nossas relações.
E, principalmente…mais Jesus na nossa Evangelização.
Que possamos aproveitar a oportunidade bendita de sair deste Encontro, não apenas como evangelizadores que participaram de um encontro, mas como elos renovados de uma corrente que escolheu continuar aprendendo, servindo e se transformando.
Porque o Encontro terminou, mas a nossa tarefa continua.
E agora, talvez saibamos um pouco melhor o que fazer com aquilo que aprendemos com Jesus:
Viver. Servir. Transformar. E amar.
Que Jesus nos fortaleça.
Que Ele nos ajude a transformar cada ensinamento em atitude e cada atitude em exemplo.
E que, quando as crianças chegarem, elas possam encontrar em nós não apenas alguém que fala de Jesus, mas alguém que está, todos os dias, tentando vivê-Lo.
Somos Elos da Corrente.
E a corrente se fortalece com o amor de Jesus em todos nós.
Chirlene Macedo Aurélio Muniz
CEAE Santos
Coordenadora da Evangelização Infantil – Regional Litoral Centro




