Afastamento ou isolamento familiar

Afastamento ou isolamento familiar

Sabemos que alguns tipos de comportamento fazem parte do desenvolvimento dos jovens. A passagem pela puberdade é um processo natural, um período de transição da infância para a adolescência. Querer ficar um pouco mais quietinho e sozinho é uma fase, mas requer a atenção dos pais, a compreensão e a paciência, principalmente pela inconstância e alteração de humor dos jovens.

Na busca para pertencer a um grupo, é comum mudanças na maneira de se vestir, nas preferências musicais, e por aí vai. O problema é quando este afastamento se torna isolamento. Qual a diferença entre isolamento e afastamento?

Há poucos anos passamos pelo isolamento social. Ainda temos gravados em nossas memórias os sentimentos e emoções deste período, o quanto a convivência com o outro é importante em nossa vida e faz falta.

Abordamos este tema na Escola de Pais, utilizando como base a parábola de Jesus A ovelha perdida. Iniciamos com a história da parábola contada por Jesus:

Um pastor tinha cem ovelhas e uma delas se perdeu. O homem guardou as noventa e nove ovelhas e retornou para buscar aquela que estava perdida. Quando a encontrou, ficou muito feliz, a colocou sobre os seus ombros e voltou para casa. Chegando lá chamou seus amigos e vizinhos dizendo para se alegrarem também porque ele havia encontrado a ovelha que estava perdida.1

Trouxemos a história para o cotidiano e a inserimos no ambiente familiar. Primeiramente, a ovelha, na relação pais e filhos, fazendo alusão aos filhos que se distraem no caminho, se distanciando da família. O que, até certo ponto, faz parte do desenvolvimento do adolescente, mas que, muitas vezes, acaba se tornando um isolamento do convívio familiar.

Chamamos atenção ao convívio familiar. Às vezes, pessoas se afastando fisicamente entre si, cada um no seu espaço, em seus celulares. Aos poucos a distância vai se ampliando: a falta de contato, os diálogos se tornam monólogos e, por estarem desatentos, não percebem as barreiras que vão surgindo entre eles.

É importante observar como o jovem está lidando com os tumultos da pré-adolescência, sua autoimagem, inseguranças, medos, se está passando por desconfortos ou até mesmo bullying na escola.

O Pastor e sua atitude de buscar e trazer nos braços a ovelha: dialogamos sobre o papel dos pais, a importância de estar presente na vida da família, a disposição, o respeito ao momento vivenciado por esse jovem e, se houver necessidade, que busquem apoio para encurtar essa distância. Lembrando que cada filho é único e que, às vezes, faz escolhas equivocadas. Quando um filho pedir ajuda ou se reaproximar, ele precisa encontrar um ambiente acolhedor de amor, diálogo e perdão, ao invés de julgamentos e cobranças.

A festa: aproveitar todos os momentos de reunião em família, como o evangelho no lar, para comemorar as pequenas conquistas dos filhos. Abraçar, acarinhar, elogiar, orientar e corrigir quando for necessário, Muitas vezes ele só precisa de colo e amor.

Finalizamos deixando duas perguntas para reflexão dos pais e responsáveis:

O que você faria se percebesse que seu filho está se distanciando?

Se seu filho decidisse se reaproximar hoje, o que ele encontraria em você?

 

 

Silvia Maria dos Santos Amâncio Ribeiro

Centro Espírita Luz do Caminho – CELUCA

Regional Vale do Paraíba

 

Referência:

1 Evangelhos de Mateus, 18:12–14 e Lucas, 15:3–7