Divórcio
DIVÓRCIO
Em 1º de maio deste ano publicamos o texto Alienação parental1, um roteiro de aula que fez parte da tríade Diversidade na formação familiar. Os temas, embasados na doutrina espírita, foram apresentados por pessoas especializadas, à Escola de Pais da Pré Mocidade, no CELUCA, em Taubaté – SP.
O tema de hoje, Divórcio, foi desenvolvido em 11/04/2026 por Thaís Cristina Arcas de Felippe, que é psicóloga.
Os pais participaram efetivamente em todas as etapas, falando das próprias vivências e tirando dúvidas. A maioria dos pais presentes eram separados.
A conversa foi muito produtiva e participativa.
Compartilho a seguir o roteiro da aula:
IDEIA CENTRAL DA RODA:
Divórcio como ruptura de vínculo — e o que isso mobiliza em adultos e filhos
Abertura
Alinhamento de expectativa:
- Não é sobre incentivar ou evitar o divórcio
- É sobre compreender emocionalmente o que acontece quando vínculos se transformam ou se rompem.
Pergunta aos pais:
Quando vocês pensam em “divórcio”, qual é a primeira palavra ou sensação que vem?
Pontos-chave:
- Mesmo quando é “decidido”, ainda é perda
- Nem todo luto é visível ou autorizado socialmente
- Lutos não elaborados → transbordam (especialmente na relação com os filhos)
O que acontece emocionalmente com os pais:
- Ambivalência (alívio + culpa)
- Tentativa de manter “normalidade”
- Dificuldade de sustentar o sofrimento dos filhos porque o próprio já está grande
Pergunta aos pais:
O que vocês acham que mais desorganiza emocionalmente um adulto num processo de separação?
O olhar para os filhos:
- Crianças/adolescentes não sofrem só pela separação, sofrem pelo clima emocional antes, durante e depois
Pontos importantes:
- Conflito constante machuca mais do que a separação em si
- Filhos tendem a:
- se culpar
- tentar “cuidar” emocionalmente dos pais
- fantasiar reconciliação
- O silêncio também comunica
- “Filhos não precisam de pais juntos. Precisam de pais emocionalmente disponíveis.”
- “O lugar de filho não é o de mediador nem de cuidador emocional.”
Pergunta aos pais:
O que vocês acham que uma criança mais precisa sentir nesse momento?
O que fica quando algo acaba?
O que se perdeu?
O que permaneceu?
O que se transformou?
Depois conclui com:
“Nem todo fim apaga o vínculo. Às vezes ele só muda de forma.”
Fechamento: Responsabilidade emocional
- Separações podem acontecer — o ponto é: como elas são vividas e sustentadas emocionalmente.
Fechar com 3 pilares:
- Elaboração emocional dos pais (não terceirizar isso para os filhos)
- Clareza de papéis (filho é filho, não confidente)
- Cuidado com o vínculo parental (o casal pode acabar, a parentalidade não)
O embasamento na doutrina espírita foi a partir do seguinte trecho:
Para o espiritismo, o divórcio é uma lei humana que precisa ser utilizada de acordo com cada cultura, de acordo com os costumes da época, a partir do momento que não se leva mais em consideração a lei do amor.
A doutrina espírita não condena o divórcio, já que esta separação só formaliza aquilo que já estava desfeito há muito tempo. O que acabou foi a atração sexual, a simpatia, a paixão etc.
Já em relação a passagem: “Não separeis o que Deus Uniu”, a doutrina espírita compreende da seguinte forma:
“O que o amor juntou, o amor de Deus, esse ninguém separa. Isso é diferente de duas pessoas que se casaram e não estão bem, não se gostam mais. Essas pessoas não têm nenhum problema em se separar”, Alexandre Caldini
Diante disso, conclui-se que o que Deus não quer é o fim do amor! O amor legítimo diz respeito a pureza, a um laço espiritual e não físico.2
Maria Tereza Arcas
CE Luz do Caminho – Taubaté
Regional Vale do Paraíba
Referências:
1 Aliança Espírita Evangélica – Alienação parental – Aliança Espírita Evangélica
2 Visão espírita do divórcio ~ Lar Espírita Maria de Nazaré (último acesso em 02/07/2026)




