Trevo Multilíngues

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Conselho Editorial  

editorial

  Vale a pena ler de novo

  Capa

  Capa

  Capa

  Capa

  Capa

  Capa

  Capa

  Notas

 Pagina dos Aprendizes

  Poesia

Apresentando a edição
Aliança, 50 anos: o futuro é agora
A 1ª edição de O Trevo
Como será a próxima geração de espíritas?
Evangelização infantil: um novo olhar para situações desafi adoras
3 frentes de ação para deixar a Mocidade mais inclusiva
Como o centro espírita acolhe as pessoas LGBTQIA+?
No CEAE Poá, a Mocidade criou a Evangelização Infantil
Todos Juntos por um ambiente mais acessível, diverso e inclusivo
Como a Mocidade está levando a música espírita para todos

Missão da Aliança

Efetivar o ideal de Vivência do espiritismo Religioso por meio de programas de trabalho, estudo e fraternidade para o Bem da Humanidade.

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O TREVO

Novembro / Dezembro de 2023 – Ano L • Aliança Espírita Evangélica – Órgão de Divulgação da Fraternidade dos Discípulos de Jesus – Difusão do Espiritismo Religioso • Diretor-geral da Aliança: Luiz Carlos Amaro • Jornalista responsável: Marina Gazzoni MTB 65063-SP • Projeto Gráfi co – Editoração:
Marina Quicussi, Editorial Aliança • Conselho editorial:
César Augusto Milani Castro, Cida Vasconcelos, Denis Orth, Eduardo Miyashiro, Elizabeth Bastos, Fernanda N. Saraiva, Julio Cesar Silva Gama, Maria José Ribeiro, Mauro Iwanow Cianciarullo, Rejane Petrokas e Renata Pires. • Colaboraram nesta edição: Angela Curcio Amaral, Bianca Ohara, Carina Luma Pinaco, Edgar Refi netti, Jader Arantes, Jerson Bottaro, João Marcello, Keila Reis, Leticia Fernandes, Marcelo de Andrade, Maria Filomena Cordeiro Lopes, Maria Lucia Mendes, Miriam Gomes, Sandra Solé, Sônia Bramante, Suiang Guerreiro • Capa: Freepik • Redação: Rua Humaitá, 569 – Bela Vista – São Paulo/SP – CEP: 01321- 010 – Telefone (11) 3105-5894 • Informações para Curso Básico de Espiritismo e Projeto Paulo de Tarso: 3105- 5894 (WhatsApp) • CVV 188.

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Apresentando a edição

e suas Escolas de Aprendizes.
Vale a pena ler de novo!
Mas devemos sempre olhar
para frente. Para isso, O Trevo
convidou as equipes de apoio
à Evangelização Infantil e à
Mocidade para escrever artigos
especiais para esta edição.
E daqui a 50 anos?
Essa é a nossa pergunta
para os jovens ou para aqueles
que estão à frente de iniciativas
voltadas para a juventude
no movimento espírita.
A evolução é um caminho
natural da sociedade e, consequentemente,
do Espiritismo.
Passados 50 anos, há uma
necessidade de revisão de e suas Escolas de Aprendizes.
Vale a pena ler de novo!
Mas devemos sempre olhar
para frente. Para isso, O Trevo
convidou as equipes de apoio
à Evangelização Infantil e à
Mocidade para escrever artigos
especiais para esta edição.
E daqui a 50 anos?


Essa é a nossa pergunta
para os jovens ou para aqueles
que estão à frente de iniciativas
voltadas para a juventude
no movimento espírita.
A evolução é um caminho
natural da sociedade e, consequentemente,
do Espiritismo.
Passados 50 anos, há uma
necessidade de revisão de

didática nos cursos. A Mocidade
e a Evangelização Infantil
relatam em artigos nesta edição
como revisaram seus livros
e programas para se adaptar
aos novos tempos.
Para alcançar a juventude,
precisamos de mais inclusão,


mais diversidade e até
mesmo um domínio maior
de novas tecnologias. Um
dos artigos propõe uma refl exão
sobre a receptividade dos
centros espíritas à população
LGBTQIA+. Outro mostra um
exemplo de como a Mocidade
buscou práticas mais inclusivas
para defi cientes auditivos
no centro espírita.

Como será a próxima geração
de espíritas? Um dos
artigos que você pode ler a
seguir lembra como cada
geração encontrou o Espiritismo
e aborda as tendências
sociais e tecnológicas das próximas
gerações.
E para nos mostrar o potencial
realizador da juventude,
contamos duas histórias inspiradoras:
a de uma equipe
de Mocidade que inaugurou
o trabalho de evangelização
infantil dentro de um centro
espírita e a de outra turma que
está à frente de uma iniciativa
de digitalização e divulgação
da música espírita.
Que as próximas páginas
possam nos inspirar a buscar
maiores realizações nos próximos
50 anos!


Boa leitura!


Equipe O Trevo

Paina 03

Aliança, 50 anos: o futuro é agora

Há 50 anos nascia um
movimento revolucionário
no Espiritismo.
Ele surgiu da vontade de oito
voluntários que sentiram que
poderiam construir programas
de estudo e vivência focados
no caráter religioso da doutrina
espírita.
No dia 4 de dezembro a
Aliança Espírita Evangélica
comemora seu aniversário de
50 anos. Nesta data ocorreu
um memorável encontro no
apartamento do comandante
Edgard Armond, que consolidou
um ideal que vinha sendo
debatido ao longo daquele ano.
Não foi uma solução mágica
ou uma decisão tomada no calor
das emoções. A criação da Aliança
foi algo amadurecido e debatido
durante vários encontros deste
grupo. Tanto que, um mês antes,
em novembro de 1973, foi publicada
a primeira edição de O Trevo, um
jornal com a missão de difundir o
Espiritismo religioso.
A história da Aliança está contada nas páginas de O Trevo, além de diversos livros de Edgard Armond e outros
autores. Mas essa é a história
sob a ótica institucional. Cada
um de nós, voluntários, leitores
ou qualquer pessoa que
entrou um dia para tomar um
passe nos nossos centros espíritas
têm sua própria história
com a Aliança.
Muitos foram os alunos das
Escolas de Aprendizes do Evangelho
(EAE) que incorporaram
em sua rotina a busca pela
reforma íntima. Muitos preencheram
um vazio existencial,
por meio de respostas ou com
a alegria de servir.
A Aliança hoje é esse lugar
que acolhe, ouve, dá oportunidade
de ser útil e de evoluir

espiritualmente. Viver em
Aliança é, muitas vezes, encontrar
um propósito de vida.
O grupo que começou com
oito centros espíritas de São
Paulo hoje reúne 328 casas
espalhadas não só pelos diferentes
Estados do Brasil como
em várias partes do mundo.
Um convite à ação
As lições de quem viveu ou
vive em Aliança nos inspiram
e nos impulsionam a continuar
a missão. Até pouco tempo
tínhamos entre nós o nosso
irmão Jacques Conchon a nos
brindar com suas palestras
memoráveis. Por mais de uma

vez ouvi o Jaques dizer que o
tempo urge e não deveríamos
pensar no futuro, mas fazer o
futuro agora.
Ter planos para o futuro é
importante, mas esses planos
precisam ser executados. Não
precisamos só de ideias, mas
de ação. A essência da Aliança
é acolher o ser humano e
oferecer a ele a oportunidade
de transformação através dos
nossos programas de evangelização
do ser.
Visitando as regionais e casas
nos deparamos com valorosos
trabalhadores honrando o legado
recebido, empenhando seu
tempo, conhecimento e experiência
em diferentes trabalhos
em prol do próximo. É gratificante
constatar o esforço destes
protagonistas do Evangelho.
Felizmente, vivemos um

momento de muita atividade
na Aliança. Foi um ano marcante:
tivemos o lançamento
dos “50 projetos”, nosso primeiro
Censo geral, a atualização
de dirigentes, uma nova proposta
para os facilitadores de
aulas, a multiplicação dos cursos
de Pré-Mocidade e o início
de um livro-base e a Evangelização
Infantil empenhada
em uma nova oficina para os
facilitadores. Tivemos também
três edições, em São Paulo, do
Curso de Entrevistador, com
uma abordagem de escuta
compreensiva e o retorno às
atividades presenciais após a
pandemia de covid. Temos muito a construir pela frente.
Completamos apenas 50 anos de
existência e o nosso postulado ainda é inovador. A Aliança
visa proporcionar uma vivência no Evangelho. É uma proposta desafiadora de ensinar todo
dia a si mesmo.
A união será a força que nos impulsionará para fazer cada vez
mais. Não é clichê, é a realidade:
precisamos aproximar cada
vez mais nossas equipes para
trabalhar em sinergia, com os
mais experientes caminhando
junto com os jovens, compreender
as necessidades uns dos
outros, aproveitando as melhores
ideias e partindo juntos para
a ação.
Hoje colhemos os frutos
daqueles que plantaram há
50 anos a árvore do Evangelho
e cuidaram dela até produzir.
Os próximos 50 anos serão
marcados pelos frutos que nós
estamos plantando.
Que tenhamos todos sabedoria,
fé, disciplina e sensibilidade
para executar esta missão no
próximo ciclo de 50 anos.


Luiz Amaro é Diretor-Geral
da AliançA

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Nota do editor: Republicanos hoje o texto de apresentação de O Trevo e a entrevista de Edgard Armond, ambos publicados na edição de
estreia, em novembro de 1973. Importante ressaltar que as afirmações foram feitas há 50 anos e refletem um contexto da época.

Apresentação

Surge hoje, com esperança de muitos para que
tenha vida longa e útil, este pequeno mensário
dedicado à difusão do Espiritismo religioso,
como órgão do pensamento das novas casas que
se vão fundando nesta capital para manter acesa
a chama sagrada da evangelização, pela reforma
íntima, em respeito às finalidades e diretrizes
inspiradas pelo Plano Espiritual Superior em 1950,
e que se concretizaram na Escola de Aprendizes do
Evangelho e na fraternidade dos Discípulos de Jesus.
Esses organismos atingiram plenamente suas
metas e com isso exaltaram a Doutrina dos Espíritos
e grandemente a prestigiaram no conceito público,
como é de conhecimento geral.

Muito embora vem sofrendo ultimamente alterações
que desfiguram sua verdadeira finalidade e retardam
a continuação de seu anterior desenvolvimento, estão
sendo agora restabelecidas em suas bases originais,
sem desvios e deturpações, nas atividades meritórias
dessas casas novas e independentes que se lançam,
sem temor, nas lutas reivindicatórias das conquistas
espirituais que não podem ser postergadas.
Fazemos votos sinceros para que O TREVO
permaneça fiel aos enobrecedores motivos que
determinaram sua fundação e para ele solicitamos
a cooperação de todos quanto aspiram a vivência
evangélica, nos termos estabelecidos por Jesus,
nosso Divino Mestre e Redentor.

Entrevista com o Cte. Armond

São Paulo, 30-10-73
Perguntas do Dr. Ney

1) Cte. pode nos contar como
foram iniciadas as Escolas de
Aprendizes do Evangelho?
R – Na organização da Federação,
que foi efetivada metódica e
gradativamente, a partir de 1940,
cuidando-se em primeiro lugar
do atendimento público a necessitados
em geral e, logo após de
uma Escola de Médiuns, tornou-
-se evidente a lacuna existente no
importante setor de evangelização
dos adeptos, precária e protelatória
quando entregue, como sempre
esteve, ao arbítrio individual.
Como essa organização estava
sendo feita para atender, um futuro
à vista, multidões de frequentadores
e, para fugir, tanto quanto
possível, ao misticismo exagerado,
o meio mais natural e lógico seria
uma escola especializada, de caráter
iniciático, didático, aberta, sem
restrições nem mesmo de religião,
integrada em um organismo de
cúpula – uma fraternidade – tudo
racional e convenientemente
adaptado ao Espiritismo religioso.
Assim se organizou a Escola,
com base na reforma íntima, a
difundir-se amplamente no Estado
e no País.

2) O sr. como se coloca no papel
de fundador da Escola naqueles
dias do seu planejamento?
R – Naturalmente que como
defensor da sua integridade, pureza e finalidades; dos princípios
e regras elaborados na ocasião,
por inspiração do Plano espiritual
Superior (que também inspirara
a organização da Casa, em 1940);
de sua difusão livre e desembaraçada porque a luz, como ensinou
Jesus, não deve ficar ocultada
pelo velador, mas desembaraçada
dele, para que ilumine o ambiente;
mostrando que a escola não pode
ser privilégio de instituições, contrariando os ideais de sua criação.
Jesus também não recomendou
isso quando disse que o Evangelho
deveria ser levado a todas as partes,
antes que viesse o fim?
O fim está se aproximando
muito depressa e a difusão evangélica por essas Escolas, devido
a lamentáveis opiniões pessoais
prevalecentes, mal iniciou seus primeiros passos! Por outro lado, se
neste nosso País, que é considerado
a Pátria do Evangelho, Escolas
de evangelização não se difundem,
onde então poderão fazê-lo?

Se não o podem, sendo parte de
uma doutrina tida como libertadora
de consciências, como aceitar
prevalência de exclusivismos?
No livrinho Guia do Aprendiz à
página 71, declaramos que a reforma
íntima é tão urgente, que a
inexistência de escolas não devem
impedir que seja feita, mesmo
individualmente e respeitadas as
diretrizes iniciais de sua instalação
em 1950.
E acrescentamos agora que o
ideal seria que em todos os centros
espíritas esse organismo
existisse e, em caso de impossibilidade,
pelo menos cursos especiais
destinados à reforma de todos
os frequentadores, por ser medida
inadiável de aperfeiçoamento
moral e purificação espiritual para
todos os verdadeiros espíritas;
sendo também certo que essa
medida redundaria em grande
prestígio social para essas Casas,
obtenção de melhores coberturas
espirituais e o recebimento carinhoso
de bênçãos emanadas do
Divino Mestre Jesus.
3) Pode nos falar sobre Razin,
entidade que espiritualmente
supervisiona as Escolas?
R – Nosso irmão maior Razin,

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desde os primeiros tempos da
organização da Casa, presta-lhe
sua colaboração; por motivos justos encarregou-se da supervisão das Escolas e da Fraternidade dos Discípulos; e estende essa supervisão
às Escolas novas que vão se abrindo agora. É um dos muitos trabalhadores da linha oriental que prestam ajuda ao anjo Ismael o guardião de nosso País e responsável pela sua orientação, dentro do conjunto espiritual planetário que Jesus impulsiona na sua evolução.
4) Gostaríamos que o sr. enumerasse os motivos da introdução e as vantagens da caderneta usada pelos aprendizes para o controle da reforma íntima. Haveria a possibilidade dessas cadernetas serem consideradas uma confissão escrita dos erros e defeitos?
R – Pode-se pensar assim, pois que o pensamento é livre, mesmo quando não corresponde à verdade; mas a verdade é que a caderneta é um recurso valioso e eficiente, à disposição dos aprendizes para sua reforma moral, como também o é para administração
da Escola.
Quem tiver humildade e disposição
para fazer autoexame psíquico e combater vícios e defeitos (medida, aliás, indispensável e útil quando o esforço é levado a sério), dá-lhe o valor que ela merece e sabe do auxílio que ela presta, pois que nela registra seus esforços individuais desde o primeiro dia e periodicamente a consulta para
medir seus progressos espirituais.
A Escola fornece orientação e auxílio espiritual nessa luta edificante de autopurificação, inteiramente a cargo do aprendiz, mas não oferece facilidades, porque nesse esforço sacrificial que forma discípulos, não pode haver acomodações, transigências íntimas, protelações, fugas… Ou Deus ou Mamon…
Julgamos haver incompreensão,
imaturidade ou, em alguns casos, má fé nessa afirmação leviana; a caderneta registra, como já dissemos, os resultados do auto-exame, muito útil, aliás, para o conhecimento de nossas inferioridades e para o autocontrole do
esforço de eliminação delas.
Convém também considerar que esta necessidade de autoanálise é reclamada desde milênios por luminares de nossa civilização
(veja-se, por exemplo, Sócrates)
e posta muito em evidência pelo Divino Mestre, neste mesmo Evangelho que a Escola se esforça para ensinar a cumprir e viver.
Dos milhares de aprendizes que passaram pela Escola, os poucos
reparos que se fizeram sobre isso, foram de pessoas menos interessadas
na sua melhoria espiritual que no seu próprio conforto e opiniões.
Mas, de pouco tempo para cá essas críticas vêm se avolumam

na sua transcendente tarefa
de redenção humana.
O sistema adotado na Escola
de Aprendizes inclui testes que
devem ser transcritos nas cadernetas,
para facilitar a comparação
de situações anteriores presentes,
observando o aprendiz os êxitos e as falhas. o, como se fossem dirigidas; ou
então é de crer que os aprendizes
não estão sendo sufi cientemente
esclarecidos sobre o assunto, logo
nos primeiros dias.
Como a Escola é aberta, a
matrícula é livre e o programa e
finalidades não se escondem, é
claro que só se inscrevem aqueles
que realmente desejam seu
aperfeiçoamento moral; os que
não têm esse objetivo, melhor será
que se submetam mais tempo
aos desgastes e às experiências da
vida exterior, amadureçam para as
suas aspirações mais elevadas e
só depois voltem para se valerem
dessa feliz oportunidade de purifi-
cação e de progresso espiritual,
cuidando então de si mesmos e
não de críticas destrutivas.
5) O sr. admite a possibilidade
de controlar-se o aproveitamento
dos aprendizes, no que diz respeito
à reforma íntima, por testes
psicológicos bem elaborados, ou
por um roteiro de perguntas, de
modo a facilitar a análise de quem
deverá apurar os resultados,
impessoalmente?
R – A reforma íntima, para ser
efetiva e duradoura, é esforço próprio
e espontâneo e os testes são
meros elementos de apreciação
de resultados devendo, por isso,
serem simples, claros, diretos e
objetivos.
A preocupação maior deve ser
possibilitar, de todas as formas, o
desenvolvimento moral e a reforma
dos aprendizes.

D’outra parte a evangelização
ainda é aceita preferentemente
pelos humildes ou sofredores, de
precária ou média cultura, e os métodos a empregar devem ser os mais simples possíveis visando, mais que tudo, as reações do coração e dos sentimentos.
Os quase dois mil anos que passaram do tempo de Jesus, não modificaram muito essa situação e, para os ricos e poderosos, os valores reais da vida, via de regra, se situam no mundo material.
Os líderes espíritas não podem
fugir a esta realidade, pelo menos
neste ciclo que já vai chegando
ao fim, a não ser levem a Doutrina
para os setores mais cômodos e
fáceis da filosofia e da “ciência”, o
que seria o mesmo que fazê-la fracassar

na sua transcendente tarefa
de redenção humana.
O sistema adotado na Escola
de Aprendizes inclui testes que
devem ser transcritos nas cadernetas,
para facilitar a comparação
de situações anteriores presentes,
observando o aprendiz os êxitos e as falhas. O teste sofisticado foge
às realidades imediatas;
se, duma parte facilita
a análise dos apreciadores
de resultados não concorre,
entretanto, vantajosamente,
à formação do novo
estado moral do aprendiz e o
desenvolvimento de virtudes,
sobretudo a humildade, necessárias ao combate de vícios e
defeitos morais.
Como em sua maioria, os que
se inscrevem são gente simples,
a caderneta satisfaz mais que os
testes psicológicos, algumas vezes
de rebuscada interpretação, não
lhes oferecendo também oportunidades a que vazem ali seus sentimentos e pensamentos; para estes a caderneta é mais afim e
acessível, vale mais que as simples
respostas, porque ela também
representa para eles um objeto de
estimação, repositório de agradáveis lembranças no futuro.
Inegavelmente que seu uso
tem também efeitos psicológicos
porque obriga a constantes introspecções
nos recônditos anímicos.
Todavia não se pode proscrever
estudos de outros sistemas,
desde que desempenhem idênticas
funções psicológicas, afetivas
e consoladoras e atinjam os mesmos objetivos, com vantagens
positivadas. Mas isso depende do
tempo longo de experimentações.
Não cremos que um sistema a
base de tecnologia ofereça iguais
resultados, alimente atividades
essencialmente religiosas e idealísticas, no sentido do amor ao
semelhantes.
6) O sr. sabe que há instituições
do meio espírita que não
aceitam a utilização da caderneta.
Que outro meio de controle
e apuração de aproveitamento
poderia ser introduzido, visando
um programa amplo de implantação de escolas no mundo
inteiro, facilitando o trabalho dos dirigentes e evitando possíveis
controvérsias a respeito?
R – Já nos referimos a isso no item
4, mas podemos acrescentar algo
dizendo que a

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controvérsia é, mais que tudo,
provocada por confrades que
preferem o espiritismo filosófico ou científico, aos quais nada temos que opor, pois é assunto de livre-arbítrio; e também por aqueles que não desejam esforçar-
se no desprendimento dos
valores materiais; e ainda os diletantes
e curiosos que, ao invés de
se dedicarem à elevação própria,
preferem criticar o que não
ajudam a construir. Quanto aos
novos controles já nos referimos
no item anterior.
7) O que representa a figura
do trevo nas Escolas?
R – O trevo é a adoção do
símbolo de uma Fraternidade
do Espaço, das primeiras, aliás, a
se encarregarem do esforço de
proteção e encaminhamento dos
trabalhos culturais e evangélicos.
Seu sentido é aparentemente
designativo e simbólico, semelhantemente
ao que é largamente
usado também em nosso plano
material para designar empreendimentos
industriais, comerciais,
agrícolas, educacionais, religiosos,
etc., conquanto o primeiro é mais
que isso e penetre mais fundo na
realidade espiritual.
O Espiritismo, a nosso ver,
não deve, como alguns sugerem,
fechar-se em si mesmo, ignorando
hábitos, costumes e crenças
de outros povos e outras épocas,
pois que tudo está encadeado
nos programas cósmicos; é uma
doutrina, cósmico-religiosa porque
sua finalidade principal é a
redenção da humanidade; por
isso é que tem como base moral
o Evangelho de Jesus que é universal,
não partidário.
8) Há quem diga que o distintivo
do trevo é uma reminiscência
de simbologia que não tem sentido
na Doutrina Espírita. O que o
sr. acha desse pensamento?
R – É uma opinião como outras,
sem base na realidade espiritual.
Já mostramos que os símbolos
são utilizados em toda parte nos
dois planos e o Espiritismo atua
também em ambos, como as
demais religiões, que sempre
têm em vista a busca de Deus. A
própria ciência materialista utiliza
símbolos, para ordenar e classificar suas ideias e teorias. E nós próprios, espíritos encarnados, não somos símbolos que corporificam o pensamento criador de
Deus, na forma de inteligência,
energias e sentimentos?
E o próprio Espiritismo não usa
símbolos? Abra-se O Livro dos Espíritos,
página XLI dos comentários
iniciais e teremos a resposta; e nas
atividades do Plano Espiritual Superior
o símbolo é comum e qualquer
vidente sabe disso porque os vê.
9) A prece cantada dos aprendizes
foi introduzida com que sentido?

R – O fundamental nas aulas
da Escola não está nas noções
que se dão de conhecimentos
histórico-religiosos, que são simplesmente
complementares, mas
na parte religiosa, consubstanciada
na reforma íntima e essa parte,
para ser proveitosa, exige um
ambiente claro, harmonioso, de
vibração elevada, que resulte em
euforia, bem-estar, enlevo. A prece
cantada concorre grandemente a
formar esse ambiente e estabelecer
ligações estreitas, sintônicas,
com os espíritos instrutores e a
assistência de desencarnados,
sempre numerosa.
Suprima-se esse recurso espiritualizante
e o que sobra será
frieza, vazio; não tocará o coração
nem infl uenciará o espírito, a
não ser que haja grande capacidade
por parte dos dirigentes de
provocar esse desprendimento
espiritual como preces comuns,
falas; mas a experiência de muitos
anos mostrou que esta possibilidade
é muito rara…
Já dissemos atrás que há confrades
que combatem a prece,
não gostam de músicas nos trabalhos
espirituais, isolando-se desta
forma, do Plano Espiritual onde
tudo é luz, som, colorido e beleza.

A Escola fornece orientação e auxílio espiritual nessa luta edificante de auto-purificação, inteiramente a cargo
do aprendiz, mas não oferece facilidades, porque nesse esforço sacrificial que forma discípulos, não pode haver acomodações, transigências íntimas, protelações, fugas

10) Cte. dentro das necessidades
de hoje, com os recursos
da imagem e do som, com as
dificuldades de tempo e espaço,
com a vertiginosa velocidade
que tudo desenvolve, como o sr.
estruturaria uma nova Escola de
Aprendizes do Evangelho a ser
difundida no mundo?
R – Cada trabalhador recebe
das mãos do Mestre as tarefas
que lhe são distribuídas e por
elas responde. A realização proposta
deve caber a tarifários mais
jovens, inteligentes, capazes,
fi sicamente fortes e, sobretudo,
idealistas, para realizá-la.
O que porém neste caso recomendaríamos
é que se apressem,
porque o tempo urge, tem sido
muito malbaratado e as forças

desagregadoras do mal, não perdem
e se infiltram nos redutos
aparentemente mais resguardados,
quando desmerecem de
cobertura espiritual elevada e pura.
Coube-nos, na devida oportunidade,
a realização que foi efetivada e, apesar da velocidade dos acontecimentos atuais que
obriga a readaptações constantes,
continuamos a crer que um sistema
estritamente tecnológico não
oferece bons resultados no campo
das atividades essencialmente religiosas
que visam o bem universal.
O êxito de uma escola deste
tipo não se subordina a teorizações
e sofisticações da moderna
ciência materialista, enquanto
que se satisfazem muito bem
os aprendizes com a preparação
que a Escola oferece para
amadurecimento e expansão de
sentimentos e ideal evangélico,
com base no amor aos semelhantes;
isso requer estímulos
espirituais que só uma ideologia
de fortes raízes morais e psíquicas
pode proporcionar. O desenvolvimento
espiritual da alma humana
neste estágio, repetimos, é de sentido essencialmente religioso e não intelectual.
O desenvolvimento do intelecto humano é fruto da evolução, mas quando bloqueia ou se sobrepõe aos valores legítimos inerentes ao espírito, torna-se indesejável e pernicioso; e desse
intelectualismo frio e cerebral
(repetindo o refrão popular) o
“inferno” está forrado e só se
livram dele aqueles, melhor inspirados,
que em tempo se voltam
para as realizações eternas do
campo evangélico.
11) Os graus de aprendiz, servidor
e discípulo, que as Escolas
adotam, têm objetivo puramente
didático ou seguem uma orientação
iniciativa ocultista?
R – Não há nada oculto no
espiritismo, que é doutrina racional
e religião realizadora do amor
e da paz. Os três graus instruídos
do início expressam as realizações
morais progressivas da iniciação
no campo interno, com vistas à
vivência do Evangelho, conquanto
concorram também a efeitos
didáticos na metodologia escolar.
Não há nenhuma ligação
ou dependência iniciática, com
organismos estranhos à doutrina;
o termo “iniciação” não deve ser
“tabu”: é simplesmente terminologia
gramatical de nossa língua.
E ao encerrar quero chamar
a atenção dos confrades líderes
e dirigentes, para expansão
notável da Umbanda e do materialismo
em nosso País, onde
43% da população é formada de
jovens de menos de 14 anos, que
precisam ser orientados espiritualmente;
e não será com fi losofi as
somente…

Paina 07

Como será a próxima geração de
espíritas?

O futuro pertence aos jovens. O caminho natural é que a geração atual seja sucedida
pela próxima em todas
as atividades do mundo, inclusive, na seara espírita. Às lideranças espíritas ou mesmo àqueles que são pais, tios, avôs, cabe deixar um legado que inspire os jovens a abraçar a doutrina
espírita.

Ser um exemplo é importante,
mas precisamos ir além.
Precisamos nos abrir para realmente
buscar entender essa
nova geração e nos adaptarmos
para atrair cada vez mais
jovens para o Espiritismo.
Mas como será a próxima
geração de espíritas? Esse foi
o tema de uma das lives no
YouTube da Aliança, realizada
por Eduardo Miyashiro, este
ano. Antes de discutir o que
vem pela frente, ele relembrou
como as gerações atuais chegaram
ao Espiritismo.
Geração de 1940 a 1960
Muitos dos que hoje têm
entre 60 e 80 anos, encontraram
o Espiritismo por meio da
literatura. Além da popularização
dos livros de Allan Kardec,
foi uma época de grande produção
de obras psicografadas
no Brasil.
Mas também é comum
ouvir relatos de quem encontrou
o espiritismo por
“indicação”. Muitos foram convidados
a conhecer um centro
espírita por conhecidos que
já eram frequentadores ou se
inspiraram em exemplos que
ganharam a mídia, como o
próprio Chico Xavier.
Geração de 1960 a 1980
Além de ainda encontrar
inspiração na literatura e no
exemplo de seus precursores,
os espíritas que hoje têm por
volta de 40 a 60 anos fazem
parte de uma geração que fez
cursos nos centros espíritas. A
Aliança e diversas outras frentes
do movimento espírita se

organizaram para promover
cursos básicos, de Médiuns,
estudos de livros, etc.
Foi nessa época também
que as palestras ganharam
força. Grandes oradores espíritas
como Divaldo e Raul
Teixeira viajaram pelo Brasil
para espalhar sua palavra de
luz, em um tempo que ainda
não tinha YouTube.
Geração de 1980 a 2000
Os que hoje têm entre 20
e 40 anos já fazem parte de
uma geração que encontrou
o Espiritismo pela internet.
A literatura espírita ganhou
alcance com o livro digital. As
palestras estão disponíveis
para quem quiser ver no You-
Tube. Há diversos blogs e sites
espíritas com conteúdo relevante.
E como serão as próximas
gerações?
A geração que nasceu no
terceiro milênio já encontrou
a internet muito mais desenvolvida.
Se em um primeiro
momento o internauta era
mais “passivo” e apenas consumia
informações online de
fontes mais institucionalizadas,
agora ele também produz
conteúdo e acessa informações
de múltiplas fontes.
Esse é um primeiro ponto:
o jovem está nas redes sociais.
Precisamos aprender a falar
com eles no seu “habitat”.
Mas não é só criar um
perfil no TikTok. A comunicação
digital é um passo
importante, mas precisamos
compreender a nova geração
para conseguir incluí-los no
movimento espírita.

As tendências comportamentais
mostram que o jovem é cada vez mais resistente
à imposição de “padrões” sociais. Eles querem mais inclusão, mais diversidade, liberdade de ser o que quiser. É a exteriorização
do livre arbítrio.

As tendências comportamentais
mostram que o jovem é cada
vez mais resistente
à imposição de
“padrões” sociais. Eles
querem mais inclusão,
mais diversidade,
liberdade de ser o que
quiser. É a exteriorização
do livre arbítrio.
Proponho uma
reflexão: será que o
jovem se sente em casa no
centro espírita? Ou ele se
sente uma espécie de “turista”
ou “visita” na casa de outros?
O que podemos fazer
AGORA
Chegou a hora de nos
livrarmos de qualquer preconceito
para receber a juventude.
Quanto mais o jovem participar
das atividades do centro
espírita, mais os jovens que
chegam para “conhecer” o
centro se sentirão em casa.
Na sua live, Miyashiro propõe
que os dirigentes de
centro espírita convidem a
Mocidade para opinar não
somente sobre as atividades
da Mocidade, mas sobre tudo
que envolve o centro espírita.
É um exercício para observar o
entorno sob a ótica do jovem.
Todo esse processo deve
ser visto não como um fardo,
mas como motivo de alegria.
A sucessão de gerações não é
abrupta. O novo e o velho convivem,
trocam experiências e
trabalham juntos.
Cada um de nós é o presente,
o passado e o futuro. O
velho de hoje será o jovem de
amanhã. Estará de volta reencarnado
em outro corpo, com
uma nova missão, seguindo o
curso natural da sua jornada
evolutiva. Que o nosso legado
ajude as próximas gerações
(e a nós mesmos no futuro) a
transformar o mundo em um
lugar melhor.

Marina Gazzoni é
voluntária em O Trevo e no
Centro Espírita Mensageiros
de Paz e Esperança (Cempe)

Paina 08

Evangelização infantil: um novo
olhar para situações desafiadoras

Quando a equipe de
apoio iniciou a revisão
do livro Curso de Preparação
para Evangelizadores
da Infância, a partir da solicitação
das regionais, o capítulo 8
tornou-se o foco principal, que
tinha por título: Crianças com
Comportamentos Especiais /
As Chamadas “Crianças-Problema”.
Após estudos e diálogos,
ficou estabelecido que o foco
não é a criança, mas os comportamentos.
Pode haver
comportamentos desafiadores
em quaisquer grupos. Foi
assim que o capítulo passou
a chamar-se Atitudes desafiadoras
em sala de aula.
A parte do capítulo que tratava
das crianças pobres foi
suprimida. A pobreza material
é uma das condições de vida
que o espírito pode apresentar
e, assim como a riqueza,
tem seus desafios na evolução
espiritual. Podemos encontrar
dificuldades para evangelizar
tanto crianças ricas quanto
pobres.
Outro ponto importante a
ser destacado diz respeito à
agressividade, talvez o comportamento
mais desafiador
para a maioria dos que se
voluntariam na Evangelização
Infantil. Buscamos destacar
que a agressividade faz parte
do ser humano, muitas vezes
uma forma de comunicar que
algo não vai bem, um pedido
de socorro.
As sugestões propostas
envolvem o cuidado de não
levar para o lado pessoal, não
rotular, vigiar a reforma íntima.
Trabalhar os sentimentos,
oferecendo outro repertório
de reações para as crianças.
Um ponto alto para a reflexão
diz respeito à diferença entre
punição e sanção.
No tópico referente às deficiências,
buscamos destacar
as questões 132 e 383, de O
Livro dos Espíritos, concluindo
que todos os espíritos encarnam
para aprender, e é na

infância que tudo é mais fácil.
Uma forma didática de
compreender melhor é “separar”
a pessoa de sua condição.
A vantagem dessa separação
está em compreender que
a pessoa é um espírito em
evolução, dotado de todas as
perfeições divinas, potenciais
ou desenvolvidas. Ela é digna
de tudo: amor, suporte, adaptações,
amor, amor, amor,
independentemente de qualquer
condição. Ela está nesta
encarnação para aprender,
para evoluir. E a nossa missão
é auxiliar uns aos outros nesse
processo de evoluir.
Para tanto é necessário
presumir capacidades, sempre.
Deus não seria justo se
tivesse dado ao Espírito o
direito de reencarnar para
evoluir sem dotá-lo de capacidades
para tanto.

Deus não seria justo
se tivesse dado ao
Espírito o direito de
reencarnar para
evoluir sem dotá-lo
de capacidades
para tanto

As condições são a forma, o
canal de expressão, de contato
com o mundo e com todos.
A condição da pessoa
pode nos nortear para encontrarmos
a melhor forma de
auxiliá-la em sua evolução
espiritual. Pensando na deficiência
de modo relacional,
lembramos que a inclusão se
faz com a diminuição das barreiras
que impedem a pessoa
de participar da sociedade
em igualdade de condições. A
condição não faz a pessoa ser
melhor ou pior, mais merecedora
ou menos.
Ainda neste tópico, foi
necessário alterar o uso da
palavra “especial”, presente
na antiga versão do capítulo.
Muitas vezes usada com o
objetivo de não ofender, ou

ao se juntarem ao movimento
da Mocidade Espírita, só vai
contribuir para que façam
um melhor trabalho com as
turmas que vão conduzir.
Orientações e dicas
Para isso, estamos incluindo
no futuro programa as mais
variadas orientações e dicas,
utilizando nossa experiência
de voluntariado ao longo de
tantos anos. Mesmo assim,
continuamos garantindo
espaço para a criatividade e
flexibilidade na condução das
aulas e das turmas.
Quantos não foram os
exemplos que Jesus nos deu de
que as diferenças individuais
não nos diferenciavam para
ele, mas sim os nossos atos.
Esperamos que esse nosso
trabalho no futuro programa
contribua para reavivar
(ou plantar) essas lições
nos corações e mentes de
quem puder ser tocado pela
Mocidade Espírita da Aliança.

Edgar Refinetti é
voluntário de revisão do
programa de Mocidade – SP
Centro

Paina 09

Paina 10

Paina 11

Paina 12

Sumário

Apresentando a edição
Desafi os e oportunidades de viver em Aliança
O papel do líder espírita e a necessidade de renovação
Como o CEAE Manchester-Nice formou novos diretores
Autoliderança, base para o aperfeiçoamento do ser
Livraria da Aliança, uma história de conteúdo
Aliança verde: um chamado à sustentabilidade
Êxodo na Ucrânia: tão longe, tão perto
Caminhos de libertação

Missão da Aliança

Efetivar o ideal de Vivência do Espiritismo Religioso por meio de programas de trabalho, estudo e fraternidade para o Bem da Humanidade.

O TREVO

Setembro/Outubro de 2023 – Ano L • Aliança Espírita
Evangélica – Órgão de Divulgação da Fraternidade
dos Discípulos de Jesus – Difusão do Espiritismo
Religioso • Diretor-geral da Aliança: Luiz Carlos Amaro•Jornalista responsável: Marina Gazzoni • Projeto
Gráfico – Editoração: Marina Quicussi, Editorial Aliança• Conselho editorial: César Augusto Milani Castro, Cida
Vasconcelos, Denis Orth, Eduardo Miyashiro, Elizabeth
Bastos, Fernanda N. Saraiva, Julio Cesar Silva Gama,
Maria José Ribeiro, Mauro Iwanow Cianciarullo, Rejane
Petrokas e Renata Pires. • Colaboraram nesta edição:
Elisâ ngela Sampaio, Flá via Matos, Lisane Prado de
Carvalho, Luan Moreira, Marcelo de Andrade, Miriam
Gomes, Paulo do Amaral Avelino, Rogé rio Chelucci,
Suiang Guerreiro e Vera Peres • Redação: Rua
Humaitá, 569 – Bela Vista – São Paulo/SP – CEP 01321-
010 – Telefone (11) 3105-5894 • Informações para Curso
Básico de Espiritismo e Projeto Paulo de Tarso: 3105-
5894 (WhatsApp) • CVV 188.

Pagina 02

Apresentando a edição

Aedição de
Setembro/
Outubro de 2023
foi elaborada em parceria
com a Diretoria da Aliança
e tem como tema central
a necessidade de união de
esforços e superação de
diferenças para a vivência
em aliança.
No Editorial, o Diretor-
-Geral da Aliança, Luiz
Amaro, lembra as
vantagens em trabalhar de
forma unida e padronizada
ao longo dos 50 anos da

instituição. Ele também
aponta um problema
que precisa ser superado
e uma oportunidade de
expansão do movimento
nos próximos anos.
Nos artigos de capa
desta edição, o leitor
encontrará refl exões
sobre a necessidade
de desenvolver novas
lideranças espíritas e um
caso de sucesso do CEAE
Manchester-Nice, que
conseguiu renovar 80% de
sua diretoria.

Voltamos nosso olhar
para o futuro em um
artigo sobre o papel
da casa espírita na
promoção de ações de
sustentabilidade.
E relembramos
o passado em um
artigo que traz uma
retrospectiva histórica da
Livraria da Aliança, além
de explicações sobre
como funciona essa frente
de trabalho.

Há ainda histórias inspiradoras. Em um texto sobre autoliderança, Paulo do Amaral Avelino conta como viu um trabalhador desenvolver sua própria mediunidade com persistência. E você também poderá
se inspirar na história da brasileira expatriada na Alemanha que abrigou refugiados ucranianos na
sua casa.
Estreamos nesta edição a seção “Vale a pena ler de novo”, com textos antigos que ainda são atuais. O primeiro a ser publicado é uma crônica de Valentim Lorenzetti sobre as três fases da evolução cultural da humanidade: obediência, vivência e
esclarecimento.
Na página de notas, você fi cará informado sobre os eventos da
Aliança. E esta edição se encerra com o belíssimo poema “Eu Aprendi”. Boa leitura!


Equipe O Trevo

Pagina 03

Desafios e oportunidades de viver
em Aliança

Unindo esforços,
superando diferenças.
O tema desta edição
de O Trevo é um convite à
reflexão sobre o que significa
viver em aliança.
A Aliança Espírita
Evangélica é uma inspiração
dos espíritos superiores, um
projeto divino, com missão
especial no Espiritismo. É uma
união de esforços por um
mesmo ideal.
Unir esforços é uma
expressão das mais sublimes
e elevadas. Ao unir esforços,
somamos forças para
seguirmos juntos na mesma
direção. Unidos temos mais
êxito do que sozinhos.
Participo de atividades na
Aliança desde 1986, quando
ingressei na 6ª turma de EAE
no Grupo Espírita Reencontro,
em Mauá (SP). Acredito que
a forma de trabalhar em
colegiado é um dos nossos
grandes acertos.
Nos debruçamos em
grupos sobre os desafios e
estudamos soluções para
superá-los. Essas soluções são
padronizadas e aplicadas nos
diferentes centros espíritas
integrados à Aliança.
A nossa experiência de 50
anos mostra que o sistema
padronizado e integrado dá
certo. Afinal, muitos desafios se
repetem em diferentes casas
espíritas e frentes de trabalho.
Desta forma, nenhuma casa
está sozinha para lidar com
suas dificuldades.
Devemos seguir com
essa premissa de união e
padronização, mas precisamos
nos manter atentos às
diferenças. Todo padrão
permite pequenas variações
que podem ser feitas para se
adequar a certas condições,
como, por exemplo, a
quantidade mínima e máxima
de voluntários, o tempo
mínimo e máximo de certas
atividades.
Além de superar as
diferenças no dia a dia,

cada equipe precisa
constantemente reavaliar
sua atuação. Nem todos os
desafios estão superados. O
mundo está em constante
transformação e novas
necessidades – e também
oportunidades – surgem
de tempos em tempos no
movimento espírita.
Uma necessidade
urgente: superar a pandemia

Uma necessidade que
temos neste momento
é deixar para trás a
pandemia. Houve uma
desmobilização em algumas
frentes de trabalho nos
últimos anos devido às
questões de isolamento
social. A sociedade já
voltou à normalidade, mas
diversas atividades nos
centros espíritas ainda não
se restabeleceram. Esse
é um desafio que ainda
precisamos superar.

O formato mais
desejável para o trabalho
espiritual é a liderança
servidora. Nesse caso,

o líder está a serviço do
grupo

A volta às atividades
presenciais não quer dizer
que vamos abandonar
avanços que conquistamos
nos últimos anos com o
uso de ferramentas digitais.
Pelo contrário: essas
iniciativas só trouxeram luz
às oportunidades que estão à
nossa frente para melhorar a
divulgação do Espiritismo.
Uma oportunidade:
melhorar nossa divulgação

Existem inúmeras
oportunidades de melhorar a
nossa comunicação dentro e
fora da Aliança.
Na Aliança, temos equipes
de apoio bem engajadas
e organizadas discutindo
diversas iniciativas na seara

Foto: Engin Akyurt/Unsplash

do bem. Mas essas iniciativas
ainda são pouco conhecidas
até mesmo dentro da Aliança.
Um dos motivos para essa
falta de divulgação é a própria
humildade dos trabalhadores.
Aprendemos a não nos
vangloriar das nossas ações.
Precisamos agora entender
que divulgar nossos trabalhos
não é “contar vantagem”. É
espalhar a Boa Nova, como
Discípulos de Jesus que
somos. É levar sementes para
germinar em outros solos.
Há espaço para ampliar
e melhorar a nossa
comunicação dentro da
própria Aliança: nos grupos de
trabalho, nas regionais e nos
centros espíritas.
Mas não devemos nos
restringir à nossa própria
comunidade. A Aliança
não pode ser uma ilha. Ela
precisa se voltar para fora,
divulgando seu ideal para o
maior número de pessoas
que conseguir alcançar.
O Trevo precisa de mais
leitores. Nossas lives no
canal da Aliança no YouTube
precisam de mais acessos.
Não à toa a última aula
da Escola de Aprendizes do
Evangelho é justamente sobre
“os problemas na propagação
do Espiritismo”.
Paulo de Tarso precisou
percorrer o mundo para
espalhar a mensagem de
Cristo. Imagine o que ele faria
se tivesse acesso à internet, ao
YouTube e ao Instagram?
O desafio de espalhar o
ideal da Aliança é grande. Mas
a oportunidade também.
Que possamos estar à
altura desta tarefa.
Luiz Amaro é Diretor-
-Geral da Aliança

Pagina 04

O papel do líder espírita e a necessidade de renovação

Omundo corporativo está
cheio de histórias de
sucesso de empresas que
se tornaram negócios gigantes
guiadas por excelentes líderes.
Não à toa o tema liderança é tão
estudado e tem tantos livros na
lista de best sellers.
Não é diferente na seara
espiritual. Quase todas as principais
religiões do mundo foram criadas
a partir da orientação de grandes
líderes, como Jesus, Moisés, Maomé
e Sidarta Gautama (Buda).
Imagine o poder de liderança
de Moisés para conseguir
convencer cerca de 600 mil
hebreus a cruzar o Mar Vermelho
em busca da Terra Prometida!
Apesar de sua incontestável
força, eles não agiram sozinhos.
Jesus contou com os apóstolos
para escreverem e divulgarem seus
ensinamentos. Sem esse trabalho,
talvez a mensagem do Evangelho
se perdesse ao longo de gerações.
A própria Codificação Espírita
foi um trabalho em grupo, que
contou com médiuns e estudiosos
encarnados, além de uma equipe
espiritual. A liderança de Allan
Kardec garantiu o uso de um
método científico para captar
os ensinamentos do Espírito da
Verdade. Isso foi essencial para
dar credibilidade ao Livro dos
Espíritos.
Não tenho a pretensão de
comparar qualquer um de nós a
esses espíritos iluminados. Mas é
fato que onde há um trabalho a
ser executado, surge um líder. O
desenvolvimento de lideranças
espíritas é, portanto, essencial para
melhorar e viabilizar novas frentes
de ação.
Qual é o papel do líder espírita?
Em uma live realizada no
YouTube da Aliança, Eduardo
Miyashiro discutiu “Os desafios de
formação de novas lideranças da
Aliança”. A seguir, trago algumas
reflexões feitas por ele.
Um dos maiores entraves é

a própria dificuldade dos líderes
atuais em “passar o bastão”. A
renovação deve ser um processo
natural em qualquer organização,
com fins materiais ou espirituais.
O mundo está em evolução e todo
trabalho precisa de mudanças de
tempos em tempos.
Um dos primeiros passos é
saber delegar. É comum que os
dirigentes se sobrecarreguem
com atividades, às vezes por falta
de quem faça e às vezes por não
confiarem na execução da tarefa
por outras pessoas. O líder precisa
aprender a buscar colaboradores,
identificar talentos, treinar, motivar
e repassar tarefas. Se não está
fazendo isso, há um problema.

O formato mais desejável
para o trabalho espiritual
é a liderança servidora. É a
ampliação da consciência
de dever.

O estilo de liderança varia
conforme a pessoa e as próprias
circunstâncias. É preciso ser mais
diretivo para orientar um “novato”.
Mas nem sempre a premissa “chefe
manda e todo mundo obedece”
faz sentido. O líder pode discutir
caminhos com o grupo, ou até dar
total autonomia para os liderados
decidirem como proceder.
O formato mais desejável para
o trabalho espiritual é a liderança
servidora. Nesse caso, o líder está
a serviço do grupo. Servir é uma
honra, nunca um demérito. Ele
entende que o grupo e o trabalho
são mais importantes do que a sua
própria posição. É a ampliação da
consciência de dever.
O desafio da sucessão
O bom líder sabe que precisa
preparar um sucessor. Quanto mais
centralizador ele for, mais difícil
será substituí-lo. O ideal é que ele
vá repassando as tarefas ao grupo

preparado para substituí-lo.
O líder que deixa o cargo segue
como servidor de Cristo. Ele está à
disposição para ajudar seu sucessor
quando for chamado. Cargos não
deveriam ter importância. Todo o
foco deve ser no trabalho edificante
e no compromisso de cada um com
sua evolução espiritual.
Muitos dirigentes de centro
espírita ou de grupos de trabalho,
no entanto, alegam que não
conseguem repassar sua função
porque não há quem assuma.
Nem sempre a sucessão é
natural. Às vezes, ela precisa
ser provocada. Nesses casos, é
preciso desenvolver um olhar para
identificar potenciais, abrir espaço
para receber sugestões, fazer
convites ativos à tarefa e se cercar
de pessoas que pensam diferente.
Há uma necessidade gritante
de envolver o jovem no movimento
espírita. As reflexões sobre
renovação devem naturalmente
envolver os mais jovens e a
Mocidade, de modo que os grupos
possam desfrutar, ao mesmo
tempo, de ideias inovadoras dos
mais novos e da experiência dos
mais antigos.
Por fim, deixo o convite para
assistir à live completa no canal da
Aliança. No vídeo, Miyashiro dá dicas
de ações práticas para formar novas
lideranças.

Marina Gazzoni é voluntária
em O Trevo e no Centro Espírita
Mensageiros de Paz e Esperança
(Cempe)

Pagina 05

Como o CEAE Manchester-Nice formou novos diretores

Não é de hoje que observamos
que as casas espíritas sofrem
com o “branqueamento
dos cabelos” dos seus dirigentes.
Em nossas duas casas espíritas,
o CEAE Manchester e o Centro E. Irmã Nice, que são administrados
pela mesma equipe gestora, este problema também ocorre.
Renovar as lideranças e as equipes de gestão das casas espíritas nunca foi uma tarefa fácil e, com a pandemia, se agravou ainda mais.
Os motivos dessa falta de renovação são diversos: medo
do desafio, falta de tempo,
desinteresse pelas questões
administrativas, ausência de
programas de preparação e
formação de gestores e líderes dentro das casas espíritas ou
simplesmente porque os mais
antigos “não largam o osso” e não dão espaço e oportunidade aos
mais jovens.
Seja qual for o motivo, há muito tempo a falta de renovação é um impeditivo à modernização, ao
desenvolvimento e à ampliação do
movimento espírita.
Essa crise de renovação das lideranças espíritas se agravou ainda mais com a pandemia e
pudemos sentir na pele seus impactos dentro do CEAE Manchester-Nice nos últimos anos.
Em 2019, já estávamos
preocupados com a dificuldade
em renovar as lideranças. Por
isso, naquela época, criamos um projeto que recebeu o nome de
“Renovação”. O plano era realizar encontros com voluntários para
debater e propor soluções aos desafios que enfrentávamos no dia a dia das nossas duas casas espíritas.
Tivemos o primeiro encontro em
dezembro de 2019 e foi um sucesso,
com cerca de 45 voluntários
comparecendo. Esperávamos que,
ao longo do tempo, formássemos
novos líderes e assim poderíamos
mudar toda a diretoria nas eleições
de setembro de 2021 com os participantes deste programa.
Porém, no início de 2020, a covid-19 mudou o mundo e mudou nossos planos.
Em abril de 2023, tentando

correr contra o tempo na
busca por renovar as equipes
de liderança das nossas casas,
iniciamos um curso intitulado
Formação de Líderes Espíritas.
O curso visou a duas coisas:

1 despertar o desejo nos mais
novos de casa para se engajarem
na direção de trabalhos e na
administração das nossas casas;

2 prepará-los com fundamentação
teórica e prática quanto aos
conceitos e técnicas de liderança.
O convite foi feito a todos os
voluntários e alunos das nossas
casas e estipulamos duas condições
para participarem do curso:

1 ter o desejo verdadeiro de
colaborar na seara do Cristo através
da gestão e liderança em nossas
casas espíritas;

2 entender que as casas
espíritas são feitas de pessoas,
portanto amar as pessoas que
frequentam nossos centros
espíritas e desejar servi-las através
da liderança e gestão.

Uma casa espírita
saudável é aquela que
tem Jesus como seu verdadeiro líder, que os cargos valem menos do
que o compromisso em servir e que as decisões são tomadas em conjunto.

Para nossa alegria, 45 pessoas se inscreveram e 31 foram até o fim
do curso. Realizamos seis encontros com 3 horas de duração cada um.
Tivemos aulas com professores
convidados de cursos de MBA em gestão e liderança. Convidamos
consultores do mercado
corporativo para falar sobre gestão, planejamento e liderança.
Convidamos um dos fundadores
do CEAE Manchester para contar
a história das nossas instituições e
nossos trabalhos sociais. E também
trouxemos membros da atual diretoria para explicar o que eles
fazem em suas funções.
Ao longo do curso, tivemos aulas
específicas dos seguintes temas:

• História das nossas casas e

nossos projetos sociais;

• Liderança servidora e liderança transformacional;

• Liderança situacional e perfil
comportamental do líder;

• Gestão de conflitos;

• Inteligência socioemocional
nas relações humanas;

• Comunicação não violenta e
comunicação assertiva;

• Técnicas de negociação e
argumentação persuasiva;

• Técnicas de feedback;

• Gestão financeira e formas de
realizar levantamento de fundos;

• Responsabilidades
administrativas e legais dos
gestores espíritas;

• Planejamento estratégico;

• Resiliência e propósito de vida.

O resultado desse esforço
foi que no dia 19/08/2023, em
reunião de decisão de mudança
de diretoria, tivemos a presença
de 50 voluntários interessados em
cooperar de alguma forma com
a nova diretoria que assumiu em
setembro de 2023.
Saímos dessa reunião com toda
a nova estrutura e membros da
diretoria definida. Criamos grupos de
trabalho e grupos de apoio com cerca
de quatro pessoas em cada grupo
para cuidar de cada departamento e
apoiar os novos diretores.
Tivemos a renovação de cerca
de 80% dos cargos de direção com
os antigos diretores substituídos
por voluntários que fizeram o
curso de formação de lideranças.
É claro que a antiga equipe
gestora continuará atuando na casa
como voluntários à disposição para
apoiar os novos dirigentes quando
forem requisitados. Afinal de contas,
uma casa espírita saudável é aquela
que tem Jesus como seu verdadeiro
líder; que os cargos valem menos
do que o compromisso em servir;
que as decisões são tomadas em
conjunto, de forma colegiada, sem
imposição ou autoritarismo e que
o amor e o respeito são os maiores
balizadores das relações humanas.
Encerro este texto com os
dizeres que uso há mais de 20
anos nos cursos de formação
de voluntários. Usei-os também
no encerramento dessa última
reunião que mencionei aqui:

Os três maiores patrimônios
desta casa espírita são:

• As pessoas que aqui
frequentam;

• Os ensinamentos do Cristo e
da Doutrina Espírita;

• O amor fraterno que Jesus
nos ensinou a ter uns pelos outros.
Cuidemos de preservá-los.


Rogério Chelucci é voluntário
do CEAE Manchester-Nice

Pagina 06

Autoliderança, base para o aperfeiçoamento do ser

… E a grande multidão o ouvia
com prazer. (Marcos 12:37) Nessa passagem do
evangelho de Marcos,
o apóstolo fala sobre
como as pessoas ouviam e
sentiam Jesus: com gosto,
com satisfação, com enlevo e
esperança, pois muito além das
palavras e ensinos, a beleza,
a simplicidade, a bondade, a
sabedoria que aquele homem
trazia era o testemunho vivo de
futuro para cada ser humano,
implicitamente demonstrando
que aquela “majestade
espiritual” é atingível.


Adelio cursara a Escola de
Aprendizes do Evangelho (EAE)
com bom aproveitamento.
35 anos de profissão de
marceneiro, arrimo de família
desde os 15 anos de idade, não
teve muito acesso à escola
formal. No entanto, dedicava
seu tempo livre às leituras em
geral. Foi assim que chegou ao
livro espírita, à doutrina espírita,
à EAE e ao Curso de Médiuns.
Neste último, embora toda
a sua disciplina, zero faltas,
e aplicação nos estudos e
exercícios, não lhe foi possível
perceber e manifestar qualquer
traço de mediunidade. Fazia
um trocadilho dizendo que se
os companheiros eram uma
janela aberta ao plano espiritual
ele era uma Porta Fechada, e se
dizia “O Porta”.
Ainda que nos vários
exames espirituais se
indicasse que ele não tinha
nenhum compromisso com a
mediunidade ou aptidão para

ela, Adelio elegeu como campo
de trabalho a sustentação
da câmera de P3-B. E assim
por mais de cinco anos ficou
na corrente do passe, em

vibrações de sustentação,
para milhares de assistidos
encarnados e desencarnados.

A autoliderança é uma
base fundamental
do aperfeiçoamento
dos indivíduos e, por
consequência, de nossas
instituições, de nossa
Aliança

Até que, em um belo dia,
durante o trabalho, uma
médium disse: “Adelio, estou
vendo junto ao senhor um
irmão desencarnado que
diz querer falar por seu
intermédio… os mentores dizem

• se entregue.” As expressões
do desencantado fluíram e,
desde esse dia, a psicofonia
passou a ser uma de suas
potencialidades manifesta.
Os cinco anos de “O Porta
Trancada” haviam ficado para
trás e um novo capítulo ele
começou a escrever no grupo
mediúnico, mais pleno e feliz.


Notem que, a par das
“crenças” e “evidências”
externas, Adelio, crendo em si
e perseverando, superou seus
limites. Até mesmo os físicos,
pois a psicofonia requer “plugs”
físicos-etéricos, e alcançou na
mediunidade novo patamar de
recursos evolutivos.

Trago este caso de minha
vivência nas lides espiritistas
como um, entre milhares
de exemplos de expansão
de potencialidades que
testemunhei. Pessoas que,
iluminadas pelos princípios
estruturais do Espiritismo e,
inspiradas em Jesus, tomaram a
iniciativa de melhoria da vida.

Classifico esses casos como
autoliderança, onde o indivíduo
assume a responsabilidade
pelo seu destino. Sem dúvida,
a liderança é um valor
inestimável nas relações,
nas instituições, nas equipes
de trabalho, todavia, o
produto de um grupo de
pessoas será sempre a
soma ou multiplicação das
capacidades dos indivíduos
que o compõem, catalisadas e
dinamizadas pelo líder.
O Mestre Jesus já nos disse:
“Vós sois o sal da Terra”, “Vós
sois a luz do mundo”, “Vós sois
deuses”, nos afirmando que
todos trazemos o germe da
autoiluminação, que fomos
criados com essa luz interna de
potenciais divinos.
Cabe-nos desenvolver
nossas potencialidades pela
autoliderança:

1 quando reconheço esses
potenciais divinos em mim;

2 quando acredito que
posso desenvolver essas
capacidades;

3 quando me envolvo nos
meios que me permitam
manifestá-las;

4 quando busco e persevero
em sua manifestação.
Então, queridos irmãos e
irmãs em Aliança, no anelo
por expansão de nosso movimento, busquemos o
trabalho em equipe, valorizemos e promovamos a liderança, mas atentemos para a autoliderança como base fundamental do perfeiçoamento dos indivíduos e, por consequência, de
nossas instituições, de
nossa Aliança.


Paulo do Amaral Avelino é
coordenador do
Falando ao Coração e
do Projeto André Luiz

Pagina 07

Livraria da Aliança, uma história de conteúdo

Quem já esteve na
Livraria da Aliança,
hoje localizada na rua
Major Diogo, 511, em São Paulo,
pôde perceber um retrato feito
à mão da imagem de Chico
Xavier logo atrás do balcão de
atendimento.

Se for bastante curioso,
notará ainda uma dedicatória
do próprio Chico pelo Dia das
Mães datada de 13 de maio
de 1962. O mais interessante
ainda é que o irmão de Chico,
chamado André Luis Xavier,
trabalhou na Livraria nos
primórdios da mesma. Não por
acaso, o nome daquele famoso
médico que escreveu Nosso Lar
e toda coleção que o sucedeu
– A Vida no Mundo Espiritual
– famosíssima e repleta de
ensinamentos através da
mediunidade de Chico Xavier é
omesmo.

A história nos conta que
Chico insistiu em saber o
nome do espírito médico que
construía a obra, mas esse
espírito, querendo permanecer

anônimo, perguntou então
quem era aquela pessoa que
estava dormindo ao lado de
Chico no quarto e adotou como
pseudônimo para seus livros o
mesmo nome de seu irmão…

Hoje, a distribuidora é o
carro-chefe do trabalho
editorial e ela tem no
catálogo cerca de 7.000
livros

A livraria teve início por
volta de 1970, quando a editora
Edicel a abrigou na esquina
da rua Maria Paula, ficando
nesse local como ponto de
difusão por muito tempo. Foi
então que nos anos 80 veio
para frente do CEAE Genebra,
onde a Aliança, recém-fundada,
trazia inúmeros centros
interessados em abastecer suas
pequenas livrarias com as obras
disponíveis. Ficou nesse local
por uns 10 anos e o movimento
era suficiente para manter o
CEAE Genebra, apoiar a Casa
Francisca Julia e também a
Casa das Crianças em São José
dos Campos.
Já na década de 1990, a
livraria floresceu e, nos anos
2000, fundou-se a FAE –
Fraternidade Assistencial
Esperança – que absorveu
essa livraria, retornando a
sua origem, na sede da rua
Genebra, próximo à rua Maria
Paula. Funcionou por mais uns
10 anos a todo vapor, chegando
a ter 12 funcionários e jovens
aprendizes performando
um movimento grandioso
de divulgação das obras da
Doutrina e especialmente
das obras recém-editadas de
Edgard Armond, com o que
a editora Aliança despontava
nessa época.
Porém, a concorrência se
acirrou no mercado editorial,
os estoques enormes já não
eram viáveis, e houve então
uma mudança significativa na
dinâmica editorial, passando a

distribuidora a ser o carro-chefe
desse empreendimento. Sim,
podemos dizer que se trata
de um empreendimento do
despertar da alma, por que não?
Para o leitor entender um
pouco mais como funciona
uma estrutura de divulgação
de um livro, é bom lembrar
que um autor que produz
uma obra busca uma editora
para resguardar seus direitos.
A editora, então, transforma a
ideia do autor em um produto
chamado livro e se associa a
uma distribuidora que colocará
esse produto nos mecanismos
de venda, que podem ser
físicos, como uma livraria, ou
virtuais, como o site da livraria
da Aliança. São os canais de
venda que colocam a obra à
disposição do leitor final.
Destaca-se que a Aliança
atua em todas estas frentes,
disponibilizando também
diversos livros de outras
editoras, ainda que os
livros próprios da Aliança,
principalmente as obras
de Armond, sustentem os
programas da instituição.
Hoje, a distribuidora é o
carro-chefe desse trabalho
e ela tem no catálogo cerca
de 7.000 livros. Os principais
livros em venda de Armond
são O Redentor, a trilogia
Exilados de Capela, Na Cortina
do Tempo, Almas Afins e as
obras Mediunidade e Passes e
Radiações.
Na foto a seguir, está a área
da distribuidora, em prédio
próprio, onde também fica a
editora, logo atrás da livraria, no
endereço atual na Bela Vista,
em São Paulo.
As dificuldades inerentes
aos negócios, aos desafios de
gerir um empreendimento sem
fins lucrativos num mercado
em constante modificação,
estão direcionando os próximos
passos para a venda on-line,
com a utilização de outras
plataformas, como a Amazon.
Durante as nossas conversas

Pagina 08

que os livros de Chico Xavier são editados e vendidos principalmente pela FEB, CEU,
IDEAL, CEC e GEEM.
Para entender a real magnitude da contribuição de Armond para o movimento
espírita, sugere-se a leitura do livro No Tempo do Comandante, de Edelso da Silva Junior, que detalha minuciosamente este trabalho.
Fica aqui nosso agradecimento às inúmeras
almas abençoadas que se dedicaram e dedicam nas livrarias, na editora e na
distribuidora da Aliança para manter viva a chama deste caminho de conhecimento que é o livro e, sobretudo, o livro espírita, uma luz para todas as mentes dispostas a compreensão maior.

para a elaboração deste artigo,
vimos que a história da livraria,
da editora e da distribuidora
se misturam com a própria
história da Aliança. E um
acontecimento interessante
foi lembrado, conforme
descrevemos a seguir:
Ivanira dos Santos Julio
(Dona Nira), diretora de
Assistência Social da FEESP,
organizava caravanas para
Uberaba. Numa dessas visitas,

Chico disse para ela que não era
necessário vir tão longe uma
vez que em São Paulo havia
Edgard Armond.
Certamente tratam-se de
duas almas que se dedicaram
a promover o entendimento
maior do Espiritismo, seja
através do exemplo, de livros,
da Escola de Aprendizes
do Evangelho ou ainda da
organização dos atendimentos
mediúnicos. Lembramos

Colaboraram para este
texto Eduardo Miyashiro,
Lisane Prado de Carvalho,
Mauro Iwanow, Renata Pires e
Vera Peres

A @aliancalivraria
atualmente conta com mais de
1.800 seguidores no Instagram.
Siga você também!

Pagina 09

Aliança verde: um chamado à sustentabilidade

A questão da
sustentabilidade é
urgente no momento
em que estamos vivendo
uma transição planetária. A
necessidade de cuidarmos do
nosso planeta ficou ainda mais
evidente após a pandemia. Não
há tempo para esperar.
Mas como essa
preocupação requer mudar
hábitos e sair da nossa zona
de conforto, permanecemos
inertes, mesmo com tanta
informação. Não podemos nos
iludir: nós e as futuras gerações
seremos atingidos pelas
atitudes de agora.
E não devemos nos esquecer
de que precisamos entrar pela
“porta estreita, pois larga é a
porta e amplo é o caminho que
leva à perdição” (Mateus, 7:13-14).
André Trigueiro, no seu livro
Espiritismo e Ecologia, traz
no capítulo “Enquanto isso,
nos centros espíritas” algumas
sugestões para as casas espíritas
serem sustentáveis. Compilei
algumas dicas práticas para
as casas e seus voluntários,
alunos e assistidos, lembrando
que com as nossas mudanças
passamos a ser exemplo para
quem convive conosco.

Casas espíritas

• Fazer reciclagem do lixo
(separação do lixo limpo e
orgânico);

• ser ponto de coleta de
óleo, pilhas, lixo eletrônico e
remédios, encaminhando para a destinação específica;

• incentivar o uso pessoal
de garrafas;

• comprar copos
biodegradáveis ou de papel;

• falar da importância
da preservação do meio
ambiente nas aulas da escola,
evangelização, pré e mocidade;

• trocar lâmpadas;

• fazer eventos sem plásticos
e com opção vegetariana

Não podemos nos iludir:
nós e as futuras gerações
seremos atingidos pelas
atitudes de agora

Voluntários, alunos e
assistidos

• Refletir sobre qual a sua
pegada ecológica no planeta;

reduzir o seu lixo (separar
o lixo limpo para reciclagem e
fazer a compostagem do lixo
orgânico);

• reduzir a utilização do

plástico, material que fica 400
anos na natureza, virando
microplástico e causando mal
para a vida e saúde de animais e
humanos;

• utilizar os 3R’s da ecologia:
reduzir, reutilizar e reciclar;

• economizar os recursos
naturais;

• fazer o consumo consciente
(utilizar marcas comprometidas
com a sustentabilidade e o bem-
-estar humano e animal);

• ser minimalista e
desapegado (comprar apenas
o necessário, sem desperdício, e
doar o que não utiliza mais);

• reduzir a carne vermelha
e, se possível financeiramente,
comprar produtos orgânicos,
evitando o uso de agrotóxicos.
Se você ou sua casa
espírita já fazem alguma
dessas atitudes, ou tem
outras sugestões para dar,
escreva para Flávia, no e-mail
[email protected],
com relatos e fotos das suas
ações.


Flávia Matos é voluntária do
Geae/Razin Santos/SP

Pagina 10

Êxodo na Ucrânia: tão longe, tão perto

Até o fechamento desta
edição de O Trevo,
mais de 6 milhões de
pessoas deixaram a Ucrânia
desde o início do conflito com
a Rússia, em fevereiro de 2022,
de acordo com estatísticas do
Alto Comissariado das Nações
Unidas para Refugiados
(ACNUR). Esse número se
aproxima da população total
do Estado do Rio de Janeiro,
por exemplo.
Outra agência
internacional, o Alto
Comissariado para Direitos
Humanos (ACNUDH)
registrava, no mesmo período,
mais de 8 mil mortos e 14
mil feridos no país invadido.
De acordo com autoridades
locais, a guerra teria provocado
um prejuízo de mais de US$
550 bilhões desde fevereiro
de 2022, ou seja, um estrago
duas vezes superior ao PIB
ucraniano de 2021. Os danos
à infraestrutura e a perda
de crescimento econômico
equivaleriam a quase R$ 3
trilhões. Como comparação, o
Brasil contabilizou um PIB de
R$ 9,9 trilhões no ano passado.
São números catastróficos.
E ainda assim não fazem
justiça aos dramas vividos
por essas pessoas. Elas foram
obrigadas a desertar de sua
terra natal, escorraçadas por
bombardeios, granadas e
rajadas de metralhadoras
disparadas por soldados
que, se não fosse por uma
mera questão geopolítica,
poderiam facilmente ser
tratados por irmãos em
virtude dos laços étnicos e
culturais entre os dois povos.
Como em toda guerra, a
maior vítima é a população
civil. A destruição, aliada
às condições precárias de
sobrevivência, forçaram
aproximadamente 6 milhões
de pessoas a deixarem seus
lares e, em muitos casos,
seus entes queridos para
trás. Dentre esses imigrantes

involuntários, cerca de
1 milhão de ucranianos
rumaram para a Alemanha
em busca de proteção.
A cerca de 1,8 mil km
do epicentro das batalhas
está situada uma pequena
cidade chamada Erbach
im Odenwald. O município
lembra um cenário de
conto de fadas, abençoado
com florestas e riachos nas
redondezas.
Uma de suas moradoras
é Liana Schmidt, 50, paulista
de Taubaté (SP) e radicada
na Alemanha há mais de
30 anos. Ela acompanhava
com apreensão o conflito
pela mídia. No entanto, seu
papel perante esta tragédia
humanitária mudou de
telespectadora à agente de
transformação em minutos.
Seu filho, Raphael, 26, ligou
para ela em um certo dia de
fevereiro de 2022 sugerindo
à mãe abrigar refugiados da
Ucrânia em sua residência.

“Ajudar exige muita
paciência, muito amor
e muita dedicação para
conquistar a confiança
e conseguir de alguma
forma encaminhar as
pessoas para o caminho
que desejam em um país
estranho”

O conflito tinha chegado
também à sua cidade.
A situação desses
refugiados calou fundo em
sua alma e despertou antigas
memórias da família. “Meus
avós paternos foram para o
Brasil em 1955, pouco tempo
depois da Segunda Guerra
Mundial”, recorda. Como um
rastro de pólvora, a sugestão
de acolher os sem-teto da
guerra também contagiou a
irmã e a mãe de Liana.
A decisão estava tomada.
Fora da caridade não há
salvação.

Liana, que nasceu em um
berço espírita, aos 19 anos
fez o caminho reverso dos
seus ancestrais e mudou-se
com a família para a Europa.
Atualmente ela frequenta
a Freundeskreis Allan
Kardec (Círculo de Amigos
Allan Kardec, em alemão),
centro espírita baseado em
Frankfurt, distante 90 km de
Erbach im Odenwald. Lá ela
colabora com atividades on-line,
da Escola de Aprendizes do
Evangelho e ministra cursos.
“Conheci a Aliança em 1999
e fui aluna da primeira Escola
de Aprendizes do Evangelho
em Frankfurt”, recorda a
voluntária e ávida leitora de
O Trevo. “Na realidade gosto
de tudo e utilizo diversas
reportagens em algumas
exposições”, explica.
Em sua cidade, as pessoas
interessadas em ajudar os
refugiados do Leste Europeu
precisam se cadastrar
na Prefeitura. “Assim o
fizemos e nos registramos
para receber três pessoas”,
lembra a brasileira.
Na época, só mulheres,
crianças e idosos
tinham permissão para
sair da Ucrânia. Esses
imigrantes eram acolhidos
primeiramente em casas
de famílias ou abrigos
específicos, sem qualquer
apoio governamental.
Depois de toda papelada
encaminhada e documentos
de permanência provisória
em mãos, as pessoas
eram acomodadas em
apartamentos.
Muitas pessoas alugaram
suas casas para a Prefeitura.
Os imigrantes foram
registrados como refugiados
e, após muita burocracia,
recebiam ajuda do governo
– um salário mínimo até
conseguirem um emprego.
Auxílio para o aluguel e
alimentação proveniente
de doações faziam parte

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do “pacote de benefícios”.
Também podiam frequentar
um curso de alemão
subsidiado pelo governo.
Cumpridas as formalidades,
Liana recebeu em sua
residência duas famílias entre
março e junho de 2022. Sua
irmã cedeu o quarto para
uma mãe com um casal de
filhos adolescentes e passou a
“morar” na sala. Outro casal de
idosos ocupou outro cômodo.
“E quando esses cinco se
mudaram, recebemos mais
uma mãe com uma filha préadolescente
e um cachorrinho
bulldog”, conta ela.
Refugiados podem
carregar consigo diversas
sequelas. Os traumas
podem ser físicos, mas
em muitos casos afetam
também a saúde mental
das pessoas. Liana conta
que seus hóspedes tinham
pesadelos frequentes ou
sentiam medo se algum
avião barulhento voasse
mais baixo. Também eram
assombrados pela dúvida.
Temiam pelos familiares
idosos e doentes que não
puderam acompanhá-los e
pelos pais e parceiros que não
puderam deixar o país.
A ajuda humanitária
fez diferença na vida
desses indivíduos. Um
dos hóspedes idosos
era cardiopata e com
ajuda dos voluntários
conseguiu se estabelecer

na cidade e receber os
remédios necessários ao
seu tratamento. Uma das
famílias mudou para as
imediações de Stuttgart,
em Baden-Würthemberg.
O padrasto da menina
conseguiu vir para a
Alemanha e o grupo está
reunido.
Já a mãe com os dois
jovens retornou para a
Ucrânia. A filha queria dar
continuidade ao curso de
alemão na Universidade de
Darmstadt, mas no final
das contas também optou
por acompanhar a mãe.
“Ainda temos contato. Eles
vivem em uma cidade que
é alvo de bombardeios. Há
dias que não há água nem
luz. O menino frequenta
quando possível a escola
profissionalizante. Mãe e
filha estão trabalhando”,
relata Liana.
Para Liana, a experiência
de abrigar os refugiados
foi ímpar. Conquistar a
confiança de pessoas
estranhas, sem ter o domínio
do idioma, foi um desafio à
parte, mesmo com o auxílio
da tecnologia. “O tradutor do
Google não é 100%”, explica.
“Foi muito difícil convencê-los
de que queríamos ajudar e
não explorá-los”.
Na opinião dela, ajudar
foi muito gratificante,
mas também demanda
sacrifícios. “Isso exige muita

paciência, muito amor
e muita dedicação para
conquistar a confiança e
conseguir de alguma forma
encaminhar as pessoas para
o caminho que desejam em
um país estranho para elas.”
No momento, Liana
não tem intenção de
receber mais ucranianos. A
Prefeitura local não solicita
mais apoio humanitário para
os habitantes, e a burocracia
para receber refugiados está
mais rigorosa.
O impasse que deflagrou
a guerra ainda está longe de
ter uma saída diplomática.
Porém, se o conflito escalar
novamente e houver nova
fuga massiva de imigrantes
da zona de conflito, Liana
afirma que sua casa estará de
portas abertas novamente.
Enquanto o mundo
torce por um desfecho
pacífico para essa disputa
fronteiriça entre Ucrânia
e Rússia, a iniciativa da
família de Liana Schmidt
mostra que ninguém é uma
ilha. Estender a mão ao
próximo em dificuldades,
independente de sua origem,
conforme pregava um certo
“refugiado” há mais de 2 mil
anos, é ainda um dos atos
mais nobres que separa a
Humanidade da barbárie.

Marcelo de Andrade é
voluntário na Casa Espírita
Evangelho e Amor (CEEA) e
Fraternidade Cristã

A família de Liana Schmidt (da esq. para dir.): Raphael, Liana, Aziza, Aurea e Isis.

Pagina 12

Caminhos de libertação: mandar, viver, compreender

Para o estudioso das ideias
religiosas que não se
prender somente à letra dos
ensinamentos, não será muito
difícil tirar conclusões de grande
proveito para a compreensão dos
acontecimentos da atualidade.
Justamente por não terem
compreendido o Espírito desses
ensinamentos é que muitas
religiões, ou seitas, estão em
decadência ou em descrédito;
permaneceram com a forma e
hoje tem em mãos apenas uma
casca oca.
Vejamos, por exemplo, o tão
decantado problema da falta
de diálogo entre as gerações;
da irreverência dos jovens e
da intolerância dos adultos.
Vamos começar por onde
começava nossa formação
cultural religiosa: do Mosaísmo.
De Moisés herdamos os Dez
Mandamentos, que, queiramos
ou não, fazem parte de nosso
“eu”, são o nosso freio interior e
a base de todas as leis civis da
civilização atual. Moisés mandava
e exigia ser obedecido. Embora
os Dez Mandamentos sejam de
origem divina (sua durabilidade e
universalidade comprovam essa
origem), uma obra mediúnica,
grande parte das leis ditadas
por Moisés era de sua própria
autoria. Mas, o legislador hebreu,
para incutir respeito e temor ao
povo, dizia ser Deus o autor de
todas as suas leis; precisava impor
autoridade a todo custo para
manter unido todo o povo.
Moisés, portanto, ensinou a
obediência, a disciplina. Lidou
com a infância da humanidade,
da qual se fez condutor. Mas
não exemplificou seus próprios
ensinamentos. O exemplo, o
cumprimento da Lei, foi efetivado
por Jesus. Foi o Mestre que, através
do perdão, da tolerância e da
compreensão, deu testemunho
dos estatutos divinos implantados
por Moisés.
Temos, então, duas fases do
progresso humano: da obediência
e da vivência. Moisés e Jesus.
Entretanto, como o próprio
Jesus disse aos Apóstolos, muita
informação ele deixaria de
fornecer à humanidade na época
de sua passagem pela terra, há
quase dois mil anos. Porque
a humanidade não estava no
nível de compreensão de muitas
verdades; era necessário ainda
muitos anos de progresso, de lutas
e sofrimentos.
A era da compreensão, do
esclarecimento, chegou com o

uma doutrina ou ensinamento
baseado no raciocínio de um só
homem, mas fundamentada
na universalidade do ensino
dos Espíritos superiores, que
se comunicavam em várias
partes do mundo, através de
médiuns diversos, transmitindo
mensagens com a mesma
essência. Ensinamentos que
foram analisados e codificados por
Allan Kardec – um homem que se
preocupava com as explicações
lógicas de uma série de
fenômenos materiais inexplicados
pela ciência oficial.

Obediência, vivência
e esclarecimento
são as três fases da
evolução cultural da
humanidade. Moisés,
Jesus e Espiritismo
são seus três
representantes

Seguindo a linha de
nosso raciocínio, temos: era
da obediência, da vivência
e do esclarecimento. Pois, a
sabedoria divina não poderia
deixar o homem sofrer sem lhe
proporcionar uma explicação
para o seu sofrimento. Vivência
esclarecida será muito melhor
aproveitada do que vivência cega.
Uma vida com finalidade clara e
definida será vivida com muito
mais resignação e alegria do que
uma vida em que não se visa a um
objetivo, um alvo.
O choque das gerações advém
justamente da incompreensão
dessas três fases da evolução
cultural da humanidade. E da
incompreensão dos postulados
espíritas pela maioria dos homens.
A grande maioria ainda está na
fase mosaica: mandar ou obedecer.
E acreditamos que há muito
mais gente querendo mandar.
Referimo-nos indistintamente a
jovens e velhos, pois nada adianta
ser jovem em idade se nossa
mente permanece na fase mosaica
da evolução humana.
A grande maioria dos homens
ainda não compreendeu que,
para mandar, é preciso saber
exemplificar. Para exemplificar é
preciso compreender. O pai gostaria
que o filho agisse honestamente,
quando na realidade ele, pai, não
age honestamente com quem de
direito. Isto é, quer mandar, mas
não testemunhar. E há os que
pretendem ter ingressado na era

da vivência, da exemplificação,
mas vivem amargurados com a
própria situação. Estes infelizmente
estacionaram no exemplo e
não buscaram explicações.
Não procuraram as razões da
exemplificação. Vivem como
mártires, quando, na realidade,
deveriam viver como felizes
devedores, a quem foi dada a grande
oportunidade de saldar as dívidas.
Estamos, portanto, na era
do esclarecimento. Do saber
porque obedecer e para que
exemplificar. Embora contra
a vontade da grande maioria,
estamos nessa era. E quanto mais
insistamos em não reconhecê-la,
mais ela nos oprimirá. É como
um lago cuja nascente faz brotar
água incessantemente; se não
providenciarmos um sulco
para canalizar a água, o lago
transbordará e causará grandes
estragos nas terras vizinhas. A
era do esclarecimento exige
esclarecimento; se continuarmos
nos opondo à ordem natural do
progresso, mantendo-nos na era
mosaica, seremos fatalmente
envolvidos por acontecimentos
bastante desagradáveis.
Obediência, vivência e
esclarecimento – as três fases da
evolução cultural da humanidade.
Moisés, Jesus e Espiritismo,
são seus três representantes. A
humanidade sofredora – a grande
massa estacionada na primeira
fase. Aos espíritas, portanto, cabe
a tarefa de exemplificar com
raciocínio claro. E com humildade,
pois sabe o espírita que será maior
no plano espiritual aquele que
mais servir a seu semelhante.

Texto de Valentim Lorenzetti,
do livro Caminhos de Libertação,
capítulo 47 – Editora Aliança

Pagina 13

O propósito no trabalho da Mocidade

Todos os anos, os voluntários
da Mocidade reservam um fi nal
de semana para se encontrar e
aprender juntos. Neste ano, o nosso
Encontro de Voluntários foi nos dias
1 e 2 de Julho. O tema trabalhado
foi “O Brilho da Jornada”, em que
falamos sobre qual é o propósito
que nos move neste ideal.
Todos nós, que escolhemos
permanecer no Espiritismo, seja
buscando alento ou oferecendo
trabalho, já fomos tocados por
pessoas que passaram em
nossas vidas. Exemplos que nos
inspiraram a buscar a nossa
religiosidade ou a ajudar o
nosso próximo. A partir dessa
ideia, resgatamos o propósito
relembrando o passado,
rememorando quem nos motivou
a estar aqui hoje. Já pensaram
quem foram essas pessoas na vida
de vocês?
Além disso, falar de propósito
também é refl eMocidade ou nas outras
tarefas que virão. Lembremos que
mesmo os seguidores do Mestre

falharam em alguns momentos,
eles duvidaram e cometeram erros,
por isso, mesmo que ainda sejamos
imperfeitos ou falhemos vez ou
outra, sempre temos algo para
oferecer ou com o que contribuir.

As refl exões foram muito bem
recebidas e o encontro foi ótimo
para reacender a chama do ideal
e para cativar os trabalhadores!
Mas também tivemos outras
novidades que valem a pena ser
compartilhadas.
Pela primeira vez, tivemos
a presença de representantes
das Mocidades da Federação
Espírita do Estado de São Paulo,
da União das Sociedades Espíritas
e da União Fraternal! Foi uma
primeira tentativa de unirmos
nossos encontros de trabalhadores

e a troca de experiências foi
ótima. Fizemos três salas de
debates com a participação das
outras bandeiras: “Diferenças e
Semelhanças entre Nós”, “Como
realizar a Semana da Juventude
Espírita no seu centro” e “Os
desafi os atuais da Mocidade
Espírita”. Quem participou adorou!
Também fi zemos salas
com outros temas, como
sustentabilidade no dia a dia, o uso
da música na evangelização, como
ter uma comunicação acolhedora
com os jovens e como nossa
alimentação é importante para
o equilíbrio físico e espiritual. As
experiências foram diversas e todos
se divertiram muito!
A próxima tarefa que se
aproxima será o Encontro Geral de
Mocidades de 2024, que também
promete ser incrível. Por isso, se
você gostou do voluntários cada vez mais
comprometidos com a causa.

Luan Moreira
Casa de Caridade Espiritual
Redenção – Regional SP Sul

Gratidão pelo 16º Encontro de Evangelizadores

O 16º Encontro de
Evangelizadores, realizado
em 27 de agosto de 2023, na
cidade de Limeira (SP), foi muito
especial. Recebemos muitos
feedbacks, dentre eles, este, da
coordenadora de Evangelização
Infantil da Regional SP Norte,
que demonstra a importância
dos Encontros como meio de
confraternizar para melhor servir:

“Acordei com uma dor, uma
sensação de fracasso. Mas em

cada detalhe do encontro de
Evangelizadorescada detalhe do encontro de
Evangelizadorescada detalhe do encontro de
Evangelizadores

fui revendo
minha postura e sentimentos,
mudanças que vou precisar fazer
e ações no intento de reconhecer
os componentes da equipe
que já está formada no Plano
Espiritual e espera a boa vontade
daqui deste lado. Recarreguei
minhas forças e ‘colhi’
informações e recomendações
importantes que irão me ajudar
e muito nesse processo de
paciência, trabalho e renúncia.”

Gratidão a todos que fizeram possível o reencontro
com tantas almas queridas, rostos que saíram
das telas do mundo virtual,
nos cursos e estudos, e que
se humanizaram em abraços
calorosos e cheios de amor e
gratidão. Peço que vibrem por
nossa Regional SP Norte, para
que sejamos todos despertados
aos compromissos nesta imensa
Aliança de amor e fraternidade.
Gratidão mais uma vez…
Gratidão sempre.
Elisângela Sampaio, da
Regional SP Norte

Pagina 14

A Virada Espiritual vem aí

Desde 2019, tem sido
realizado um evento
denominado “Virada
Espiritual – 30 horas de
Amor Fraternal”, promovido
por diversas entidades
do movimento espírita.
Neste ano, gostaríamos
que esta realização adquira
um caráter inter-religioso,
consagrado à união de todos
pela paz.
A proposta é incentivar
todas as pessoas à prática
de atividades criativas e
participativas que possam
multiplicar a paz e a alegria
no mundo, inspirando uma
atitude de convivência alegre

e respeitosa para com todos,
independentemente de sua
convicção religiosa.
Em 2019 e 2022, foram
realizadas muitas ações,
por milhares de voluntários,
conversando, cantando,
tocando músicas, oferecendo
abraços, pintando quadros,
lendo poesias, contando
histórias nas ruas e praças
públicas, ou em várias
instituições. Muitas crianças
e jovens tomaram parte
desse movimento, tudo
com a singela intenção de
melhorar a vida de alguém
que esteja passando,
proporcionando alguns

instantes de convivência
fraterna.
Para este ano, a realização
está marcada para iniciar
às 10h do dia 7 de outubro,
encerrando-se às 16h do dia
seguinte. Durante essas 30
horas, manteremos uma
central de divulgação que
transmitirá as atividades
dos participantes nas redes
sociais, através de um canal
de streaming. Acompanhe!

• O que: Virada Espiritual

• Quando: de 10h de 7 de
outubro a 16h de 8 de outubro

• Onde acompanhar:
Instagram

@viradaespiritual

Censo 2023: chegou a hora de analisar os dados

No mês de julho foi
concluída a captação das
respostas dadas pelos
voluntários da Aliança ao
Censo 2023, que foi lançado
em fevereiro de 2023.
Participaram desta grande
pesquisa mais de 7.300
voluntários no Brasil e no
exterior.

A programação do Censo
2023 entrou na fase de
verifi cação/consistência
dos dados inseridos, que se
seguirá com o tratamento
deles trazendo totalizações e
um elenco de cruzamentos
das informações, para
análise e refl exão de todo o
movimento.

A divulgação desses
resultados deve ocorrer no
mês de novembro de 2023.
A equipe do Censo 2023
agradece a todos que
participaram dessa atividade
inédita, que trará novas
propostas e visões para a
nossa Aliança.

Como o Espiritismo mudou sua vida? Conte a sua história

Cada um de nós tem sua
própria jornada de evolução
espiritual. O que não faltam
são histórias de pessoas que
mudaram de vida depois que
conheceram o Espiritismo.
Uns chegaram por amor,
outros pela dor. Em alguns casos,
começou com apenas uma
curiosidade.
O que mudou na sua vida
depois que você conheceu o
Espiritismo?
O Trevo quer contar sua
história.

50 projetos
No ano em que completa
50 anos, a Aliança lançou o
programa 50 Projetos, que
busca ideias para a renovação do
movimento espírita. A jornalista
Sonia Bramante, do centro
espírita F.E. Estrela da Manhã,
sugeriu que contássemos 50
histórias de como o Espiritismo
mudou vidas.
Como vai funcionar
O Trevo receberá os
depoimentos, fará uma seleção

e publicará alguns deles nos
próximos meses na seção Histórias
Inspiradoras. Além disso, podemos
compilar esses depoimentos em
uma edição especial.
Como enviar sua história
É só escrever para o e-mail
[email protected],
um texto de até 3.000 caracteres.
PS: se tiver outras sugestões
de artigos para O Trevo, fi que
à vontade para nos escrever no
mesmo e-mail.
Equipe O Trevo

Pagina 15

“A sua irritação não solucionará
problema algum”.

Esse tema é algo que trabalho
todos os dias. Quando inicio uma
atividade qualquer e me irrito e não
consigo concluir, então paro, respiro,
bebo água, me acalmo e volto à
atividade. Só assim consigo finalizar
o serviço.

Átila Ângelo da Silva Carvalho – 12ª turma
Centro Espírita Doze Apóstolos
Santo André/SP – Regional ABC

…………………………

“O homem retarda, porém a lei o
impulsiona”.

Por muito tempo falhei, errei,
magoei, não perdoei, andei pelo
caminho onde estava retardando
minha evolução espiritual. Hoje
adquiri conhecimento espiritual
na EAE. Abri meu coração para a
caridade, perdão e o caminho do bem.

Margareth Maacool – 20ª turma
Ohio/EUA Projeto Paulo de Tarso Online Santos/SP – Regional Litoral Centro

…………………………………………………

“Servir com desprendimento, sem
visar retribuições do mundo, é viver
com sabedoria”.

Ainda tenho uma longa estrada
a percorrer quando o tema é
servir. Algumas vezes o faço com
o sentimento de obrigação, outras
reclamando. Me sinto como uma
aluna rebelde ou como professora de
mim mesma.

Gabriela Pacheco – 14ª turma C.E.Irmão de Assis Itatiba/SP – Regional Campina

“Deus é a fonte do bem; o mal é
criação dos homens”.

Deus é perfeição e o mal procede
do homem. Gosto de fazer o bem,
levar boas palavras para quem
necessita, um olhar de respeito e
aprovação. Sejamos mais Deus que
vive em nós e menos homem que é
temporário.

Selma Regina Stoppa Rocha – 32ª turma CEAE Santos
Santos/SP – Regional Litoral Centro

………………………………………………….

“Ajude sem exigências, para
que os outros o auxiliem sem
reclamações”.

Sempre que auxilio alguém
me sinto feliz porque fui útil para
quem estava necessitado de auxílio.
Não devemos esperar retorno ou
agradecimento, pois fazer o bem ao próximo é cumprir nossa missão ao lado de Jesus.

Luiz Carlos F. Mesquita – 20ª turma Casa de Evangelização Espírita Estrada de Damasco
Guarapari/ES – Regional Minas Gerais

……………………………………………

“Toda virtude que se conquista
é uma nova porta que se abre para
um mundo melhor”.

Para mim toda virtude
conquistada é uma nova porta que
se abre para a melhora do meu
mundo interior e também para o
mundo exterior, pois essas virtudes
promovem um crescimento do meu
ser como um todo.

Ítala Rodrigues – 111ª turma
CEAE Manchester
São Paulo/SP – Regional Leste

“Prece das Fraternidades, o que
representa para mim?”.

Representa a Prece da Esperança!
É a proteção que recebemos da
espiritualidade! É o fortalecimento
para que eu não desista do meu
caminho ao lado de Jesus e também
não escolha outro mais fácil.

Daniela Toth – 51ª turma
Casa de Timóteo
Santo André/SP – Regional ABC

………………………………………………….

“O sofrimento é recurso próprio
para o Espírito para evoluir”.

Muito evolui através das dores
e sofrimento. Amadureci, aprendi e
pude ensinar mais. Sinto que meu
espírito se fortaleceu diante das
adversidades. Hoje mais fortalecida
diante das adversidades da vida.
Agradecida!!!

Flávia Aparecida Magossi – 25ª turma C.E. Cairbar Schutel
Americana/SP – Regional Campinas

……………………………………………

“Aliança tem diversas acepções,
porém a mais importante é a
espiritual”.

Com os estudos e o
conhecimento tenho me atentado
cada vez mais para a importância da
Aliança Espiritual. Hoje aprendi que
essa aliança depende mais de mim
e devo me conectar com o plano
espiritual em todos momentos.

Fernanda Gomes Nascimento –
Ohio/EUA Projeto Paulo de Tarso Online São Paulo/SP – Regional São Paulo Norte

Dirigente de EAE, envie-nos, digitado e para o e-mail [email protected], o melhor trecho de
algum tema escrito por seus alunos, informando sempre tema, nome completo do aluno, turma,
nome da casa e regional.

Pagina 16

Eu aprendi…

Nesta bela jornada eu aprendi
que a beleza da vida existe aqui
Compromissos fi rmados no além
Dirige meus passos no caminho do bem

A vida exige renúncia,
que quase nunca é fácil
exige confi ança em Jesus
e nas fraternidades do espaço

Exige humildade e recolhimento,
vencendo a vaidade
para poder colher os frutos
das sementes da caridade

Aprendi sobre energia
e que a vida continua
aprendi que a prece
nossa dor atenua.

Aprendi que não sou pedra,
como antes imaginava
Consegui sentir mudanças
na vibração que me encontrava

Aprendi sobre prece diária
e evangelho no lar
E que fi rmar o pensamento em Jesus
é que irá me salvar


Aprendi que o evangelho do Cristo
é um mapa de amor
capaz de me guiar
por caminhos com menos dor


Aprendi que é meu dever
buscar o caminho da luz
Visto que o despertar espiritual
a este caminho conduz


Buscar o caminho reto,
procurar pela porta estreita
onde não existem só fl ores,
mas removemos os espinhos na colheita


Aprendi que nada é por acaso,
tudo está sob o comando de Jesus
E que a Terra é um orbe escola
que nos ensina a viver na luz


Aqui chegamos com atividades
e quando fi ndadas partimos
retornando para a verdadeira vida
e assim nós prosseguimos.

Aprendi sobre caridade,
a viver para servir
e que solidariedade
nos ajuda a subir


Aprendi que não somos perfeitos
e a importância do autoperdão
e que oscilações vibracionais
não definem o padrão


Aprendi que a espiritualidade
que imaginava longe e distante
Sempre esteve ao meu lado
me sustentando a todo instante


Aprendi a confiar
nos desígnios de Deus
a viver alegremente
a vida que Deus me deu.


Agradeço ao meu mentor
pela bela inspiração
De poder contar em versos
O que trago no coração.


Agradeço à dirigente
e auxiliares da escola
que com amor e paciência
nos guiaram na trajetória


Agradeço aos irmãos e irmãs
alunos como eu
por compartilharem experiências
e opiniões assim como eu


Agradeço ao mentor da turma
e a toda equipe de desencarnados
que guiaram com paciência
nós que estamos deste lado.


Concluo agradecendo a Deus
e ao nosso Senhor Jesus
pelos ensinamentos de amor
que de volta ao Pai nos conduz.

Rodrigo Moreira Silva
28ª turma EAE
CEB Seara de Luz
Regional SP Sul

Pagina 17

Pagina 01

Apresentando a edição

E agora damos as boas vindas à 2ª edição do nosso querido O Trevo em 2023. Ela foi elaborada em parceria com a Equipe Mediunidade, da Aliança Espírita Evangélica.
Os artigos de capa foram concebidos abordando a mediunidade no dia a dia, que conta com a base da prática espírita-cristã, lembrando o termo que Chico Xavier usava. Ou seja, para além do fenômeno, mediunidade é sintonia e prática do Evangelho a todo momento, que nos

facilita as estações dessa sintonia moral.
Importante atentar que os temas trazidos nesta edição orientam no sentido da realização das conexões espirituais por meio, primeiro, do Evangelho no Lar.
Que essa prática possa, efetivamente, nos auxiliar em nosso processo de transformação diária, trazendo conhecimentos sobre a nossa criação e o que devemos fazer para minimizar o refl exo das difi culdades que, todos nós, sem exceção, vivenciamos.

Esse tema serve de alerta em vários aspectos, para enfatizar os cuidados
que devemos ter em relação à prática do
Evangelho, principalmente no que envolve a mediunidade. Mediunidade é orgânica e todos podemos nos utilizar dela no ouvir, no ver, no falar, no pensar e no sentir; seu uso é livre, assim como seu abuso, que sempre nos trará suas consequências.

Pagina 02

O resgate à essência do Cristianismo

Adoutrina espírita veio com a missão principal de resgatar o Cristianismo primitivo, isto é, lembrar a essência do que é ser cristão.
Ao estudar o Evangelho e as literaturas que nos remetem ao primeiro século da Era Cristã, nos
deparamos com a prática do amor, do respeito, da dedicação total ao próximo e da simplicidade, mas
após as perseguições dos cristãos e a transformação do Cristianismo em religião de Estado, aconteceram
modificações que o tornaram irreconhecível.
Refletindo sobre o que é ser cristão, penso que é seguir a Cristo através
dos seus ensinamentos, deixados tanto pelo que disse, mas muito mais pelo que ele fez. Jesus, tendo
sido um rei, permitiu sua condenação com injúrias e
humilhação.


Algumas frases ditas por Jesus a mim guardam um valor especial, como:
“A verdade vos libertará”. Nos colocando como colaboradores da grande missão de resgate das
verdades de Jesus, é perfeitamente possível a nós, cristãos, conhecê-las,
senti-las e aplicá-las. Obviamente, os nossos grupos, assim como os primeiros núcleos cristãos, terão diferenças. Apesar delas, os membros se tratam como iguais: sem hierarquia, com apenas
a liderança reconhecida pela capacidade de amar, praticar os ensinamentos e buscar os bens
imperecíveis do céu entre

os bens da terra.
Acredito serem estas as “linhas mestras” para o verdadeiro cristão.
E imagino que hoje o caminho com o Cristo é muito mais suave, pois
o verdadeiro cristão não é mais pregado na cruz como antigamente. Em vez disso, ele é chamado a não
revidar, a ser ético e firme nas decisões, e aceitar o outro como ele, pregando o Evangelho através de suas ações.
Como nosso irmão mais velho, amigo e mestre disse: “Se queres vir após mim, renuncie a ti mesmo
e siga-me”.
Luiz Amaro é Diretor-geral da Aliança

Pagina 03

Projeto 50 Anos AEE

Jesus, em sua sabedoria humildade, nos demonstrou que fazer o bem à humanidade não
é somente por meio de grandes realizações. As pequenas atitudes e atos também podem contagiar os corações das pessoas.
O amor é tocado por uma simples palavra, com um sorriso ou com a delicadeza de um olhar amigo.
Francisco de Assis, da mesma forma, fez da caridade a sua essência de vida, por diferentes meios, entre eles uma doação, um abraço, um trabalho de auxílio aos necessitados.
Considerando esses exemplos e com os corações repletos de esperança na vontade de trazer ao movimento
da Aliança novos aprendizados, gostaríamos de convidar todos os
voluntários a compartilhar os achados dessas perguntas:
• Como vocês têm
tocado os corações das pessoas?
• Quais são suas
pequenas ou grandes

atitudes que estão fazendo a diferença no seu trabalho voluntário?
• Ou ainda: quais podem ser seus sonhos ou ideais de atividade de amor ao próximo?
Sabemos da importância da nossa história, das nossas raízes, mas também percebemos o quanto é
importante a nossa própria renovação. Que possamos sentir essa vontade de compartilhar nossas atividades, sonhos,

os projetos de bem-estar ao próximo para enriquecer, divulgar, aprender e desenvolver esses trabalhos
na comemoração dos 50 anos da Aliança.
Que esses 50 anos possam ser um momento de novas ideias, novas atividades, novos horizontes para que o nosso movimento possa
continuar crescendo de forma próspera, expansiva e atualizada, de acordo com as nossas necessidades e a de nossos irmãos necessitados.
Que você possa fazer parte desse momento tão importante e que
possamos estar juntos no desenvolvimento, na divulgação e no estímulo a essas atividades.
A comemoração do aniversário de 50 anos da Aliança será em dezembro de 2023. Para celebrarmos com ideias renovadas, deixamos aqui o convite

para quem desejar enviar
sua sugestão.
Período de inscrições:
as propostas serão
recebidas entre 1 fevereiro e
31 de maio de 2023.
Como enviar um
projeto?
É bem simples. São
apenas três passos

1 Acesse o site alianca.org.br e a página 50 anos Clique no link Cadastre seu projeto e registre

2 Pronto, seu projeto já está inscrito. Agora é só aguardar o retorno da nossa equipe! Dúvidas ou sugestões?
Encaminhe um e-mail para [email protected].
Responderemos o mais rápido possível.
Muita luz, paz e que nos mantenhamos unidos pelos laços de amor e de ideal da evolução do ser humano.
Equipe 50 Projetos

Pagina 04

Em uma sociedade democrática, os cidadãos elegem seus representantes para tomar decisões em seu nome. Para isso, realizam fóruns, debates e outras formas de consulta pública. (grupos do movimento daAliança Espírita Evangélica) também escolhem representantes para acompanhar e aperfeiçoar as atividades e os programas de assistência espiritual e de evangelização do ser. Essa escolha ocorre em três níveis: diretoria, coordenadores regionais e casas conselheiras.

Esse grupo se reúne no CGI (Conselho de Grupos Integrados) para tomar as decisões de acordo com os interesses do movimento. É o CGI que observa os programas e a estrutura da Aliança para propor melhorias e montar grupos de trabalhos para desenvolver atualizações que se fizerem necessárias. Veja abaixo a composição atual: O grupo do Projeto EAE/FDJ é uma das equipes de apoio resultantes de decisões do nosso CGI em 2016. Sua dinâmica de trabalho está submetida ao processo de desenvolvimento de atividades sob os seguintes objetivos:

1. Aperfeiçoamento e revisão do Curso Básico de Espiritismo e do programa da EAE (Escola de Aprendizes do Evangelho)

2. Revisão das referências bibliográficas relacionadas aos cursos.

3. Programa de Melhoria de Dirigentes e Expositores 4. Plataforma FDJ e Escola Continuada. é continuamente desenvolvido com o acompanhamento do Plano Espiritual, por meio de verificações periódicas em pontos críticos de fechamento de tarefas. Isso ocorreu, por exemplo, na estruturação das aulas do Curso Básico, depois de concluídas as descrições, quando da execução dos programas-piloto, ao se definir as tarefas de atualização de dirigentes do Programa de Melhorias de Dirigentes e Expositores e outras. As verificações são sempre realizadas em cerca de 8 a 10 diferentes regionais, nos grupos de aprimoramento mediúnico de FDJ. Seus resultados são compilados como orientação de seguimento ou correção de rota dos trabalhos. Levantamentos junto ao movimento também são realizados, por sua vez, por meio das Coordenações de Regional e Coordenações de EAE/FDJ das regionais. Estas, por sua vez, têm o papel de levar as informações às casas e seus coordenadores de cursos, que podem ou não cascatear a informação aos dirigentes, expositores e demais voluntários ligados às escolas. Sempre há um momento para discutir o projeto nas reuniões

de coordenadores nos encontros trimestrais. Por meio desses canais de comunicação mencionados, as informações chegam aos interessados e demais envolvidos nos trabalhos. Mais do que informar sobre os andamentos dos trabalhos, as reuniões são usadas para submeter ao CGI as decisões que cabem a ele. Afinal, o CGI é o órgão decisor das mudanças chave em todos os programas e na estrutura da AEE, designado pelos GAs para tal. Com isso, os resultados do trabalho do Projeto EAE/FDJ são sempre alinhados e de amplo conhecimento de todo o movimento. Vale lembrar que qualquer voluntário da AEE, que seja membro da FDJ e esteja envolvido com o trabalho em EAE, pode ser membro desta equipe. Os nossos desenvolvimentos são publicados no site da AEE no subitem “Equipes de Apoio” e, quando há necessidade de votação pelo CGI, as definições são apresentadas com algumas reuniões de antecedência. Sempre aceitamos sugestões do movimento da AEE com vistas ao aprimoramento desta tarefa de tão imensa responsabilidade. E acreditamos estar seguindo o procedimento de melhor cobertura a todas as instâncias interessadas no projeto. Se você tem algo a colaborar, por favor, não deixe de nos procurar: [email protected] Equipe Projeto EAE/FDJ

Pagina 05

Novidades no movimento da Pré-Mocidade

Ajudar no primeiro O Trevo do bimestre de 2023 foi uma alegria e um prazer enorme.
Ver as atividades, os desenhos e depoimentos dos jovens da Pré-Mocidade foi muito emocionante,
principalmente nos bastidores, enquanto esse trabalho era desenvolvido.
Dessa vez nós retornamos nesta edição para dividir as últimas atualizações sobre a Pré-Mocidade em nosso movimento.
No domingo de 19 de março foi iniciado mais um Curso de Formação de Dirigentes de Pré-Mocidade.
Com mais de 190 inscritos participando de forma
online, a formação desta vez está com uma cara nova. Os encontros passaram a ter 5 aulas online, com cada dia dividido em dois módulos.
Além disso, também tem um adicional: uma aula prática presencial.
Essa aula prática está prevista para o dia 7 de maio e será organizada pelos coordenadores regionais de Pré-Mocidade.
O intuito é complementar o que se aprende nos módulos online e, principalmente, trazer para o presencial a sensação de dirigir uma turma,

simular possíveis desafios, trocar experiências e poder, ainda mais, capacitar nossos futuros dirigentes para uma turminha.Também está a todo vapor o desenvolvimento do livro de aulas para dirigentes de pré-mocidade. Após alguns encontros quinzenais, a equipe finalizou a revisão bibliográfica das aulas
até a de número 48. Esse trabalho visa, futuramente, a publicar em livro essas aulas, revisadas e com
inserção de referências bibliográficas de Edgard Armond. Isso irá municiar os dirigentes de turma um melhor estudo, tornando mais enriquecedoras as informações e ajudando a desenvolver uma melhor aula para os adolescentes.

O desenvolvimento do livro de aulas para dirigentes de Pré- Mocidade está a todo vapor

Por último, mas não menos importante:
viemos convidar todos os dirigentes de Pré-Mocidade, com turmas em andamento ou sem turma, para participarem da nossa ação social que ocorrerá em junho deste ano. Incentivaremos os adolescentes a fazer dobraduras e, dentro delas, colocaremos mensagens aos nossos irmãos e irmãs voluntários da casa espírita.

A ideia é trazer alento, carinho, afeto e amor aos que semanalmente estão em nossas casas servindo e auxiliando o próximo.
Na pandemia, fizemos uma ação social em que os jovens escreveram cartas e mensagens aos médicos, enfermeiros e profissionais da saúde
que, naquele momento, estavam tentando lidar com o coronavírus. Essa ação foi tão linda e tocou tanto os que receberam e participaram da atividade que desejamos repetir esse sucesso nessa atividade
em 2023.
Para participar é só procurar o coordenador de
Pré-Mocidade da Regional ou buscar contato com a equipe de apoio dessa frente.
Equipe de apoio da Pré-Mocidade

Pagina 07

Mediunidade em todo lugar ao mesmo tempo agora

Olivro “Vivência Mediúnica” traz uma abordagem sobre os aspectos práticos do trabalho mediúnico e segue na linha dos livros de Edgard Armond a saber: Mediunidade (1956); Desenvolvimento Mediúnico
(1964) e Prática Mediúnica (2002), de forma bastante didática e prática nos traz experiência e dicas de como
trabalhar habilidades da mediunidade.
A obra integra o Projeto Manoel Philomeno de Miranda, criado em 1990 para dar suporte às atividades
mediúnicas dos centros espíritas e composto por cursos, palestras, encontros e outros livros que integram o conjunto desta obra, a
exemplo dos títulos Reuniões
Mediúnicas e Passes-Aprendendo com os Espíritos.
Publicado pela editora Leal e prefaciado com mensagem recebida de Joanna de Ângelis, nos introduz
conceitos básicos sobre a presença da mediunidade na quase totalidade dos indivíduos e em todo lugar, desvinculada de quaisquer
conquistas morais ou de outra natureza.
Nos sinaliza, entretanto, que “No que tange à conduta espírita, o médium é portador de abençoada
instrumentalidade para autoiluminar-se, promover o progresso da humanidade, desenvolver os valores nobres, consolar e amparar as criaturas atormentadas e sofridas de ambos os planos da vida. Assim o indivíduo
é médium em todos os momentos da existência física, e não apenas
esporadicamente, durante as reuniões (…) que participa.”
Ressalta ainda a

importância da disciplina para a luta pela superação do egoísmo, imputando o mais forte obstáculo como o conjunto das imperfeições do médium e da necessidade de
irrestrita confi ança em Deus.
O livro lembra-nos que o processo de comunicação se dá de perispírito a perispírito e que a educação moral e psíquica concede recursos hábeis para um intercâmbio correto; também que o animismo, caracterizado pelas fi xações mentais, confl itos e hábitos psicológicos do médium, faz parte do processo de desenvolvimento
do mesmo e é ponte para a mediunidade na qual a prática do intercâmbio termina por superar.
Que a qualidade da comunicação mediúnica está sempre a depender dos valores evolutivos do próprio
intermediário e, sobretudo, que a concentração deverá ser conquista de todos, pois dela depende a harmonia dos trabalhos.
Aprendi que a educação na mediunidade não difere dos esforços inerentes a qualquer
processo de aprendizagem, demandando tempo, paciência, perseverança, estudo e muita vontade e ainda necessita de um
organismo sem altas cargas tóxicas, de alimentos ou de emoções. A mediunidade é evolutiva, ou seja, quanto mais estudo e trabalho prático, maior o desenvolvimento e
aprimoramento; quanto mais se serve, melhor médium se é.
Para aquele que não possui mais do que rudimentos de mediunidade,
o livro nos traz a mensagem de esperança de que o viver de uma vida saudável e digna, com exercícios

de autoconhecimento influenciarão o perispírito a ponto de acenderem a mediunidade natural (e não a de provas) para um amanhã de bênçãos.
Finalizo aqui com o trecho:
“O crescimento anímico do ser avivará e multiplicará as possibilidades da mediunidade, reconduzindo-a para um campo de intuição pura…será, contudo, um
campo de intuições mais altas e criativas fechando um ciclo de evolução. Esse ápice será, em verdade, uma síntese anímica-mediúnica em que o homem se
envolverá com a realidade profunda da Essência Divina e se iluminará para exercer a mediunidade gloriosa da ação transformadora. É nesse
sentido que entenderemos a mediunidade de Jesus – Eu e o Pai somos um – como médium de Deus, plenamente ligado à Sua realidade
profunda, cósmica, expressão manifestada do Criador, para se revelar de forma integral entre os homens da retaguarda evolutiva.”

.
Mauro Iwanow Cianciarullo é do CE
Evangelho e Amor/Regional São Paulo Oeste Serviço:
Livro: Vivência Mediúnica
Autores: João Neves, José
Ferraz e Nilo Calazans
Páginas: 96, Editora: Leal

Pagina 08

Mediunidade na minha família

Mediunidade…
algo inerente ao ser humano!
Sendo assim não é uma exclusividade dos espíritas ou do Espiritismo.
Nasci em uma família de umbandistas, minha mãe umbandista com grande potencial mediúnico, minha irmã seguiu os passos dela, mas com uma diferença: desenvolveu a mediunidade com um grande médium e pai de santo Rubens
Saraceni. Escritor de diversos livros teológicos e mediúnicos, possuidor
de uma mediunidade fantástica, dotado de um espírito simples e humilde, trouxe algo que até então não se encontrava facilmente em umbanda:
o desenvolvimento mediúnico do umbandista.
Assim como Edgard Armond trouxe o desenvolvimento mediúnico e o método das cinco fases, trazendo
uma nova fase para o Espiritismo e ensinando que é necessário estudo
e dedicação para um intercâmbio

mais seguro, Rubens trouxe método e técnica para o desenvolvimento
mediúnico dos umbandistas.
Sempre tive grande admiração e respeito pela Umbanda e pelos umbandistas,

assim como nós, espíritas, enfrentamos no surgimento do Espiritismo o preconceito, a perseguição e a ignorância dos que desconheciam os postulados espíritas, os umbandistas enfrentam
grandes desafios e perseguições até os dias de hoje!

Terreiros de umbanda destruídos, mães de santo e pais de santo, bem como filhos de santo perseguidos
por uma ignorância e intolerância religiosa que não podemos admitir! Os cantos, as danças, queima de ervas aromáticas, passes de limpeza, incorporação de guias e as
consultas auxiliam muitos espíritos encarnados e desencarnados.
Nossos irmãos umbandistas fazem
muita caridade através da mediunidade, auxiliando sofredores e doentes que vão até os terreiros de
Umbanda em busca de um

bálsamo, levam também alegria e renovação com suas festas alegres e suas músicas contagiantes, em suas homenagens aos guias e orixás percebemos o potencial mediúnico
de nossos irmãos umbandistas.
Para nós, espíritas, a questão 625 de O Livro dos Espíritos faz todo o sentido: “Qual o espírito mais perfeito que Deus nos enviou para servir de guia e modelo?” E a resposta, a mais curta de toda a
obra: “Jesus”. Rei solar, governador planetário…
Se outras religiões adoram ou cultivam outros santos, guias, orixás ou entidades, nós devemos aceitar e respeitar, sem crítica e sem julgamentos! Afinal, somos todos irmãos, filhos de um mesmo Pai. Nobre é a religião que torna seus adeptos melhores, espalhando
amor, instruindo e fazendo caridade.

.
Ulisses Nascimento atua em diversas casas espíritas na Regional São Paulo Centro

Pagina 08

Evangelho no lar, o que é?

Dizem que problemas e perguntas complexas precisam de soluções e respostas complexas, porém a pergunta de nosso título acima esbanja simplicidade. Tão simples que podemos cair na “tentação” de acreditar que a resposta e sua devida aplicação não mereçam uma maior atenção.
Este texto começou “meio” complexo, não? Pois bem, não vamos nos explicar sobre como fazer o Evangelho no Lar, mas sim o porquê.
Sobre o “como fazer” temos muita informação, durante anos pudemos encontrar um panfleto em que tudo era muito bem detalhado, deixando bem claro como realizar esta importante atividade.
Além disso, muitas equipes de voluntários são formadas para facilitar sua implantação nos lares dos assistidos.
Nos grupos da Aliança tais informações são normalmente ventiladas nos avisos pertinentes no início das preleções e também são muitas as orientações da espiritualidade sobre a importância de se ater ao culto do Evangelho no Lar.
Tal conjunto de informações pode dar a esta importante prática não só a simplicidade, daqual ela está revestida, mas também uma face de “simplismo” que poderá distorcê-la completamente.
Penso que nada poderia deixar tão claro o que é o culto do Evangelho no Lar, como os diálogos de Alcione na obra Renúncia, seja em suas conversas com padre Damiano, bem como no lar onde foi chamada a servir na condição de governanta.
O autor espiritual Emmanuel é muito feliz, pois elege uma família em que os participantes, de alguma maneira, estampam os diferentes


tipos de participantes do Evangelho em nossos lares. Explica em poucas palavras o que normalmente ocorre em nosso dia a dia. A orientação: “Tamanha

A família é o nosso primeiro santuário

era a desdita do casal que o Padre recomendou MAIOR atenção ao culto no Evangelho no Lar” O aprendizado:“Jaques era o único que aproveitava os ensinos de cada noite” A visão do evangelho como uma peça condenatória: “Suzana via em cada palavra uma condenação.”
A indiferença: “Cirilo considerava as sentenças evangélicas como fórmulas convencionais.”
A participação de crianças: ”Beatriz ouvia respeitosamente, sem nada poder assimilar em seu espírito infantil” Toda transcendência
desta atividade nos é apresentada, aí sim, de maneira muito simples e
esclarecedora, por Alcione.
Como indica os trechos abaixo:
“…aconselhados por um sacerdote, deliberamos fundar nossa igreja lareira, por considerar que a família é o nosso primeiro santuário.”
“— Resolução louvável. Minha mãe também sempre me disse que o lar é o nosso templo divino.” Cirilo. “A meu ver, os textos evangélicos constituíam material de análise privativa dos padres, e chegava quase a considerar inútil a leitura isolada das anotações apostólicas.”
Alcione. “… estou certa de que virá o dia em que tomaremos por templo de Deus o mundo inteiro. Mas, em nossa atual condição, não nos custa reconhecer o proveito das igrejas e o
caráter sagrado do culto doméstico.”
“…entrevejo que o lar é o templo mais nobre, porque oferece oportunidade diária de esforço e
adoração.”“Cada borrasca

doméstica é um ensejo para a distribuição de esperança e fé e cada dia afanoso enseja possibilidades de testemunhar confiança em Deus.”
“Acredito que o lar seja o ninho onde o espírito humano cria em si mesmo, as asas da sabedoria e do amor, com que há de conhecer, mais tarde, as sendas divinas do Universo.”
“O culto do evangelho é mensagem de salvação, nunca de tormento, pois o Cristianismo jamais será doutrina de regras implacáveis, mas sim a história e a exemplificação das almas transformadas com Jesus.”
“O ensinamento de Jesus é vibração e vida e muitos procuram, nestas páginas, somente motivos de consolação, esquecendo a essência do ensino.”
“Não devemos acreditar que o Cristo só haja trazido ao mundo a palavra
revigoradora e afetuosa, senão também um roteiro de trabalho, que é preciso conhecer e seguir.” Queridos irmãos, não resta a menor
dúvida que diante de tão esclarecedoras informações, fica difícil não compreender o culto do evangelho no lar senão desta forma libertadora.
Se alguém perguntar o que é o evangelho no lar, talvez não saibamos informar com tanta

clareza e poderemos explicar mais uma vez como fazê-lo e não por que fazê-lo, porém se faz muito necessário transformarmos nossa compreensão e junto com as frases abaixo de nossa querida irmãAlcione, definitivamente compreender que:
“A mensagem do Cristo precisa ser conhecida, meditada, sentida e vivida. Nesta ordem de aquisições, não basta estar informado, mas sim, é preciso agir.”

.
Milton Martins é do Centro Espírita Aurora dos Aprendizes/Regional
São Paulo Oeste

Pagina 09

Vibrações coletivas e das 22h

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, dizia que “Aquele tem um PORQUÊ para viver, pode suportar quase qualquer COMO”.
Muitas pessoas entram em ação, pensando somente em como fazem
as coisas, esquecendo se do porquê devem ou precisam realizá-las.
Durante um certo tempo, a realização da tarefa “suportada” pelo como a realizamos pode até nos satisfazer, porém nunca irá nos realizar, pois sempre carecerão de sentido

Se ficarmos presos ao como realizar, podemos nos tornar reféns da tarefa
e cair na mesmice que massacra e tira o encanto de qualquer realização.
A rotina na realização das tarefas pode fazer com que entremos no
modo “piloto automático” e acabemos em fazer por fazer, o que talvez nos leve até a uma sensação de dever cumprido, porém uma sensação fugaz e jamais um sentido de realização e plenitude.
Contudo, se

entendermos por que fazemos as coisas, as tarefas se enchem de significado e podemos melhorar nossa compreensão, mudando nosso pensar, sentir e agir.

Se entendermos o por que fazemos as coisas, as tarefas se enchem de
significado


Uso todos estes argumentos para falar das vibrações, tanto as coletivas, realizadas todas as quintas feiras às 19h30, como as das 22h, levadas a cabo todos os dias.

Não basta saber como realizá-las, afinal, temos todas as informações
necessárias para tal. É preciso fazer delas nosso PROPÓSITO de vida.
A humanidade, da qual fazemos parte, não está bem. O planeta que
é nossa morada não está bem, por isso temos todos os motivos para
reclamar, maldizer, xingar, se manifestar e até lutar contra isso, mas de que adianta tais atitudes?
Que os nossos motivos para lamentação sejamsubstituídos por metas e virem OBJETIVOS a serem
realizados. Objetivos para mudarmos nosso padrão e contribuir com a melhora da humanidade e do planeta.

Não posso mudar a realidade do mundo, não tenho poder de acabar com as guerras e com todas as iniquidades que se operam no planeta, mas posso mudar a minha história.
Posso mudar meu ponto de vista sabendo POR QUE tarefas tão importantes e significativas (basta
analisar o parecer do doutor Bezerra sobre tal realização) precisam ser realizadas.
Quando se tem um PROPÓSITO, quando este IDEAL está bem enraizado, surgem motivações sem necessidades de forçamentos.
Na agitação da vida moderna, na execução das tarefas mundanas que nos são confiadas, tudo parece conspirar contra a realização destes
empreendimentos de tão elevada natureza.
É aí que nosso PROPÓSITO entra em ação e o PORQUÊ realizarmos essas ações ganham a devida proporção e
magnitude, transformando nosso ser.
É isso que faz a diferença e penso ser isto que Armond quis dizer com
sermos “trabalhadores diferenciados”.
Equipe de Apoio Mediunidade

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Entrevista com Ney Prieto Peres

Tivemos a oportunidade de entrevistar Ney Prieto Peres, aluno da 7ª Turma da EAE na FEESP, que teve aulas com Edgard Armond,
participou da reunião na casa dele quando da fundação da Aliança,
conheceu Chico Xavier, participou de reuniões mediúnicas com Razin
e Bezerra de Menezes.
Atualmente, está fazendo uma reciclagem junto à 19a Turma da EAE da Casa Espírita Evangelho e Amor, da Regional São Paulo Oeste.
A entrevista completa aconteceu em dois encontros e, devido à sua extensão, será apresentada em duas partes, portanto, em duas edições de O Trevo.


Mauro: É um prazer estar aqui com o senhor.
Ney: Estou fazendo uma reciclagem na atividade, eu diria no currículo atual da Escola de Aprendizes
do Evangelho. Eu fiz a

7ª turma, de 1961 a 1963! Isso para mim está sendo muito bom, excelente e naturalmente o ponto
básico é aquele trabalho individual consigo mesmo. Sessenta anos depois e estou, sim, muito motivado.
M: Qual sua idade?
N: Faço 89 anos este ano… Maria Júlia e eu nos casamos em 1965, temos quatro filhos, o mais velho
tem 53 e o mais novo, 50.
Minha esposa e eu, ela também de berço espírita, fazíamos em casa o
evangelho com eles ainda criancinhas.
M: O senhor se considera de qual casa originalmente?
N: Nós iniciamos na Federação Espírita. Atualmente, contribuo
duas vezes por semana na Casa Assistencial São Francisco de Assis. São trabalhos de acolhimento,
daqueles que buscam socorro, no passe de recepção e, por vezes,
na preparação de temas alusivos ao Evangelho, na vivência e na doação, na fluidoterapia.
M: Qual livro indicaria para as pessoas que estão começando no
Espiritismo?

N: Os livros de André Luiz, além do estudo básico através do “Evangelho
Segundo o Espiritismo” – a abordagem como foi elaborada pelo Mestre Kardec é muito importante
– e, lógico, “O Livro dos Espíritos”, que é toda a estrutura do conhecimento obtida no diálogo de
Kardec com os instrutores

espirituais da equipe do Espírito Verdade.
M: Chegou ao Espiritismo na dor ou no amor?
N: O meu Espiritismo foi de garoto, seis ou sete anos, conduzido pela minha mãe, no Recife. Ela buscou
no Espiritismo aquele alívio para as dificuldades que passava relacionadas ao meu pai, que se envolveu um pouco com a bebida.
Alguém deve ter dito algo para ela, a gente morava perto desse centro.
Não posso dizer que fui chamado pela dor, fui conduzido pelo amor de
mamãe. A doutrina espírita me mobilizou e eu diria que a abracei para o resto da minha vida.
M: Qual trabalho lhe trouxe maior satisfação?
N: O trabalho da época em que estava no Obreiros, na região de Embu das Artes (SP). Visitávamos
moradores de rua. Eu ia às terças-feiras à noite, nos reuníamos no centro da cidade, fazíamos a preparação e saíamos levando lanchinho e refresco, visitando aqueles que aos poucos foram se
tornando familiares. Foi um trabalho que mais emocionalmente me gratificou.
M: Seu trabalho na formação da EAE com os grupos de Armond foi
intenso?

N: O “Manual Prático do Espírita” foi o resultado de um momento que nós conversamos com o comandante. Ele era secretário-geral

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da Federação, parecia carrancudo, mas não, o coração dele era maior
que tudo. O amor dele por Jesus, a relação dele com Jesus é um negócio que a gente está longe de alcançar.
Todo esse trabalho das escolas de aprendizes e depois a Fraternidade
dos Discípulos de Jesus e as vibrações às quintasfeiras, isso é um acervo de contribuição muito grande que ele criou. Numa reunião em sua casa, com a incorporação de Dr. Bezerra de Menezes através da sua filha Madalena, em que eu estava presente, a conversa deles tratava de aspectos de trabalho, como melhor fazer. Dr. Bezerra acolhia as ideias do comandante e
trocava ideias com ele.
M: Qual sua mediunidade?

Trabalhou mediunicamente também?
N: Eu não tenho essa mediunidade ostensiva. Tenho um pouco de
percepção e, quando estamos em trabalho, eu sinto a presença, mas
não visualizo nada. Sinto a emoção mudar, ficar mais suave, aquela coisa maravilhosa que você sente
na altura do coração. É uma percepção, digamos, uma mediunidade intuitiva.
M: O senhor conheceu Chico Xavier?
N: Há anos nós íamos com nossos filhos, aos fins de semana, para Uberaba (MG). A doutora Marlene
Nobre1 também ia com os seus filhos. A gente chegava às sextas-feiras e 1 Marlene Nobre era médica, palestrante espírita reconhecida mundialmente, ajudou a fundar a Associação Médico Espírita do Brasil, e ainda escreveu vários livros sobre a doutrina.

dirigia à casa do Chico, que tinha um carinho especial pela minha esposa. Íamos para a Casa da Prece, onde o Chico ia receber [pessoas]. Ele recebia todas as pessoas que chegavam, quase sempre desejando notícias dos filhos falecidos… Era aquela conversa emocionada das
mães pedindo notícia dos filhos. E o Chico respondia – isso eu me lembro, pois escutei dele – “Ah, nós
vamos pedir a Jesus, o telefone toca de lá para cá”.

A gente respira emanação de Deus, nós interagimos com Deus, vivenciada na respiração visualizada. Esse novo ar que respiramos não é apenas o ar, é o ar
e a energia que nos reabastece

Ele ficava horas na madrugada recebendo as mensagens. Depois ia
para aquele salão simples, onde vários companheiros comentavam temas evangélicos. Era um ambiente de estudo, de explicação, aquilo rodava a noite. Quando o Chico saía
lá do quartinho e vinha, aí era aquele suspense.
Na ponta da mesa, ele ia chamando um por um. E ele mesmo é quem lia.
Todo mundo ali na espera da possibilidade de ter sido agraciado com a mensagem recebida pelo
Chico… Essa era a grande expectativa de quem estava ali.
Eu me lembro de um senhor que passou a noite toda ali… ele estava
um pouco impaciente. Conversando um pouco,

ele disse assim: “Eu não sei nem por que estou aqui. Me indicaram pra vir e eu dei o nome da minha esposa.” Ela faleceu nos seus braços e ele estava ali naturalmente na esperança de ter notícias dela. E não
é que o Chico chama o nome dela? E o homem foi lá pra frente pra ouvir a
mensagem… Esse homem se emocionou de tal forma, que mudou totalmente. Essas mensagens eram
direcionadas naturalmente em função do benefício que elas poderiam realizar. A espiritualidade trabalha precisamente.
M: Como é seu dia a dia? Que outros temas o interessam?
N: Às 4:30/5h da manhã, começo com a respiração conduzida e a reativação dos chacras, uma prática
que me foi ensinada pelo ativista quântico Amit Goswani. Ele é de origem indiana, mas hoje vive nos
Estados Unidos, é PhD em física quântica, professor da Universidade de Oregon (EUA), autor de vários livros, um cientista místico. Há uns cinco ou seis anos, fiz uma série de seminários com ele, que nos ensinou essa prática. Eu já conhecia
os chacras do livro “Passes e Radiações”, e Amit fez essa prática conosco e a partir daí eu continuei fazendo, um hábito que mantenho
até hoje. Esse ‘ativismo quântico’, traduzindo, é vivência do evangelho de Jesus. É a mesma coisa.
Conhecendo os livros “Mecanismo da Mediunidade” e “Evolução em Dois Mundos”, de André Luiz, Amit complementa isso de uma maneira
substancial. Ele mostra que

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nós absorvemos o fluido cósmico, o hálito divino, expressões dele, através da respiração, e essa energia, essa força, ela vai se
condensando, conduzida pela corrente sanguínea, no nosso perispírito e através dele a todas as
nossas células.
Então, a gente respira emanação de Deus, nós interagimos com Deus,
vivenciada na respiração visualizada. Esse novo ar que respiramos não é apenas o ar, é o ar e a energia que nos reabastece.
Mentalizando isso, com um pouco de persistência, começamos a entrar num estado de plenitude. Isso me dá calma, condição de suportar as irritações naturais de todo mundo
hoje estressado, e se reflete no ambiente de convivência, no trabalho e, principalmente, no trânsito.
Isso tem uma força indutora, a gente
se percebendo e se trabalhando, então é uma reforma íntima
permanente. Quem me deu essa condição foi naturalmente o Amit. E
complementamos com conhecimento da doutrina espírita, a contribuição de André Luiz é maravilhosa, fundamental!
Neste planeta ainda turbulento, não atingimos certos níveis, mas estamos por atingir, naturalmente
não sem persistência, sem esforço. As EAEs nos dão toda essa estrutura, de você se perceber como é, como age.
Eu não me sinto desgastado pela idade. Na verdade, me sinto muito animado com as oportunidades. Estou

sempre estudando, lendo…
Agora mesmo eu estou lendo um livro de um monge budista vietnamita que é extraordinário: “O
Milagre da Atenção Plena”.
O que é isso? Quando você começa a exercitar a meditação, primeiro
tem que se concentrar na respiração, essa a absorção, essa convivência com o nosso Pai. Tem
que persistir, é para fazer isso com o coração, não desanimar, mas vai
respirando, vai desejando essa calma, essa paz…
Você entra num estado de unidade que Jesus vivia permanentemente quando ele disse: eu e o Pai somos
um. Lógico que a gente está a uma distância cósmica desse estado, mas é possível sentir por momentos esse estado de plenitude, altamente gratificante. Entramos nessas experiências. A EAE permite essa iniciação, o comandante chamava
iniciação espírita, mas é mais do que espírita, é espiritual porque a gente
se inter-relaciona com o divino, essa imensidão cósmica.
Num outro grupo espírita estamos estudando o livro “Amor, Medicina e
Milagres”. É um médico norte-americano, Bernie Siegel, que trata de pacientes com câncer em órgãos muito sensíveis, como pâncreas, fígado, pulmões, que ele considera
cânceres especiais.
Ele estuda pacientes que conseguiram reverter o câncer em seu organismo. Mas Bernie não admite dizer: ‘Você tem seis meses
de vida!’ São pessoas sem

motivação, com perdas emocionais, coisas que derrubam nosso sistema
imunológico. Você não pode se entregar a isso.
É o que a gente estuda aqui na EAE. Superar os remorsos, trabalhar a
tristeza, a gente precisa ser alegre. Por quê? Porque a alegria, a euforia, tem a origem nas endorfinas, que
são neurotransmissores. Essa bagagem contribui para o nosso trabalho. Por isso que eu me encanto com esses assuntos. Meu
filho Julio é neurocientista e está trabalhando nisso, fazendo entrevistas, dando a contribuição dele. E eu sou assim, animado com
tudo isso, esse potencial maravilhoso que a gente tem dentro da gente.


Durante a entrevista, tivemos a percepção de que Ney Prieto conhece Razin de uma encarnação
conjunta na Índia e veio ajudar, junto a Armond, que também encarnou na Índia, e mais um grupo de espíritos na disseminação do espiritismo no Brasil.
Ao comentar isto com ele, recebemos a singela e humilde resposta de um exemplo cristão: “Obrigado pela oportunidade. Me vejo como um Chela, noviço iniciante na Índia. Razin está muito acima da minha estatura.”
O restante da entrevista vem na próxima edição de O Trevo.

.
Entrevista conduzida por Mauro Iwanow Cianciarullo, da Casa Espírita Evangelho e Amor/Regional São Paulo Oeste

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“Toda virtude que se conquista
é uma nova porta que se abre para
um mundo melhor”.

Sendo que toda virtude conquistada é uma porta que se abre para a melhora do mundo interior e exterior. As virtudes conquistadas promovem o meu ser para melhor.

Ítala Rodrigues – 111ª turma CEAE Manchester/SP São Paulo/SP
Regional Leste

**********************************************

“Nas lutas habituais, não exija a
educação do companheiro, demonstre a sua”.

Tenho ciência de que a única pessoa que consigo mudar sou eu, então ao invés de exigir a mudança do outro devo buscar minimizar minhas próprias falhas e com talvez um dia me torne um bom exemplo.

Guilherme Domingos Sacramento – 11ª turma Núcleo Espírita Francisco de Assis Santo André/SP Regional ABC

**************************************************

A vida é mudança; o dia de
amanhã será diferente e marcará
a vitória, se a diferença for para
melhor”.

Tenho procurado estar sempre
em mudança, pois meu foco é evoluir.
A doutrina espírita tem me ensinado
que sou capaz, mas é preciso me
libertar de vícios e defeitos, assim
corrigindo minhas imperfeições.

Keli R. N. Goes – 50ª turma Casa de Timóteo Evangelização e Cultura Espírita Santo André/SP
Regional ABC

“Nas lutas habituais, não exija
a educação do companheiro, demonstre a sua”.

Ao longo de minha vida acabei percebendo que em algumas ocasiões faltei inconscientemente
com a educação. Ao refl etir sobre o
ocorrido tive sentimento de haver
sido desagradável e pretendo não
repetir essa atitude.

Maria Luiza Rosato – 25ª turma Celuca – Campinas/SP Regional Campinas

***************************************************

“Ajude conversando. Uma boa
palavra auxilia sempre”.

Não sei qual motivo, mas as pessoas
me procuram para desabafar sobre
seus problemas. Procuro ser imparcial e usar da empatia, com palavras de conforto e tento mostrar que problemas todos tem em algum momento.

Marcelo Santana – 1ª turma Fraternidade Assistencial e Espírita Discípulos de Jesus Ribeirão Pires/SP Regional ABC

***************************************************

“Lembre-se de que o mal não merece comentário em tempo
algum”.

Já me vi envolvida em comentários
inadequados. Hoje com os ensinamentos da EAE procuro ouvir
mais e falar menos. Mais consciente,
passar apenas o que é útil, sempre
vigiando faz parte do meu crescimento

Miriam Aparecida do Canto

  • Ubatuba/SP Projeto Online – Paulo de Tarso

“O sofrimento é um recurso do próprio Espírito para evoluir

O espiritismo me ensinou a sofrer menos. Hoje sei que nada acontece
por acaso e que a dor faz parte do
meu processo evolutivo e quando
o sofrimento surge procuro elevar
meus pensamentos e peço auxílio ao Alto.

Andreia Miranda – 28ª turma
Fraternidade Espírita Nosso Lar
Belo Horizonte/MG
Regional Minas Gerais

****************************************************

“A fi nalidade da vida é a glorifi cação de Deus nas almas”.

Desde que minha meta de vida é melhorar percebi alguns pequenos
avanços e com isso me sinto mais
próxima de Deus. Me esforço ou me calo quando necessário e assim
prossigo na minha reforma íntima.

Andréia Melin – 34ª turma CEAE Santana São Paulo/SP Região Norte/SP

***************************************************

“O arrependimento é o primeiro
passo para o pagamento de nossas
dívidas”.

Tive uma discussão, porém com o
passar das horas, fi z oração pedindo
orientação, pois estava arrependida.
Ouvi a palavra perdão, fui capaz de
esquecer meu orgulho e perdão com
humildade e arrependimento.

Fraternidade Espírita Estrada de Damasco Belo Horizonte/MG Regional de Minas Gerais

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Crédito: William Farlow – Unsplash

EU SOU O UNIVERSO

Edgard Armond,
suas vidas e infl uência

  • Página 06

Ataques às escolas e o
papel das casas espíritas

  • Página 10

Entrevista: ‘O dia a dia é o
nosso campo de batalha’

  • Página 12

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Apresentando a edição

Crédito: William Farlow – Unsplash

É com grande alegria que apresentamos a edição de Maio- Junho/2023 de O Trevo.
É no mês de maio que celebramos o aniversário
da Escola de Aprendizes do Evangelho e também da Fraternidade dos Discípulos de Jesus, projetos tão importantes na vida dos nossos leitores.
As reportagens de capa desta edição foram
elaboradas em parceria com a equipe de apoio a
EAE/FDJ. Um dos textos lembra deste aniversário
e nos convida a renovar nosso compromisso
com Jesus. As páginas a seguir estão repletas de
sublimes refl exões sobre a nossa jornada de reforma íntima rumo a uma maior espiritualização do ser

Além disso, O Trevo traz curiosidades e discussões sobre temas atuais, como o papel dos centros espíritas nas ondas de ataques às escolas, que lamentavelmente estão crescendo na sociedade. E também um artigo sobre as encarnações anteriores do comandante Edgard Armond e suas missões no planeta Terra. Não deixe de ler também a segunda parte da entrevista com Ney Prieto Peres, antigo colaborador do movimento espírita, que traz relatos preciosos sobre a história do Espiritismo no Brasil e da própria Aliança.

“Spoiler”: em certo ponto da entrevista, ele conta que presenciou a transmissão de uma mensagem
mediúnica do espírito de Razin com relatos de seu encontro com Jesus criança. Um momento de grande emoção, gentilmente compartilhado com os leitores de O Trevo. Esperamos que gostem da leitura e que esta edição seja uma inspiração àqueles que desejam vivenciar o Espiritismo religioso, cumprindo a missão desta Aliança, publicada sempre na segunda página de O Trevo.
Boa leitura!
Equipe O Trevo CONSELHO EDITORIAL

Eu sou o Universo

Crédito da foto: Greg Razoky/Unsplash

Queridos, muita luz.
A leitura de O
Trevo é especial pois nos
proporciona olhar o mundo
em uma perspectiva
cósmica, como diria seu
Azamar, colaborador
durante várias décadas
deste periódico. É assim
que compartilho o tema
desta edição.
Durante todo o ano
de 2023, o tema que
permeia todas as edições
é a comemoração dos 50
anos da Aliança Espírita
Evangélica, e nesta,
refletiremos sobre o caráter
universal das Escolas
Iniciáticas.
Podemos pensar em
universal no sentido de
atravessar várias gerações,
estar relacionado ao ser
humano nas suas diversas
fases da vida. No nosso
movimento de Aliança, a
evangelização do Ser ocupa
tema central, seja nas aulas
das Escolas de Aprendizes
do Evangelho, de Mocidade
Espírita, na Evangelização
Infantil, nos Cursos de
Médiuns ou na Assistência
Espiritual.
Universo também nos

remete ao infinito e a
suas múltiplas dimensões,
desde o micro universo
do átomo, passando pelas
células, órgãos e sistemas
do corpo, seus diversos
sistemas (respiratório,
digestório, circulatório,
entre outros).
Além das células que
compõem nosso corpo,
somos a essência divina
que o habita, isso somos
nós! Nossa essência
também vai passando de
ilustre desconhecida, já
que estamos num processo
de autoconhecimento,
assim como conhecimento
de tudo se encadeia no
plano macro como no
micro. Podemos dizer
que somos um universo
e somos deuses deste
micro universo, temos
sobre ele todo o poder e
responsabilidade, em nossa
consciência fazemos o
melhor por ele.
É importante
compreender que nosso
próximo é outro universo
ao qual não temos controle
e prerrogativas e que
para garantir o equilíbrio
precisamos buscar sempre

a harmonia.
Podemos interpretar o
tema desta edição como
um chamado ao nosso
papel de cocriadores,
participando da vida
do Cosmo, mesmo sem
querer ou saber nossas
atitudes refletem no todo.
Busquemos nos inspirar
nas leis da natureza, físicas
e espirituais que buscam
o equilíbrio, portanto os
eventos telúricos e as
pequenas intercorrências
em nossas vidas são ações
dessas leis buscando novo
ponto de equilíbrio.
Não se trata, portanto,
de mudança no humor
do Pai Divino, como
muda o humor do ser
humano. Como fazemos
no nosso microuniverso
procurando o remédio
para o desequilíbrio de
alguma área, Deus busca
o equilíbrio. É muito
interessante expandir
nossas reflexões para o
nível cósmico, poderíamos
inferir que Deus é a alma
do universo, e também que
o universo é o corpo de
Deus.
Luiz Amaro é diretor geral
da Aliança

Pagina 04

O Universo em mim

Desde os tempos
mais remotos, o
homem busca
dominar as forças
invisíveis que o cercam e
encontrar o seu criador.
Descobriu, então, que só
conseguiria isso através
do autoconhecimento,
buscando a sabedoria e o
criador em seu interior.
Para alcançar este
estado de compreensão,
relembremos o processo de
evolução desde a mônada,
no primeiro instante,
quando por vontade do
criador “desceu” ao plano
da matéria, para iniciar seu
desenvolvimento de retorno
a Ele.
Antes de avançarmos,
vamos retomar o conceito
de mônada ou “o princípio
inteligente do Universo”,
resposta à questão 23,
no Livro dos Espíritos;
ou expressa na filosofia
“substância individual e
indivisível que constitui
a realidade básica do
universo. É única e
representa uma forma
de existência elementar,
dotada de suas próprias
percepções, atividades e
propriedades internas”
(Gottfried Wilhem Leibniz).
No livro Iniciação Espírita,
no capítulo “Síntese”,
transcrevemos: “O ser eterno, a
mônada divina, transforma-se
em alma vivente quando se
organiza para viver no mundo
físico, seja qual for a forma
de que se utilize em dado
momento ou circunstância”.
E o que quer dizer
organizar-se para viver no
mundo físico?
Significa:

  1. Revestir-se de matéria;
  2. Utilizar-se de órgãos
    apropriados às atividades
    que deva desenvolver nos
    ambientes onde vai evoluir.
    Porém, esse processo
    só se consolida quando
    acreditamos em uma força,
    além de nós mesmos, ou
    quando Deus é sentido
    para mim. “Deus não se

mostra, mas se revela por
suas obras”, … caminhamos
para a perfeição que
observamos nas leis eternas
e imutáveis que regem os
fenômenos naturais. (…)
Quanto mais se aproxima,
através do trabalho, do plano
Divino, mais feliz se sente.”
(Iniciação Espírita – cap. O
Plano Divino)
Temos dois pontos em
destaque: a partida e a
chegada. A partida, quando
da criação; a chegada, o
nosso objetivo. Porém,
entre esses pontos, o mais
importante, a jornada ou o
caminho; acreditemos ou
não na reencarnação.
Voltemos ao parágrafo
inicial, quando destacamos
a busca da sabedoria e do
criador. Esse é o trabalho
que individualmente ou
coletivamente, cada homem
tem realizado ao longo
de sua jornada, ou seja, a
conexão com o divino ou o
transcendente, refletindo
em suas experiências do dia
a dia, conforme o contexto
em que está inserido.
O caminho pode
incluir crenças, práticas
devocionais, moralidade e
ética, busca por significado
e propósito na vida. Ou o
que designamos como
busca pela espiritualidade,
que pode se traduzir
nas variadas práticas
religiosas reveladas ao
longo da história, conforme
as tradições e culturas
específicas; incluindo
as práticas espirituais
individuais como a oração, a
meditação, a contemplação
ou a busca por experiências
de transcendência, que
possibilite o fortalecimento
espiritual e a paz interior.

Algumas literaturas
destacam essa procura
como: a busca pelo
“sagrado”, dando destaque
para aquilo que entendem
como impulso universal na
humanidade, e a maneira
como cada indivíduo
experimenta essa conexão
pode ser estruturada
ou altamente variável.
Estruturada quando as
pessoas se voltam para
as práticas das religiões
tradicionais como o
cristianismo, o budismo, o
islamismo ou o judaísmo.
O que se percebe ao
estudar esse tema é o fato
de que em sociedades
mais secularizadas, a
busca pela fé pode ser
mais individual e menos
ligada a tradições religiosas
organizadas. Isso corrobora
com a indicação do Cristo
Planetário, ao deixar em
seus ensinamentos que o
caminho até Deus é um só –
Ele, Jesus.
Finalmente podemos
trazer à nossa consciência
um exemplo de êxtase
espiritual, quando em
contato com a natureza,
no silêncio e na solidão
podemos sentir a presença
do Criador em nós.
Porém, isso só é possível
se a “ansiedade passa, as
emoções desaparecem
e os pensamentos se
calam”. Ou quando a mãe
sente verdadeiramente o
nascimento de seu filho.
Com o passar dos anos ela
se lembrará de todos os
detalhes que experienciou
naquele momento.
Em síntese, viemos do
Criador e retornamos a Ele.
Todas as influências externas
que sofremos ao longo da
jornada podem nos imprimir
internamente a vontade de
através do esforço alcançar
este objetivo.
Maria José Ribeiro
é do Grupo Espírita de
Aprendizado Evangélico/
Regional Litoral Centro

Pagina 05

Edgard Armond, suas vidas e a
influência no movimento espírita

O movimento espírita
brasileiro nas primeiras
décadas após a
codificação se notabilizou pelo
atendimento à população através
das assistências espiritual e social
com aberturas de creches, asilos
para a velhice desamparada e
orfanatos, cumprindo fielmente
o seu aspecto consolador
preconizado pelo mestre Jesus.
Mas faltava dar foco ao seu
aspecto redentor através da
evangelização do ser, por meio
da reforma interior, para fazer
frente às agruras do período de
transição que o planeta viveria
a partir da segunda metade do
século XX.
Um marco decisivo foi
implementado por Edgard
Armond, com o amparo e auxílio
do plano espiritual superior, a
partir de 1940 até seu desencarne
em 29/11/1982.
Antecedentes
Edgard Armond é considerado
um dos últimos capelinos
remanescentes no planeta Terra,
com destacado papel em diferentes
encarnações na vida social, religiosa
e política na Lemúria, na Atlântida e
no antigo Egito.
Armond relata para Esther
Dahan (autora de Mediunidade
Multidimensional, da Editora
Aliança) a passagem de dois
jovens guerreiros (Armond
e Razin) há seis mil anos.
Desiludidos com as suas atuações
na materialidade, eles decidem
ingressar num mosteiro na Índia,
na cordilheira do Himalaia, em
busca de espiritualização.
No século I a.c., Armond
reencarna como o cônsul Caio
Mario, destacando-se por suas
vitórias militares e brilhante
carreira política.
Vó Martha relata a interessante
passagem do comerciante e
navegante Razin, presenciando a
crucificação de Jesus, assumindo
o compromisso de difundir a
Boa Nova por todos os locais que
visitasse. Outra vivência, no deserto,
é mencionada na mensagem de
Razin para Armond.
No livro Gregório IX, se
depreende que o papa foi uma das
encarnações de Edgard Armond.
Há notícias, no movimento
espírita, de que teve uma
encarnação na Espanha, nos fins

da Idade Média, com atividades
no campo da Medicina. E, no
século XVIII, foi militar, dentista
e inconfidente, recebendo a
alcunha de Tiradentes.
Logo após o desencarne como
Tiradentes, retorna ao mundo físico
como Antoine Demeure (médico
homeopata que se correspondia
com Allan Kardec), para colaborar
com o espírito que traria o
Consolador prometido por Jesus.
Vida de Edgard Armond
Com esta possível bagagem,
reencarna em 14 de junho de
1894 como Edgard Armond, em
Guaratinguetá, seguindo a carreira
militar no Estado de São Paulo.
Também se formou em Farmácia e
Odontologia, profissão que exerceu
gratuitamente no atendimento à
população pobre do bairro do Brás.
O interesse nos assuntos da
espiritualidade se manifestou
desde cedo. Aos 26 anos, traduziu
do francês O Livro dos Mortos.
Em 1936, fez parte da equipe
organizadora do Encontro sobre
Espiritualidade. Em 1938, editou
o livro Contos Espiritualistas para
presentear seus amigos.
Com esse cabedal, em fins de
1939, se aproxima da FEESP, sendo
convidado para exercer o cargo de
secretário-geral para reorganizar
as atividades daquele grupo.
Inicia suas atividades
sob o amparo e proteção
da espiritualidade superior,
começando por estudar e
organizar a assistência espiritual,
desenvolvendo as atividades
conhecidas como trabalhos
padronizados, contando com o
auxílio espiritual de Louis Pasteur
e sua equipe.
Implantou o trabalho de
Vibrações Coletivas para dar
suporte às carências geradas pela II
Grande Guerra Mundial. Também
implantou o primeiro Curso de
Médiuns, atendendo ao apelo de
Kardec, com o auxílio do mentor da
FEESP – Dr. Bezerra de Menezes.
Com todo este trabalho
em andamento, detectou que
muitos atendidos pela assistência
espiritual obtinham sua melhora,
mas tempos depois retornavam
à FEESP em busca de novo
atendimento. Ele concluiu,
com auxílio de Razin, que era o
momento de dar foco no aspecto
redentor da doutrina consoladora.

A proposta da Escola de
Aprendizes do Evangelho (EAE) de
caráter iniciático surgiu em 6 de
maio de 1950, com o objetivo de
preparar núcleos poderosos para
auxiliar na transição do mundo de
provas e expiações para o mundo
regenerado, onde o Bem passará
a superar o Mal.

Retrato de Tiradentes feito pelo pintor
Oscar Pereira da Silva Crédito da
foto: José Rosael/Hélio Nobre/Museu
Paulista da USP – Wikimedia Commons

Para fortalecimento desses
núcleos foi criada a Fraternidade
dos Discípulos de Jesus em 29 de
maio de 1952, sendo inaugurada
em março de 1954, com o ingresso
da 1ª turma. Os alunos que
assumiram o compromisso de
viver e difundir os ensinamentos
de Jesus ascenderam a mais de
uma centena de milhar de adeptos
nos diversos setores da FDJ .
A atuação de Edgard Armond
foi um divisor de águas no
movimento espírita brasileiro,
evoluindo de uma atuação
filosófica e consoladora para uma
eficiente atuação redentora na
sociedade, com foco no aspecto
religioso, sem menosprezo aos
demais setores da doutrina espírita.
Hoje a EAE tem turmas
presenciais em 14 países e alunos
virtuais em quase trinta países.
Luiz Pizarro é colaborador do
C. E. Vinha de luz/Regional São
Paulo Centro

Pagina 06

Migrações planetárias e a lei do
progresso

O tema proposto neste
artigo nos remete
diretamente ao livro
Exilados da Capela, um best
seller da editora Aliança de Edgar
Armond. A leitura nos mostra
que as correntes migratórias
planetárias são constantes no
universo, influenciando a vida
em todos os planetas habitados.
Essas correntes são responsáveis
pelo movimento de espíritos
de um planeta para outro,
conforme sua evolução espiritual
e as necessidades do próprio
planeta.
Destacamos um trecho
do livro (Cartas de Uma
Morta – capítulo As Correntes
migratórias):
“Os nossos Mestres nos
falaram das grandes correntes
migratórias que modificam as
civilizações, asseverando que
o mundo atual se encontra
à beira desses movimentos
inevitáveis. Compreendemos,
então, que todos os progressos
da civilização terrestre
dependem da economia,
sobre cuja base repousa todo o
edifício da organização social.
Soubemos assim que, em
tempos remotíssimos, quando
o planeta se encontrava em
véspera de inaugurar nova
posição progressiva, ocorreu o
deslocamento das raças arianas
que invadiram os territórios
europeus. O congestionamento
de certos países, o problema
da economia regulamentada,
a necessidade de expansão
que muitas nacionalidades
experimentam nos tempos
modernos constituem uma
determinação desesperada
dessas corrente migratórias,
cuja passagem é assinalada por
guerras destruidoras, ensaiando
novas soluções para as magnas
questões da vida coletiva.”
Assim como na Terra, onde
existem pessoas de diferentes
origens e culturas, em outros
planetas também existem
seres com diferentes graus
de evolução e sabedoria. As
correntes migratórias permitem
que esses seres possam
viver em outros planetas que
ofereçam melhores condições

para seu aprendizado e
evolução espiritual. Temos
uma vasta literatura espírita
que aborda estes aspectos de
espíritos sábios atuando sobre
a Terra. Acreditamos que estas
atuações possam estar ligadas
ao pedido amoroso do nosso
Cristo Planetário.
Essas correntes migratórias
são orientadas por espíritos
superiores, que acompanham
e direcionam os seres em sua
jornada evolutiva. Além disso,
também existem leis naturais que
regulam essas migrações, como
a lei de afinidade, que determina
que os espíritos se agrupem com
aqueles que possuem afinidades
e interesses similares.
Porém, vale ressaltar que
a migração não é a única
forma de evolução espiritual. É
possível evoluir espiritualmente
em um mesmo planeta, através
de diferentes experiências e
aprendizados. A migração é
apenas uma das possibilidades
oferecidas pelo universo para o
aprimoramento dos espíritos.
Segundo Os Exilados
da Capela, as correntes
migratórias são resultado da lei
de progresso, que determina
a evolução dos seres em
direção à perfeição. No livro, os
exilados são seres que foram
encaminhados para a Terra
como um meio de aprendizado
e evolução espiritual, após
terem cometido erros em sua
civilização de origem.
Já em A Caminho da Luz,
obra psicografada por Francisco
Cândido Xavier e ditada pelo
espírito Emmanuel, as correntes
migratórias são influenciadas
pela lei de afinidade, que
determina que os espíritos se
agrupem com aqueles que
possuem afinidades e interesses
similares. O livro também
destaca a importância da
reencarnação como um meio de

evolução espiritual.
Na atualidade, as correntes
migratórias planetárias
continuam influenciando
a evolução espiritual das
civilizações. Com o avanço da
tecnologia e a possibilidade de
exploração espacial, a migração
entre planetas pode se tornar
uma realidade no futuro.
Dentro da doutrina espírita, a
ideia de evolução espiritual está
diretamente relacionada com
a busca por aprimoramento
moral e intelectual ao longo das
encarnações. Isso significa que,
para os espíritas, a evolução
não é apenas uma questão
de adquirir conhecimento,
mas sim de transformar a
própria conduta, os valores e
sentimentos.
Dessa forma, é possível
comparar essa busca por
evolução espiritual com a
necessidade de reforma íntima,
um conceito presente na
doutrina espírita que trata da
mudança de comportamentos,
pensamentos e sentimentos
negativos para se tornar
uma pessoa melhor e mais
equilibrada emocionalmente.
Nos dias de hoje, a busca
pela reforma íntima é muito
importante, já que estamos
vivendo em um mundo cheio
de desafios, onde muitas
vezes é difícil manter a calma,
a paciência e a compaixão.
Praticar a reforma íntima
significa que estamos nos
esforçando para melhorar
como pessoas e contribuir para
um mundo melhor.
Além disso, a comparação
com a reencarnação nos
mostra que a vida é uma
jornada de aprendizado,
onde temos a oportunidade
de evoluir espiritualmente
através de nossas experiências,
escolhas e ações. Nesse sentido,
é importante estar consciente
de que cada ação e escolha
que fazemos hoje terá um
impacto em nossa vida futura e
na evolução de nosso espírito.
Leandro Machado Costa
é do N.A.E. Terceiro Milênio/
Regional São Paulo Leste.

Pagina 07

A Mediunidade, a Intuição e a
Sabedoria

Qual a finalidade da
reforma íntima? Para que
investir o tempo atento
às emoções, pensamentos e
reações? Como perceber o
progresso?
Trabalhoso que é vencer
as próprias limitações no
dia a dia, devemos entender
claramente os benefícios
no curto e médio prazo – a
oração e as anotações na
caderneta, que nos propiciam
orientação e vigilância na
busca de paz interior, e
podemos perceber a evolução
analisando esta encarnação.
Entretanto, no longo prazo
espiritual, é necessária a busca
na bibliografia disponível
para um entendimento mais
abrangente.
Utilizando então, para esta
breve análise, inicialmente três
livros a saber: A Caminho da
Luz (Emmanuel e Chico), Os
Exilados da Capela (Armond)


e Memória Cósmica (Steiner)
podemos descrever abaixo um
conciso entendimento sobre
este assunto tão interessante.
Sugerimos, para quem se
interessar em ler os livros, que
comece pelo livro A Caminho da
Luz de 1938 e depois Os Exilados
da Capela de 1951, que cita várias
passagens do anterior. Os livros mencionam e
descrevem algumas das raçasmães
pelas quais o processo
de evolução anímica esteve
presente nos milênios passados.
Os Exilados da Capela descreve
a vinda de um grupo de
espíritos da constelação referida,
seus grupos reencarnatórios,
finalidades e trabalhos. Já o livro

A Caminho da Luz nos infere
principalmente ao período
posterior a vinda de Cristo e
Memória Cósmica detalha as
primeiras Raças.
Assim, podemos saber um
pouco mais da primeira raça mãe,
com o desenvolvimento
anímico em processo no plano
astral; da segunda raça-mãe,

num processo já encarnatório
com os homens primitivos; da
terceira raça-mãe, conhecida
pelo nome Lemuriana; a quartaraça-mãe, a Atlante, já bem
mais conhecida com diversos
livros sobre esta civilização a
começar por Timeu e Crítias de
Platão; e finalmente a quinta raça-mãe, que estamos vivendo
atualmente, conhecida pelo
nome de Ariana.
Cada uma destas raças
abrange aspectos de
desenvolvimento e objetivos
que podem ser organizados conforme a planilha abaixo
onde tabulamos as informações
trazidas por Armond em Os
Exilados da Capela, detalhando
os ciclos, raças-mães e objetivos
das raças e sub-raças além
das futuras raças-mães, como
também das experiências
de cada sub-raça e objetivos
complementares, conforme
mencionados no livro Memória
Cósmica, de Rudolf Steiner.

Pagina 08

O passado já está detalhado,
porém, o futuro estamos
construindo e podemos, através
das mensagens disponibilizadas
nesta literatura, antever um pouco do que virá.
A mediunidade tem se feito
mais amplamente presente,
basta percebermos o aumento
na quantidade de casas de
enfoque espiritual. Atualmente
encontramos maior número de
pessoas com esta característica
e sabemos que, apesar de ser na
sua maioria uma mediunidade de provas, conforme nossa evolução
moral avança, mais e mais pessoas
com aptidão natural por mérito
se farão presentes e teremos no
futuro pelo menos uma pessoa na
família com mediunidade, até que todos possamos estar aptos a um
intercâmbio com o plano espiritual
mais intenso e frequente.
Além disso, a mediunidade
nos permite acessar uma grande quantidade de informações além da matéria. Nossa mente precisa estar preparada para assimilar
e ponderar esta quantidade de
informações no tempo e no espaço,
além de nosso coração estar
evangelizado para nos garantir
bases sólidas de sustentação. Para
isto, já vimos sendo preparados,
uma vez que o advento da
globalização e da internet nos
trouxe livre acesso a uma infinidade
de informação, tanto as boas,
quanto as ruins e saber distingui-las
e utilizá-las, chama-se Sabedoria.
Porém, a Sabedoria não se
constrói da noite para o dia, isto
é, necessitamos tentar e errar,
estudar, amar, servir e evoluir nas
diversas experiências encarnatórias
que estão à nossa frente. A
mediunidade será um caminho
para esta sabedoria, um caminho
de desenvolvimento que permitirá
ao homem-anímico no futuro
aplicar o que Jesus nos ensinou
que será transmitir e realizar as
vontades de Deus. Isto está bem
detalhado no livro Mediunidade
(Armond) e nos revela também
que quanto maior o grau de
sensibilidade tanto maior a Intuição
– e consequentemente maior o
campo que o indivíduo abrange
na percepção dos fenômenos e
aspectos da vida cósmica.
Aprofundando um pouco o
conceito desta Intuição, Armond
nos traz ainda ser uma voz interior
que fala e que deve ser obedecida
sem vacilações, um sentimento
íntimo que temos a respeito de
algo, é a verdade cósmica, Divina,
existente em nosso Eu, em forma
potencial, porque Deus é a verdade
única e eterna e Ele está derramado
em toda a criação universal, da qual
somos apenas uma partícula viva e
sensível.
Nos esclarece também que a

Intuição é a nossa ligação direta
e original com o Deus potencial
interior, assim como a razão é a
nossa ligação com o mundo. A
razão é a lei, a Intuição a graça. E
completa de forma esclarecedora:
Amor, fé e intuição, eis pois as
características sublimadas do
homem espiritual.
O fluido cósmico universal
permite a transmissão do
pensamento quase que
instantaneamente a qualquer
lugar. Podemos nos conectar a
almas superiores se estivermos em
vibração elevada, uma conquista
do espírito moralmente elevado,
e com isto acessar o que os
antigos chamavam de AKASHA,
ou no nosso entendimento, pela
afinidade nos conectar a sabedoria
dos espíritos elevados que,
como Jesus, cada vez mais estão
alinhados à sabedoria Divina. De forma simples podemos dizer que
no final buscamos entender o que
Deus espera de nós.
Conforme vamos renascendo,
nossa sabedoria aumenta, e pela
Intuição podemos ter certo acesso
a esta Sabedoria Divina. Este ciclo
vai se completando em cada
encarnação até que entendamos
definitivamente o amor divino, a
nossa real condição e consciência
e sobretudo nossa verdadeira
conexão com o Divino.
Assim, retornando a pergunta
do início sobre a reforma íntima,
podemos dizer que cada vez que
entendemos melhor um defeito
e tentamos transformá-lo numa virtude vamos construindo nossa paz interior, nossa serenidade,
que nos permite aumentar cada
vez mais esta conexão com o
pensamento mais elevado, com
a sabedoria das almas mais
vivenciadas ampliando nossa
Intuição.
Voltando então a tabela acima,
como descrito no livro Memória
Cósmica não é necessário que se
finde uma raça-mãe para que o
novo aprendizado se inicie nem
uma sub-raça, este processo se
funde entre o fim de uma fase e
o início de outra. Podemos dizer
então que a Intuição está iniciando
na quinta sub-raça anterior, ou seja,
estamos vivendo este momento
de transição onde a mediunidade
se espalha e mais e mais pessoas
começam a desenvolver a Intuição.
Também no livro Mediunidade
(Armond) no Cap. 9 – A Lucidez,
nos destaca que o momento que
vivemos é de domínio da razão,
porém, alguns homens há mais
evoluídos, que já se governam, mais
ou menos conscientemente, pelo uso desta faculdade mais perfeita
que é a Intuição.
Todos somos intuitivos, porém
de forma rudimentar, como
explicitado em O Livro dos Espíritos

item 101, os espíritos de terceira
ordem têm a intuição de Deus, mas
não o compreendem ainda. Ainda
em A Gênese, Kardec nos coloca no
Capitulo XVIII que a nova geração
deverá fundar a era do progresso
moral e será fácil distingui-la
sobretudo pela natureza das
disposições intuitivas e inatas.
Complementando, seguimos
então para O Evangelho Segundo
o Espiritismo onde podemos
encontrar uma descrição do que
é a Sabedoria no item – Resumo
da Doutrina de Sócrates e de
Platão – que nos traz que a alma
perturba-se e confunde-se, quando
se serve do corpo para considerar
algum objeto, pois se prende às
coisas que são, por sua natureza,
sujeitas a transformações, mas ao
contemplar a sua própria essência,
ela se volta para o que é puro,
eterno, imortal, e, sendo da mesma
natureza, quando cessam as suas
perturbações, a esse estado é que
chama-se Sabedoria.
Portanto, o que devemos
buscar? Resignação nas provas
enfrentadas, construção de um
futuro mais resplandecente com os
acertos do presente, entendimento
da vida nos diversos planos
pela leitura, conversa e trabalho
edificantes nos permitem fazer
cada vez mais parte da criação,
ajudando o semelhante a avançar,
participando de uma pequena
fração de toda a criação através do
amor que flui em todo lugar.
Afinal, segundo a questão 111
do Livro dos Espíritos, devemos
desenvolver de forma mais
contundente a sabedoria, como
espíritos de segunda ordem e
segunda classe, com a inclusão
desta sabedoria à ciência e à
bondade e a partir daí estar
nos aproximando dos espíritos
superiores, isto deve seguir em
processo até a sétima raça-mãe.
Este avanço se percebe
também por processos de
emancipação da alma, como o
êxtase que nos faz sentir como
que integrados à criação Divina
e através da concessão Divina
teremos cada vez mais acesso a
Sua sabedoria integrada pelo amor
e pensamento presente no fluido
cósmico universal.
E finalizando, de forma simples
Chico e Emmanuel nos esclarecem
em A Caminho da Luz no item
– Roteiro de Luz e Amor – que os
Evangelhos guardam a súmula de todos os compêndios de paz e de verdade para a vida dos homens,
através do qual todas as almas
podem ascender às luminosas
montanhas da Sabedoria dos Céus.
Fiquemos com Deus.
Mauro Iwanow Cianciarullo
é do EEA/Regional São Paulo – Oeste

Pagina 09

Ataques às escolas e o papel das
casas espíritas

Todos estamos
acompanhando estarrecidos
os tristes episódios
envolvendo ataques homicidas
em diversas escolas pelo Brasil,
frequentemente perpetrados
por jovens alunos das próprias
instituições.
As causas de tais barbaridades
são multifatoriais e seria
leviandade tentar elencar e
explorá-las neste breve texto.
Mas isso não nos desobriga de
pesquisar sobre o tema em fontes
confiáveis, com estudiosos da
área (psicólogos, pedagogos,
especialistas em segurança
pública, etc), assim como analisar os aspectos espirituais,
que apesar de preponderantes,
infelizmente nem são considerados pelo vulgo.
O fato é que temos um problema grave e a casa
espírita pode contribuir para
a sua resolução ou ao menos
sua mitigação. Como? A
resposta é simples, mas exige
comprometimento de todos.
Em seu programa de atividades, a Aliança possui dois
trabalhos voltados justamente
para a faixa etária mais afetada
por esta tragédia. São eles: a
Mocidade e a Pré-Mocidade
espíritas. Para esta reflexão,
vamos partir do pressuposto que
os programas são conhecidos por
todos. Você não os conhece ainda?
Convidamos a estudá-los no
livro Vivência do Espiritismo
Religioso. A seguir, propomos
uma discussão sobre o tema
deste artigo para dois grupos
importantes do movimento
espírita.
1 – Voluntários da Casa
Espírita (especialmente a
Diretoria)
Todo mundo já está careca
de saber (brincadeira, eu estou,
mas não por causa disso), que
a Mocidade e a Pré-Mocidade
são requisitos obrigatórios para
casas que desejam postular à
condição de Grupo Integrado
na Aliança. Isso não é mero
capricho decisório do CGI, esta é
uma forma bem inteligente de
reafirmar a importância destes
trabalhos de evangelização do
ser, voltados para um grupo que
representa 40% da população
brasileira.
Então, o primeiro ponto a
ser encarado com seriedade é
deixar de tratar estes trabalhos
como formalidade institucional e
enxergá-los como são: trabalhos
de redenção espiritual de jovens.
Saindo desta questão mais
abstrata (e fundamental),
gostaríamos de elencar algumas
perguntas básicas – cada resposta

negativa que você der é um sinal
de alerta:
• Você sabe se a Casa que
você frequenta tem turmas de
Mocidade e/ou Pré-Mocidade?
• Sabe o dia e o horário destes
trabalhos?
• Conhece a(s) pessoa(s) que
dirige(m) estas atividades?
• Já visitou a(s) turma(s)?
• Está a par das dificuldades
enfrentadas pela turma?
• A Casa possui uma diretoria
da Mocidade ou pelo menos faz
questão que dirigentes destas
atividades participem das
reuniões da Diretoria?
• Buscam incluir os jovens nas
demais atividades da Casa?
• Sabem se Dirigentes da
Mocidade e/ou Pré-Mocidade
fizeram, fazem ou têm pretensões
de iniciar uma EAE?
• BÔNUS: já deu ao menos
uma aula para os jovens?
• E PRA DEIXAR COM UMA
PULGA ATRÁS DA ORELHA:
você sabe se a(s) pessoa(s)
que trabalha(m) na Mocidade
e Pré-Mocidade se sente(m)
acolhida(s) e à vontade para
pedir ajuda ao restante da Casa
(em especial à Diretoria), em
caso de necessidade do trabalho
que dirige(m)?
2 – Voluntários da Mocidade e
da Pré-Mocidade
Sem muitas delongas,
seguem algumas questões para
reflexão:
• Você se interessa em
procurar ativamente a direção da
Casa para reportar como anda
o trabalho que dirige e também
acompanhar o que acontece nas
demais atividades da Casa?
• Convida voluntários da Casa
para conhecer a turma e até dar
aulas?
• Já visitou todos os dias de
trabalho da Casa para divulgar a
Mocidade e/ou a Pré-Mocidade?
• Participa com a turma de
atividades ou eventos da Casa,
quando possível?
• Faz, fez ou fará em breve a
EAE?
• Como você anda nos estudos
doutrinários? Estuda o conteúdo
só para preparar aulas ou tem
o interesse permanente em
conhecer mais sobre a Doutrina?
(não vale justificar falta de tempo,
se você consegue assistir suas
séries preferidas

Como anda a vivência
evangélica no seu dia a dia? (esta
pergunta é importante, pois é
o nosso esforço sincero em nos
moralizar que garante melhor
conexão com os mentores
espirituais que dirigem a turma.)
• Você considera que a turma
é um ambiente de ameaça zero
ou ainda enfrenta dificuldades
neste quesito, devido a
comportamentos inadequados
de algum membro?
• Você se preocupa ativamente
em tornar a turma um local de
acolhimento para os alunos,
colocando-se, por exemplo,
à disposição para conversar
depois da aula com quem quiser
desabafar algum problema?
• Você se preocupa ativamente
em tornar a turma uma
comunidade onde todos tenham
a percepção de pertencimento e
apoio dos demais integrantes?
• Está acompanhando não
somente as notícias sobre as
tragédias nas escolas, mas está
estudando toda a problemática,
certo de que se trata de um tema
complexo?
• Já dedicou um tempo da
aula para conversar com a turma
sobre o assunto, em especial
com os rapazes? (lembramos
que todos os ataques até agora
foram feitos por pessoas do sexo
masculino).
• Você dá aquela “stalkeada”
marota (no bom sentido:
queremos dizer apenas em
acompanhar) nos perfis dos
alunos nas redes sociais para
acompanhar o dia a dia deles
e também observar sinais que
mereçam atenção?
• Os alunos sabem que você
está à disposição deles durante a
semana para conversar mesmo
que virtualmente, caso eles
precisem de apoio?
• Você tem o contato dos pais
e/ou responsáveis dos jovens da
turma?
Para finalizar
Sabemos bem que as
perguntas acima não encerram
todas as medidas e debates
necessários para aperfeiçoar
o trabalho de Pré-Mocidade e
Mocidade e a integração com a
Casa Espírita. Diremos mais: as
perguntas acima são o roteiro
básico que deveria ser seguido
por todos os envolvidos. Contudo,
é necessário que façamos
este básico bem feito para
que efetivamente possamos
contribuir com qualidade para o
fim de episódios tão infelizes em
nossa sociedade.
Evandro dos Anjos é do CE
Discípulos de Jesus Bela Vista/
Regional São Paulo Centro.

Pagina 10

Curso de Médiuns: um complemento
à evangelização do ser

Muitos dirigentes do
nosso movimento na
Aliança acreditam
ser o Curso de Médiuns um
instrumento de preparação
dos alunos ao trabalho nas
atividades de assistência
espiritual e nos vários grupos
mediúnicos das casas espíritas.
O que esquecem é que o
curso de médiuns é, antes de
mais nada, um instrumento
que complementa e auxilia os
alunos da Escola de Aprendizes
do Evangelho (EAE) no
processo de sua evangelização.
Exatamente por esse motivo é
oferecido aos mesmos na aula
48 da EAE.
O trabalho após a conclusão
do curso é uma consequência
e não um fim. No capítulo 2.6
do livro Vivência do Espiritismo
Religioso, no item “Curso de
Médiuns” encontramos o
seguinte texto:
“Em geral, a mediunidade
é exercida mecanicamente,
sem objetivo definido, pelo
simples fato de existir. Mas isso
é um erro. O médium deve
saber por que é médium, quais
faculdades possui, limites de
sua aplicação, consequências
de sua ação, objetivos a atingir
e responsabilidade que assume,
tanto como indivíduo quanto
como membro da coletividade.”
O texto ainda traz: “Seu
objetivo é educar os médiuns
para o desenvolvimento e uso
da mediunidade dirigida aos
trabalhos evangélicos, tendo
como base os princípios da
doutrina espírita”.
Se analisarmos o contexto
destes textos, vamos verificar
que eles nos conduzem antes
de mais nada ao complemento
do autoconhecimento,
para depois utilizar como
ferramenta de trabalho
evangélico. É por isso que
acredito que os dois cursos
se complementam e fazem
parte do processo iniciático

do aprendiz. Lembrando que
a escola existe mesmo sem o
curso de médiuns, mas o curso
de médiuns sem a escola não
tem sentido e nem forma de
condução.
O curso de médiuns reeduca
os alunos conduzidos pela EAE.
É com essa atitude que
devemos olhar o curso de
médiuns quando direcionamos
nossos alunos de EAE para a
realização do mesmo.

“A mediunidade que tem
compromissos com o
Cristo na Terra não pode
se esquecer de subir o
calvário”

Se o foco não for
complementar o processo de
evangelização do ser, teremos
apenas médiuns mecânicos,
na maioria das vezes fazendo o
trabalho sem saber por que o
fazem e indisciplinados.
Médium precisa antes
de mais nada ser médium
de si mesmo. E isso só
acontecerá se o curso de
médiuns for tratado pelos
dirigentes como ferramenta
de autoconhecimento,
transformação e equilíbrio,
antes de ser um curso que
vai permitir ter mais um
trabalhador para as salas de
passes e câmaras mediúnicas.
Cito um trecho do livro
Segurança Mediúnica,
psicografado por João Nunes
Maia pelo espírito Miramez

que está no item 5 – Médium e
Mediunidade:
“A mediunidade que tem
compromissos com o Cristo na
Terra não pode se esquecer de
subir o calvário, com a cruz nos
ombros, representando sacrifícios
de várias espécies:
a renúncia é a característica
de seus passos;
o perdão, uma norma diária
em sua vida;
o trabalho, uma obrigação
sem queixa;
a oração, um dever silencioso;
a alegria, uma manifestação
de gratidão por tudo o que vê e
recebe na vida.
a língua deixa de ferir e a
cabeça passa a ser um ninho de
pensamentos nobres.
Tudo o que faz, ela o faz por
amor”.
Lembremos também o que
Kardec elucida no cap. XXIV,
item 12 do Evangelho Segundo
o Espiritismo:
“A mediunidade…é
simplesmente uma aptidão,
para servir de instrumento,
mais ou menos dócil, aos
Espíritos em geral. O bom
médium não é, portanto,
aquele que tem facilidade de
comunicação, mas o que é
simpático aos Bons Espíritos
e só por eles é assistido. É
nesse sentido, unicamente,
que a excelência das
qualidades morais é de
importância absoluta para a
mediunidade”.
A frase acima nos remete
à finalidade e metas a serem
alcançadas no curso: fazer o
médium consciente de suas
responsabilidades como
medianeiro do Plano Espiritual
Superior na propagação da
Boa Nova, levando consolo e
sinalizando o caminho para a
redenção aos irmãos em Cristo.
Jerson Bottaro é do Grupo
Espírita Nosso Lar e da Equipe
de Apoio à Mediunidade.

Pagina 11

‘O dia a dia é nosso campo de batalha’

Ney Prieto Peres
acompanhou de
perto momentos
marcantes da história
do movimento espírita.
Na primeira parte desta
entrevista, publicada
na edição anterior de O
Trevo, Ney falou sobre
seus encontros com Chico
Xavier e sua atual rotina de
estudos.
A seguir, publicamos
a segunda parte desta
entrevista, com informações
de bastidores sobre a
criação da Aliança Espírita
Evangélica, um relato
de uma mensagem
mediúnica do espírito Razin
descrevendo seu encontro
com Jesus quando
criança e outras histórias
inspiradoras.
Como você entrou na
Escola de Aprendizes do
Evangelho?
Foi exatamente na
semana seguinte à morte
da minha mãe, que foi
um dos momentos mais
difíceis da minha vida. Logo
depois eu fui transferido do
Rio para São Paulo. O meu
contato imediato foi a dona
Thirzah, que eu conhecia
de Recife. E ela me disse:
“Ney, você precisa conhecer
a escola de aprendizes do
evangelho”. A dona Thirzah
Riether já estava fazendo a
7ª turma. Naquela semana
mesmo, no sábado, eu fui
pra lá com a dona Thirzah.
Quem nos recebeu foi a
dona Lígia Jardim, que era a
secretária da turma e esposa
do Dr. Milton Jardim, o nosso
dirigente. A turma já tinha
começado em março e eu
entrei em abril de 1961 na
sétima turma da Escola de
Aprendizes Evangelho. Foi
uma experiência marcante
como é essa Escola para
todo mundo.

Você pode citar alguma
lembrança importante?
Eu me lembro
de situações muito
interessantes na Escola. A
gente tinha que preparar
o tema para defender na
semana seguinte em cima
de uma tribuna. Eu lembro
até hoje que o dr. Milton
me deu o tema “primeiro o
próximo”. E quando chegou
a minha vez de subir, quem
é que o Dr. Milton tinha
convidado para fazer uma
avaliação sobre aquele
aluno? Estava lá sentado
na principal cadeira o
comandante Armond. Aí
você imagina a minha
tremedeira! Li o meu tema
e no final o comandante
disse: “se ele fizer tudo isso
que está dizendo, ele está
no caminho certo”. Foi um
episódio muito marcante
para mim na Escola. Aliás,
eu ainda tenho aqui a
minha caderneta preta. Era
o comandante que lia todas
elas, colocava comentários.

Tenho eles aqui escritos
com a letrinha dele.
O que mais te marcou?
Eu ia às quintas-feiras lá
na Federação, nas reuniões

de vibrações coletivas,
que eram a mesma coisa
de hoje, às 19h30. Fui
muitas vezes e eu me
lembro que uma vez a
dona Thirzah recebeu uma
comunicação de Razin. Foi
impressionante. Uma coisa
linda. Eu lembro disso até
agora. O Razin falava da
convivência dele com Jesus
garoto, no período que
esteve entre os essênios. Ele
dizendo do encantamento,
da irradiação desse menino
Jesus. Ele tendo visto, tendo
estado com Jesus criança.
Lembro dele falando sobre
isso com muita emoção.
Esse foi um episódio
marcante para mim. Isso foi
talvez no primeiro ano da
Fraternidade dos Discípulos
de Jesus. Depois teve a
fundação da Aliança, em
1973.
Você estava presente?
Sim, foi na casa do
comandante. Eu estava
presente e assisti a todo esse
episódio. O comandante
disse para entregar a direção
da Aliança para o Jacques
(Conchon), porque ele tinha
experiência com o CVV, que
já tinha uma estrutura na
época. A Aliança começou
usando as instalações da
rua Genebra, no CVV. Eu
lembro que depois disso nós
começamos a acompanhar
a dona Thirzah nas visitas aos
centros espíritas no interior
de São Paulo para divulgar a
Aliança.
Como surgiu a ideia de
escrever o Manual Prático
do Espírita?
Foi por causa do período
probatório da Escola de
Aprendizes, que é aquela
situação que cada um
tem que fazer a sua
autoavaliação. Então me
veio a ideia, conversando
com o comandante, de

Pagina 12

facilitar isso escrevendo um
manual. Ele ia seguindo
os degraus, os passos da
escola. E foi aí que surgiu o
Manual Prático do Espírita.
Eu trabalhava perto da
casa do comandante
Armond e fui lá várias vezes
para discutir os passos do
Manual. Nós seguimos
uma sequência: primeiro,
a superação dos vícios. E
o degrau seguinte era se
voltar para os defeitos. E,
na sequência, às catorze
virtudes que são aquelas a
serem conquistadas com o
esforço próprio.
Qual o caminho
para conseguir viver o
Espiritismo na prática?
Tem aquele exercício
diário de no final de cada
dia se colocar em revista.
É a experiência de vida
de Santo Agostinho. É a
pergunta 919 (do Livro dos
Espíritos). É aquela famosa
“qual o meio prático mais
eficaz para se melhorar
nesta vida e resistir ao
arrastamento do mal?”.
Esse é todo o propósito
da Escola. Essa pergunta
merece sempre um estudo.
A resposta dada pelos
instrutores de Kardec, o
Espírito da Verdade, foi:
“um sábio da Antiguidade
já vos disse”, se referindo a
Sócrates. É o “conhece-te a
ti mesmo”. Mas a pergunta
seguinte é insistente e
muito clara: “a dificuldade
reside exatamente nesta
máxima (de se conhecer a
si próprio). Como atingir?”.
Aí é uma resposta longa,
assinada por Santo
Agostinho: “Fazei o que
eu fazia quando vivi na
Terra: ao final de cada dia
me colocava em revista”.
Isso ainda é um grande
desafio. Mas com isso
localizamos os momentos
(em que erramos) e
reagimos. Com a prática,
com a persistência, a
gente vai formando aquele

mecanismo habitual. É a
força do hábito. O dia a
dia é o nosso campo de
batalha. Hoje temos grupos
de estudo de diversos tipos
no nosso movimento. O
estudo é um dos recursos
importantes desenvolvidos
nas casas espíritas. Mas não
é só o estudo. É aplicar o
conhecimento no nosso dia
a dia.

‘O Razin falava da
convivência dele
com Jesus garoto, no
período que esteve
entre os essênios. Foi
impressionante. Uma
coisa linda

Como você vê isso no
movimento espírita?
Existem três tipos de
adeptos do Espiritismo:
aqueles que se interessam
e se dedicam ao estudo,
aqueles que buscam
no estudo as suas
consequências filosóficas
e o terceiro é aqueles que
se esforçam em aplicar
a doutrina, que é o seu
aspecto religioso. Esses
adeptos do Espiritismo
religioso se reconhecem
pelo esforço que se
envolvem no seu autoaprimoramento.
O sr. também foi muito
atuante no campo da
medicina espírita. Qual
sua opinião sobre a
evolução desses estudos?
Nós acompanhamos
essa evolução de perto.
A Maria Julia (esposa) foi
a primeira secretária da
Associação Médico Espírita
de São Paulo, a AMESP,
que foi fundada por
sugestão do dr. Bezerra
de Menezes incorporado
pelo médium Spartaco
Ghilardi. Então, estamos
envolvidos desde o começo
da formação desse trabalho
aqui em São Paulo, nos
anos 80.
Hoje isso está se

expandindo. Estamos
vendo felizmente uma
crescente no movimento
de abertura da medicina
para o lado da religiosidade.
Nos congressos médicos
espíritas, estão sendo
discutidos temas
importantes, como por
exemplo a reencarnação
e os seus efeitos atuais,
as heranças que a gente
traz de outras vidas. É
uma temática que me
interessa muito e que leva
naturalmente a considerar
a validade da terapia
regressiva a vivências
passadas em casos muito
bem definidos como um
recurso auxiliar à medicina
tradicional.
Para encerrar: um
agradecimento a Deus?
A nossa conexão com
Deus é uma percepção
progressiva, que a gente
vai sentindo nessa relação
do trabalho com você
mesmo, de interiorização,
de identificação.
Com o tempo, vamos
percebendo que somos
permanentemente
cuidados por uma equipe
enorme. Nós somos
cercados por nuvens de
espíritos protetores. Olha
Deus é tudo, Deus é tudo
dentro de nós.
Entrevista conduzida
por Mauro Iwanow
Cianciarullo, da Casa
Espírita Evangelho e
Amor/Regional São Paulo
Oeste.

Pagina 13

Pronto-socorro de almas:
você tem um minuto?

Um minuto pode
fazer uma grande
diferença, pois, em
um minuto podemos
perdoar um irmão,
transformar um coração,
fazer uma oração, evitar
uma tragédia e até mesmo
salvar uma vida.
A ida ao centro espírita
nem sempre é fácil.
Muitas vezes, as pessoas
levam horas, dias, meses
e até mesmo anos, para
procurarem auxílio por
diversos motivos: questões
particulares, familiares,
falta de informações ou
preconceitos.
Em muitos casos, graças
à misericórdia divina, a todo
um trabalho nos bastidores
da vida, feito por mentores
individuais e amigos
espirituais, muitos assistidos
conseguem forças e
coragem para chegarem
aos centros espíritas, no
acolhimento fraterno.
De acordo com o
dicionário acolhimento
fraterno é defi nido como:
• Acolhimento: Ação ou
efeito de acolher; acolhida,
hospitalidade; lugar em
que há segurança; abrigo.
• Fraterno: Fraternal;
que diz respeito a irmãos,
afetuoso; que expressa
carinho.
É neste campo seguro
e bem defi nido que o
assistido espera encontrar
abrigo para conversar sobre
suas dores e angústias,
sigilosamente, no diálogo
fraterno.
O acolhimento na casa
espírita diz muito sobre o
que seus frequentadores

irão encontrar no local. “A
primeira impressão é a que
fica”, assim diz o ditado.
Jesus exemplifi cou de
várias maneiras as formas
de caridade, sendo que o
atendimento fraterno, a
dedicação em ouvir a um
irmão, é uma delas

Temos a responsabilidade
de sempre estarmos
preparados para atender
qualquer pessoa que
tenha coragem de vencer
a si mesmo e seus medos
para adentrar ao centro
espírita

“São Paulo compreendeu
tão profundamente esta
verdade que diz: ‘se eu falar
a línguas dos anjos; , se eu
tiver o dom da profecia, e
penetrar todos os mistérios,
se tiver toda a fé possível,
a ponto de transportar
as montanhas, mas não
tiver caridade nada sou’.”
(O Evangelho Segundo
Espiritismo – XV, item 6)
Quando compreendemos
e entendemos essas
palavras, ativamente damos
continuidade em nosso
processo de transformação
moral. Assimilando que
a verdadeira caridade
acontece de maneira
espontânea, somos
tomados por impulsos
generosos, nos colocamos
verdadeiramente no
lugar do outro, saímos de
nossa zona de conforto,
ultrapassamos a indiferença
em direção ao próximo.
Aquele que busca
consolo e alívio nos centros
espíritas muitas vezes só

quer desabafar, ser ouvido,
ser visto por alguém ao
demonstrar sua fragilidade
e fraqueza. Simplesmente
quer sentir a tranquilidade
e segurança emanada de
seu interlocutor.
Mas será que a primeira
impressão realmente é a
que fi ca?
Sim, neste caso, sim, essa
é a verdade. Afi nal, foi uma
grande caminhada chegar
à casa. Então, temos a
responsabilidade de sempre
estarmos preparados para
atender qualquer pessoa
que tenha coragem de
vencer a si mesmo e seus
medos para adentrar ao
centro espírita. Busquemos
acolher, consolar e orientar,
de forma amorosa.
Ao abrirmos as portas para
os acolhimentos, estejamos
cientes e preparados para a
diversidade. Cada ser é único,
com necessidades diferentes
e todos são importantes.
Logo, saber acolher
carinhosamente, olhar nos
olhos, é exercer a caridade
ensinada por Cristo.
“Vinde a mim, todas
vós que andais em
sofrimento e vos achais
sobrecarregados, e Eu vos
aliviarei, meu julgo é leve
meu fardo é suave.”
Por um minuto
pensemos nestas palavras…
sinta quanto amor e
amparo elas transmitem!
Independente dos
momentos de difi culdades
que estejamos passando,
Jesus sempre está à nossa
espera amorosamente.
De braços abertos, sem
julgamento.

Pagina 14

Este é o convite que
Jesus nos faz o tempo
todo, ele nos convida e
aguarda pacientemente. O
jugo leve é a coragem de
observarmos e praticarmos
as leis divinas trazidas por
Jesus.
Cada um de nós, chegou
à casa espírita à sua
maneira, sozinho, levado,
acompanhado, guiado. Se
estamos até hoje é porque
fomos muito bem acolhidos
por pessoas amorosas
e abnegadas. Além de
enxugar nossas lágrimas,
preencheram nossos
corações com a esperança
de que não estávamos
sozinhos, que tudo passa
e após tantos tropeços e
sofrimentos, fi nalmente,
adquirimos coragem para
darmos os primeiros passos
em direção a Jesus.
Dizem que as pessoas
chegam à casa espírita por
amor ou pela dor, mas o
meu caso foi bem diferente:
foi pelo medo mesmo. O
medo das sombras que
insistiam em permanecer
passando por mim, de um
lado para o outro, até terem
certeza que eram vistas.
Em uma noite, após sentir
novamente o friozinho
na barriga aumentando,
percebi a necessidade de
descobrir por que aquilo
estava ocorrendo e como
sentir medo de algo que
nem conhecia? Precisava
entender… e com esse
pensamento saí em busca
de respostas.

Nesta busca cheguei
até o centro espírita e assim
iniciei minha caminhada.
“Os sãos não precisam
de médico, mas sim os
enfermos”, disse Jesus.
A casa espírita é um
pronto-socorro de almas.
Local de fraternidade, ali chegarão irmãos necessitados.
Que possamos enxergar além
das aparências, façamos nossa
parte da melhor maneira
possível para percebermos
o que naquele momento
irá ajudar aqueles que
entram nos centros espíritas.
Que não ultrapassemos
limites, pois a forma
como nos comunicamos
irá produzir mudanças.
Sejamos cuidadosos, éticos,
respeitando os sentimentos
e o tempo de quem nos
buscou. E procuremos
auxiliar conforme as
pessoas precisem,
respeitemos a sua dor
sempre em conexão com
Jesus.
Estejamos preparados
para a tarefa de acolhimento
fraterno, que apesar de ela
ocorrer em dias e horários
específi cos nas casas
espíritas, acontece também
em nossa vida cotidiana,
na convivência no lar, com
os amigos, familiares, no
trabalho, na fi la de um
banco, num hospital, etc.
A todo momento temos

oportunidade de servir,
o amparo é um trabalho
contínuo.
Por isso, sempre que
alguém lhe perguntar se você tem um minuto,
coloque-se à disposição
desta pessoa. Você nem
imagina o grande esforço
que foi para ela pronunciar
essas simples palavras,
mas que fazem toda a
diferença para o assistido.
Abra seu coração, respire
calmamente, busque se
conectar com os amigos
espirituais e faça aquilo
que você se preparou para
fazer: acolher e consolar.
Perante nossos atos,
lembremos das palavras do
Mestre Jesus
“Em verdade vos digo,
todas as vezes que isso
fi zestes a um destes mais
pequeninos dos meus
irmãos, foi a mim mesmo
que o fi zestes”.
Jesus está muito mais
perto do que podemos
imaginar, está sempre
próximo a nós.
E quanto as sombras
em minha vida?
Só tenho a agradecer de
coração, pois foi graças às
sombras que pude encontrar
a Luz da Doutrina Espírita!
Silvia Maria dos Santos
Amâncio Ribeiro é do CE
Luz do Caminho/Regional
Vale do Paraíba

Pagina 15

Evangelização infantil:
novos projetos a todo vapor

A equipe de apoio à
Evangelização Infantil
da Aliança é composta
pelas equipes regionais de
coordenação dos grupos. A partir
de 2020, com a popularização

das reuniões virtuais, a equipe
cresceu e se fortaleceu, contando
com colaboradores de boa parte
das regionais. Esse crescimento
pode ser atestado pelos diversos
projetos que estamos vendo se

desenvolvendo desde então. Para
isso, a equipe se reúne às quartasfeiras,
das 20h30 às 22h. A seguir,
apresentamos um breve relato
desses projetos

Estudo continuado – Projeto 50 anos de Aliança

Com vistas a melhorar a
qualidade do nosso trabalho
de evangelizadores da infância,
criamos um roteiro de estudo para
o livro Curso de Preparação para
Evangelizador da Infância, 3ª

edição revisada. Evangelizadores,
ativos e inativos, que já fi zeram
o curso de preparação, são
convidados a formar ou integrar
um grupo, presencial ou virtual,
para a leitura e discussão. Em

2022 lançamos oito turmas piloto
que cumpriram o estudo. A meta
é que novos grupos se formem,
nas casas, nas regionais, de modo
presencial ou virtual.
Para saber mais, veja aqui.

Ofi cina para facilitadores dos cursos

Crianças e adultos aprendem
da mesma maneira? Em
2023, um pequeno grupo da
equipe de apoio revisou o
material da primeira edição
desta atividade. Foi lançada
a ofi cina para facilitadores
2023, aos sábados de março.
Reunimos 16 participantes que
puseram a “mão na massa”.

Conversamos sobre andragogia,
métodos e técnicas de ensinoaprendizagem
e planejamento
de aula. Estamos certas de
que cumprimos o nosso papel,
indicado pelas mensagens da
espiritualidade, baseado na
Parábola do Semeador. Nós
semeamos e estimulamos
mais pessoas a semearem, com

amor, dedicação, conhecimento e
planejamento.

Curso de Preparação para Evangelizador de Infância

Estamos nos organizando
para mais um Curso de
Preparação para Evangelizador
da Infância, de forma virtual,
dirigido a todas as regionais
da Aliança, inclusive às casas
do Exterior. Esperamos que os
alunos que estão atualmente no
grau de Servidor ou os alunos
da Mocidade, a partir do 3º ano,
possam se capacitar para esse
trabalho. Trabalho que é muito
sério, apesar de ter muita música
e brincadeiras.

O curso também prepara
para o trabalho com a família,
auxiliando na formação dos
evangelizadores que fi carão
responsáveis pela Escola
de Pais, que faz parte da
Evangelização Infantil.
Com início em maio serão
sete encontros com duração
de 4 horas cada um, baseado
no livro Curso de Preparação
para Evangelizador da
Infância, da editora Aliança,
livro que foi recentemente

revisado pela equipe de apoio à
Evangelização Infantil.

Curso de Preparação para Evangelizador de Infância

Guardem esta data:
27/08/2023. Neste dia estaremos
juntos no 16º Encontro de
Evangelizadores Infantis, na
cidade de Limeira/SP.
Depois de três anos
afastados fi sicamente,
teremos a oportunidade do
abraço presencial, da troca de
vivências, de renovar o nosso

olhar, de aperfeiçoar o nosso
trabalho, renovando em nós o
compromisso de evangelizar.
Este momento está sendo
preparado com muito carinho
e dedicação pela Equipe de
Apoio à Evangelização Infantil.
E você não vai querer perder
essa oportunidade, não é
mesmo?

Pagina 16

Aprimoramento da liderança servidora

Através da escuta ativa,
notamos a necessidade de
oferecer aos coordenadores
e dirigentes esclarecimentos
e noções de liderança que
chamamos aqui de “Liderança
Servidora”, com os seguintes
objetivos:

• refl etir sobre o papel do líder,
• a compreensão do
funcionamento do trabalho da
Evangelização Infantil,
• como desenvolver a tarefa
de forma que as pessoas
contribuam voluntariamente e com
entusiasmo,

• como gerar maior harmonia e
desmistifi car que é difícil alcançar o
ideal do programa da Aliança.
Estamos construindo o
conteúdo dos encontros. O piloto
tem previsão para novembro de
2023.

Blog

Identifi camos a necessidade
de encontrar uma boa
ferramenta de comunicação
entre os evangelizadores, pais
e responsáveis. O blog surgiu
para ser a “voz do evangelizador”,
alcançando a todos os voluntários,

inclusive os que atuam nos lugares
mais longínquos.
Desde julho de 2021
publicamos semanalmente textos
dentro das seguintes temáticas:

  1. Evangelização e Família –
    textos voltados para a Escola de Pais
  1. Evangelização Infantil Sem
    Fronteiras – práticas ou sugestões
    de aulas com as crianças, que
    promovam a integração em
    amplo sentido.
  2. Momento Literário – crônicas,
    poemas e contos inéditos de
    autoria dos evangelizadores.
  3. Formação continuada –
    artigos que elevem a qualidade do
    trabalho do evangelizador.
  4. Extra! Extra! – notícias
    de eventos relevantes para
    a Evangelização Infantil no
    movimento de Aliança.
    Os textos publicados são
    contribuições de evangelizadores e
    podem ser lidos neste link.

Perspectiva Inclusiva

Durante a transmissão da RGA
de 2021, uma pessoa escreveu no

chat sobre a sua visão a
respeito da inclusão da
pessoa com defi ciência.
A partir da escuta desta
pessoa empreendemos
diversas ações sobre a
temática com vistas à
conscientização e ao
aprofundamento dos
conhecimentos. Neste
ano iniciamos uma série
de lives no canal da
Aliança. Promoveremos um curso
específi co sobre inclusão com

previsão para 2024.
A primeira Live, em 11/02/2023,
com o tema “Perspectiva Inclusiva
na Evangelização”, contou com a
participação de Franciana Castro
e Lúcia Moysés, e está disponível
neste link.
A segunda Live ocorrerá em
21/05/2023 e abordará a defi ciência
auditiva. Esta temática terá uma
continuação em 04.06.2023.
Esperamos por vocês, pois, como diz
o lema da Aliança: Confraternizar
para melhor servir.

Apoio ao exterior

2021 nos convidou para a ação
da Campanha Evangelização
Infantil – Tempo de Renovar
sem Fronteiras. O projeto de
apoio ao exterior surgiu em uma
das reuniões entre a Equipe de
Apoio e a diretoria da Aliança.

Eduardo Miyashiro, então diretorgeral
da Aliança, desafi ou-nos a nos
aproximar das evangelizações do
exterior, para tomar conhecimento
de ações e projetos realizados em
outros países e que poderiam
auxiliar as evangelizações nacionais,

mas também para auxiliar na
implantação da evangelização,
com cursos de formação de
evangelizadores, aprimoramento etc.
Atualmente, o grupo tem
empenhado esforços para levar o
ideal da Aliança além das fronteiras.

O Trevo

Em 01/04/2023 nos reunimos
com a equipe editorial de O
Trevo, a fi m de estabelecermos
uma parceria. Recebemos várias

sugestões de temas e formatos
possíveis de serem transformados
em publicações. Teremos agora
espaço para divulgarmos nossos

projetos e também publicarmos
artigos relacionados ao trabalho
voltado às crianças e suas famílias.
Não deixe de ler!

Pagina 17

Maio, um mês para estar presente

Crédito: Amy Shamblen/Unsplash

Quantas coisas
importantes para
as nossas vidas
aconteceram em maio
e normalmente não
lembramos.
Pode ser que nesse
momento começamos a
tentar puxar da memória
eventos, notícias que
marcaram a nossa
sociedade, aquele episódio
na nossa vida que aconteceu
na infância, ou algo que
aconteceu na vida de
alguém. Tentamos lembrar
do aniversário de algum
parente ou amigo querido,
ou até o retorno de alguém
para o plano espiritual.
Como é importante
recordar dos
acontecimentos que nos
marcaram, mas sobretudo
os de cunho espiritual.
Em maio, comemoramos
a criação da Escola de
Aprendizes do Evangelho,
com a aula inaugural
da primeira turma em
06/05/1950, e a criação da
Fraternidade dos Discípulos
de Jesus (FDJ), em
29/05/1952.
Foram dois marcos
espirituais nos quais Edgard
Armond, obedecendo às
orientações espirituais,
organizou primeiro na escola

um processo de iniciação
espírita para acelerar a
evangelização e, depois, na
FDJ, um local para agregar
a todos que vivem esse
processo.
O que seria de nós sem
a Escola de Aprendizes do
Evangelho e a Fraternidade
dos Discípulos de
Jesus? Onde estaríamos
caminhando? Como
estaríamos conosco
mesmo?
Muitas vezes escutamos
histórias magníficas sobre
iniciações espirituais no
Oriente, sobre como as
pessoas se dedicaram,
se modificaram, se
iluminaram. Ao olharmos
atentamente à nossa
Escola e à nossa vivência
nela, percebemos que
ela é a oportunidade que
estávamos buscando nesta
vida, porém perto de nós, é
essa vivência espiritual que
nos transforma e nos torna
seres humanos melhores.

Desafios do mundo atual
têm nos chamado para
servir constantemente e
a oportunidade de servir
existe em todo lugar.

Como sabemos, a
iniciação é um processo que
exige um grande esforço
nosso. Encontramos no livro
Ave Luz, no texto “Dois ou
Mais”, a seguinte passagem
dita por Jesus a João: “Vós
todos podeis fazer o que
eu faço dependendo de
alcançar a minha morada e
pagar o preço que eu cedi
pela força do despertar
espiritual”. E temos realizado
esse pagamento nos
esforços que fazemos para
vivê-la todos os dias de
nossas vidas.

Desafios do mundo atual
tem nos chamado para
servir constantemente e
a oportunidade de servir
existe em todo lugar.
Com a ampliação das
possibilidades através
das atividades virtuais,
podemos ir a todos os
cantos plantar as sementes
desse processo e do
evangelho de Jesus.
A FDJ é o nosso cobertor
acolhedor que nos aquece,
nos apoia, nos encoraja
não importando onde
estivermos. Temos um
caminho ainda a percorrer
para compreender com
mais profundidade o que
a FDJ significa em nossa
vida, porém ela passa pela
nossa vontade em estarmos
juntos trabalhando pelo
Cristo, nos compreendendo
e apoiando apesar de
desacordos que surgem.
Como diz um companheiro:
quando temos um
desentendimento, vamos
trabalhar para ocupar a
mente e colocar energia na
construção do bem.
De fato, o mês de maio é
um mês para estar presente
em nossas consciências. É
hora de renovar a lembrança
do compromisso com Jesus,
com o trabalho e conosco
mesmo, e seguir firmes
na estrada da evolução
que nos é oferecida e que
aceitamos no momento
que participamos da aula
inaugural da Escola de
Aprendizes do Evangelho
e ingressamos em uma
fraternidade, a Fraternidade
dos Discípulos de Jesus.

.
Denis Orth é da Equipe
de Apoio EAE-FDJ

Pagina 18

Aconteceu

Inauguração do centro espírita A Caminho da Luz de Edmonton, no Canadá

A vida é feita de desafi os e
novos caminhos a seguir todos
os dias, e não foi diferente
com todos nós que um dia
decidimos sair do Brasil em
busca de um novo caminho
aqui no Canadá. Entre todos
esses desafi os existe também
a saudade de nossos grupos
religiosos no Brasil.
Foi assim que com a
ajuda da espiritualidade
maior – que com certeza já
sabia o que viria pela frente –
nos encontramos nesta terra
gelada.
O trabalho de preparação
e formação para que esta
inauguração ocorresse teve
início no ano de 2015 com a
abertura da primeira Escola
de Aprendizes do Evangelho
no Canadá. Com a conclusão
da primeira turma e o
trabalho tendo prosperado,
em 2019 foi aberta a segunda
turma. Infelizmente, com
a doença que assolou o
planeta, as reuniões que eram
feitas de forma presencial se
tornaram virtuais, atrasando
um pouco a abertura da
nossa tão sonhada casa.
Mas como sabemos, o
momento perfeito pode
nunca chegar quando
hesitamos, então nos

fortalecemos nas adversidades
já esperadas e nos colocamos
à disposição desse trabalho
tão importante. Foi assim que,
com a vida retornando a sua
nova normalidade, não havia
mais motivos para a espera.
Com toda confi ança na
espiritualidade e no trabalho
até aqui realizado, tínhamos
em mente que o centro
espírita A Caminho da Luz
já existia no plano espiritual,
então dependia apenas
de seus trabalhadores
para que ele pudesse se
manifestar também no
plano material. Através do
apoio da Aliança Espírita
Evangélica, do trabalho,
do amor e da disciplina de
cada trabalhador, no carinho
para com os pequenos
detalhes da arrumação do
ambiente, na preocupação
para que tudo pudesse ser
traduzido em acolhimento
para os assistidos e o mais
importante, na confi ança da
espiritualidade presente, a
inauguração ocorreu no dia
6 de Abril de 2023.
Uma noite muito especial,
muito emocionante e, após
8 anos, o trabalho gera seu
fruto.
Em todo esse período,

alguns se afastaram,
outros chegaram, alguns
desanimaram, mas outros se
fortaleceram e continuaram.
Com certeza, todos deixaram
seus “tijolinhos” para que
esse ponto de luz pudesse se
formar neste grupo pequeno
e cheio de amor. Nossa
eterna gratidão a todos que
estiveram conosco nessa
caminhada.
O ACL Spiritist Society
of Edmonton agradece a
Aliança por ter pavimentado a
estrada que percorremos para
a realização deste sonho, por
todo carinho, atenção e ajuda
que nos foram dispensados. A
todos os dirigentes de cursos
que estiveram conosco ao
longo dessa jornada e que
continuam nos apoiando,
orientando e vibrando por
nós.
Finalmente, gostaríamos
de deixar aqui o convite não
só para os moradores de
Edmonton e região, mas
também para quem estiver
visitando a cidade: que
venham nos prestigiar com
suas presenças. (Izabela
Bonani é uma das dirigentes
das duas primeiras turmas
de EAE do A Caminho da
Luz, de Edmonton)

Pagina 19

2 anos do Falando ao Coração 365

No dia 1º de maio,
celebramos dois anos
do Falando ao Coração
online. Foram 731 dias
e 731 exercícios; 5154
inscrições e 1752 diferentes
participantes, média de
3 participações por dia.
Tudo isso só aconteceu
graças ao empenho e
dedicação de 97 diferentes
facilitadores.

Agradecemos muito a
todos os participantes, que
são a razão desta atividade
da FDJ. Agradecemos
aos facilitadores
por possibilitarem
estes maravilhosos e
transformadores exercícios
de auto e mútuo encontro
e expansão de vida e
consciência. Agradecemos
à franca e extensa

cobertura de nossos
mentores e instrutores
espirituais e o apoio de
nossa querida Aliança.
Parabéns e
continuidade ao projeto,
pois nossas necessidades
íntimas de aprimoramento
e felicitação são enormes.
Esse é o link para
participar. (FDJ-Equipe
Falando ao Coração)

Encerramento do Curso de Formação de Dirigentes de Pré-Mocidade

No último dia 7 de
maio, realizamos o último
encontro do Curso de
Formação de Dirigentes
de Pré-Mocidade. Antes
do encontro presencial,
fi zemos 5 reuniões
online desde março,
aos domingos, onde
aprendemos e conhecemos
um pouco mais sobre os
nossos jovens e sobre o
programa em 10 módulos.
O nosso último encontro foi
feito presencial em várias

regionais da Aliança, sendo
possível assim colocarmos
algumas coisas em prática,
revisar temas e trocar
vivências de dirigentes nos
desafi os diários. Tivemos
também um encontro
que se manteve no virtual
para atender nossos
companheiros de longe,
como da Argentina e do
Extremo Sul.
Foi uma formação, mais
uma vez, enriquecedora,
onde contamos com 110

inscritos que concluíram
a formação e agora
poderão abrir ou dirigir
turma em suas casas,
acolhendo nossos
amados jovens. Foi uma
excelente oportunidade
também para fortalecer
nosso movimento e
confraternizar, como é o
nosso lema, visando um
melhor servir. Que venham
mais. (Equipe de Apoio
de Dirigentes de Pré-
Mocidade)

Pagina 20

“Nos caminhos da espiritualização
o progresso se mede em milímetros”.

Mesmo sabendo que há muito
trabalho a ser feito, não me cobro,
pois tento olhar para mim com
mais amor e paciência, tendo em
mente que o progresso é medido em
milímetros.

Patrícia M. Bueno Rosário – 52ª turma
Centro Espírita Redentor
Santo André/SP – Regional ABC

“Como entendo a Fraternidade
dos Discípulos de Jesus?”.

Entendo como um compromisso
em minha vida, onde uma porta
se abre para que eu possa ter a luz
para administrar os compromissos
e desafi os deste mundo de muitas
provas.

Edson Bandini – 13ª turma
Geael – Grupo Espírita Aprendizes do
Evangelho de Limeira
Limeira/SP – Regional Campinas

“O homem retarda, porém a lei o
impulsiona”.

Há anos procuro me encontrar
espiritualmente pulando de igreja
em igreja. Porém, uma amiga me
trouxe para esta Casa Espírita. Tenho
fé na Lei Divina e sou imensamente
grata por estar aqui.

Magali Lucia Augusto Silveira – 6ªturma
Casa Espírita Caminho da Luz
Balneário Camboriú/ SC – Regional São
Paulo Centro

“Nos caminhos das realizações
espirituais não há quedas defi nitivas”.

Acredito que para minha evolução
espiritual preciso aprender o
desprendimento das coisas materiais.
Ao participar dos trabalhos espirituais
aprendi e cresci muito e assim dividir
conhecimentos.

Cíntia Gabriele Credendio – 54ª turma
Centro Espírita Redentor
Santo André/SP – Regional ABC

“Toda virtude que se conquista
é uma porta nova que se abre para
um mundo melhor”.

Desde o início da EAE estou
refl etindo e passando a entender que
sou feito de virtudes e defeitos, assim
como todos. Este é o propósito de
nossas vidas para caminhar em busca
da evolução.

Bruno Cesar da Cunha – 25ª turma
Casa Espírita Luz Do Caminho
Campinas/SP – Regional Campinas

“O arrependimento é o primeiro
passo para o pagamento de nossas
dívidas”.

Me perguntaram uma vez se
não me arrependia de algo que fi z e
respondi não. Depois de cinco anos de
aprendizado na EAE nasci novamente
para o Cristo e sinto uma paz porque
me perdoei.

Daniela Carnieri Oliveira
Campinas/SP
Projeto Paulo de Tarso

“O sofrimento é um recurso do
próprio Espírito para evoluir”.

Deus é justo e se sofremos é para
evoluir espiritualmente, limpar as
sombras e pecados de outras vidas. É
preciso reconhecer e agradecer pelo
sofrimento, porém ainda sofrido e difícil.

Carita de Oliveira D. Ficher – 51ª turma
Casa de Timóteo – Evangelização E Cultura Espírita
São Bernardo Do Campo/SP – Regional
ABC

“Aliança é um estado de espírito.
Estamos à altura dele?”

Hoje estou mais próxima do meu
espírito. Sempre acreditei que meu
corpo tinha algo em seu interior. Na
Doutrina Espírita sinto uma sintonia
maravilhosa com a espiritualidade.

Edvaneide Pereira de Souza – 68ª
turma
Centro Espírita Mansão da Esperança – Ceme
São Paulo/SP – Regional SP Oeste

“Para as conquistas de ordem
espiritual é bom que não haja nem
entusiasmo nem desânimos”.

Reforma Íntima para mim é
um desafio diário de atenção e
persistência. A minha é cheia de altos
e baixos, porém, entendo que não
devo entusiasmar nem desanimar,
mas confi ar no Alto.

Aldine Vila – 3ª turma
Centro Espírita Missionários da Luz
Santo André/ SP – Regional ABC

Dirigente de EAE, envie-nos, digitado e para o e-mail [email protected], o melhor trecho de algum
tema escrito por seus alunos, informando sempre tema, nome completo do aluno, turma, nome da
casa e regional.

Pagina 21

Pagina 22

O TREVO

Fraternidade dos Discípulos de Jesus
Difusão do Espiritismo Religioso

Aliança Espírita Evangélica
Julho/Agosto 2023 – nº 521

BRASIL,
EXPORTADOR DE LUZ

25 curiosidades sobre
as atividades da
Aliança no exterior

-Pagina 08

Cosmos: lições de
astronomia, evolução e
espiritismo

-Pagina 11

Alerta aos pais:
‘minha família só fica no
celular’

-Pagina 13

Pagina 01

Sumário

03
04
05
06
07
08
09
11
13
14
16
17
19

Conselho Editorial
Editorial
Capa
Capa
Capa
Capa
Capa
Mídia
Evangelização Infantil
Histórias Inspiradoras
EAE
Notas
Página dos Aprendizes

Apresentando a edição
A vida é mudança!
Brasil, é hora de exportar sua luz
O Discípulo de Jesus é um eterno migrante?
Migração de ideias: da oralidade à escrita
25 curiosidades sobre as atividades da Aliança no exterior
Relatos de Cuba, Canadá e República Dominicana
Cosmos: lições de astronomia, evolução e espiritismo
Um alerta aos pais
Entrevista Nobuko Miyashiro
O minimamente necessário para ser dirigente de EAE

|

02

|

MISSÃO DA ALIANÇA

Efetivar o ideal de Vivência do Espiritismo Religioso por meio de
programas de trabalho, estudo e fraternidade para o Bem da Humanidade.

alianca.org.br
[email protected]
facebook.com/aliancaespirita
instagram.com/aliancaespiritaevangelica
twitter.com/AEE_real
youtube.com/AEEcomunicaList Item

O TREVO

Julho/Agosto de 2023 – Ano L • Aliança Espírita Evangélica – Órgão de Divulgação da Fraternidade
dos Discípulos de Jesus – Difusão do Espiritismo Religioso • Diretor-geral da Aliança: Luiz Carlos
Amaro • Jornalista responsável: Barbara Blás e Marina Gazzoni • Projeto Gráfi co – Editoração:
Equipe Editorial Aliança • Conselho editorial: César Augusto Milani Castro, Cida Vasconcelos, Denis Orth,
Eduardo Miyashiro, Elizabeth Bastos, Fernanda N. Saraiva, Julio Cesar Silva Gama, Maria José Ribeiro,
Mauro Iwanow Cianciarullo, Rejane Petrokas e Renata Pires. • Colaboraram nesta edição: Dagmar
Theodoro Cruz, Izabela Bonani, Marcelo de Andrade, Maria Filomena C. Lopes, Milton Antunes Martins,
Miriam Gomes, Sandra Felipe Penteado Bartolomeu, Silvia Maria dos Santos Amâncio Ribeiro e Ulisses
Nascimento • Capa: iStock • Redação: Rua Humaitá, 569 – Bela Vista – São Paulo/SP – CEP: 01321-010 –
Telefone (11) 3105-5894 • Informações para Curso Básico de Espiritismo e Projeto Paulo de Tarso:
3105-5894 (WhatsApp) • CVV 188.

Pagina 02

Apresentando a edição

A migração de povos
faz parte da História
humana desde
o início da civilização. Na
Idade da Pedra, os homens
migravam para sobreviver, em
busca de alimentos e melhores
condições climáticas. Na
História recente, as migrações
continuam: muitos partiram
para novas terras em busca de
oportunidades profi ssionais,
novas experiências e até
mesmo fugindo de guerras
e perseguições políticas e
religiosas. E, junto com as
pessoas, migram as ideias.
Muitos brasileiros partiram
rumo ao exterior e levaram o
Espiritismo para novas nações.
Lá fora, a nossa religião é
menos conhecida. Afi nal, o
Brasil é o Coração do Mundo,
a Pátria do Evangelho. Cabe,
portanto, a nós, brasileiros, a
missão de “exportar” a luz do
Espiritismo.
A edição de Julho-Agosto
de 2023 de O Trevo tem como
tema central o desafi o de
levar o Espiritismo para novas
nações. As reportagens de
Capa foram elaboradas em
parceria com a Equipe de
Apoio ao Exterior da Aliança.

O primeiro texto aborda a
importância de o movimento
espírita no Brasil desenvolver
esforços para a exportação do
Evangelho. Na sequência, O
Trevo traz uma refl exão sobre a
importância das traduções de
livros espíritas e a necessidade
de mudanças internas nos
Discípulo de Jesus.
Reunimos ainda 25
curiosidades sobre as
atividades da Aliança no
exterior. A maioria das
informações foram retiradas
de edições antigas de O
Trevo. Trazemos também
uma sequência de relatos da

criação de grupos espíritas
em Cuba, na República
Dominicana e no Canadá, e
fechamos com uma refl exão
de como podemos nos
organizar para ampliar a
expansão internacional do
Espiritismo.
Olhando também para
aqueles que vieram de longe
para o Brasil, publicamos
uma entrevista com Nobuko

Miyashiro, que conta a
experiência de uma família
de imigrantes japoneses que
conheceu o Espiritismo no Brasil.
Além disso, O Trevo traz uma
resenha do livro Cosmos, de
Carl Sagan, um visionário que
popularizou a astronomia e a
astrofísica no mundo. Fizemos

um paralelo entre conceitos
laicos científi cos de evolução
do planeta com o espiritismo.
Vale muito a leitura!
Esta edição contém ainda
um alerta aos pais sobre o
excesso de uso de celular
e a necessidade de dar
atenção às crianças e um
esclarecimento sobre os
critérios mínimos para um
voluntário ser dirigente de
uma Escola de Aprendizes do
Evangelho.
E, por fi m, uma novidade:
a partir desta edição abrimos
espaço para a publicação de
charges e poesias em O Trevo.
Boa leitura!
Equipe O Trevo

Pagina 02

A vida é mudança!

Oano de 1962 mal
começava e eu
cheguei neste
planeta, mudei para o
mundo físico. Uma alegria
enorme na chegada
e desafios gigantes a
vencer, um deles era as
muitas mudanças que
minha família fez nas
primeiras décadas dessa
minha vida.
Nasci em uma fazenda
a oeste do Paraná, e
já no meu primeiro
ano de vida migramos
compulsoriamente para
o norte desse mesmo
estado. Passados dois ou
três anos lá, e novamente
fomos forçados a mudar
para outras regiões do
estado. A minha vinda
para o estado de São
Paulo foi a minha última
mudança de região.
Aprendi que a vida
é mudança e que

não devemos temer
pois sempre teremos
aprendizado.
Minha busca atual é
saber de onde vim e, mais
importante, o que de mais
importante eu devo fazer.
Não tem sido fácil
compreender que essa é
minha grande missão e
fazer essa longa viagem
para o interior de minha
consciência.
Tenho viajado por
mundos internos. Já vivi
num mundo competitivo,
em outro de ameaças, em
um mundo de combates,
em outro mundo de
mentiras e no mundo de
ilusões. Fui para o mundo
da culpa, e para o mundo
da desculpa, e estou
chegando ao mundo da
compreensão. Espero que
nele eu fique um bom
tempo, pois me parece
um mundo bastante

equilibrado.
Para viver no mundo
de compreensão é preciso
ter uma visão de mundo
abrangente, saber que
todos são migrantes como
eu, buscando um espaço,
ou vivendo em um mundo
interno condizente com
seu momento.
A vida é mudança,
caro leitor. É possível
que, ao final deste texto,
você já não se encontre
no mesmo mundo que
começou. Porém, é
importante lembrar que
estará no comando de
sua vida o tempo todo,
escolhendo os melhores
caminhos e vivendo cada
aprendizado, os mundos
são estágios, as escolhas
são nossas.


Luiz Amaro é diretorgeral
da Aliança

Pagina 04

Brasil, é hora de exportar sua luz

OBrasil tem se
destacado na
exportação de
produtos que dão à nossa
nação grande importância
no cenário mundial. Bilhões
e bilhões de dólares são
exportados em soja, minério
de ferro, óleo bruto de petróleo
e proteína animal.
Não há dúvida de que
a espiritualidade se alegra
e colabora com a evolução
industrial e comercial de nossa
nação. Mas, certamente, os
bons espíritos estão mais
interessados em espalhar
pelo mundo outro “produto”
abundante em solo brasileiro:
as luzes do evangelho.
Emmanuel deixa claro
no prefácio do livro Brasil,
Coração do mundo, Pátria
do evangelho a missão do
nosso país: “O Brasil não
está destinado a suprir as
necessidades materiais dos
povos mais pobres do planeta,
mas também a facultar ao
mundo inteiro uma expressão
consoladora de crença e fé
raciocinada e a ser o maior
celeiro de claridades espirituais
do orbe inteiro”.
O livro, ditado pelo espírito
Humberto de Campos a
Chico Xavier, explica por que
o Brasil foi escolhido para tal
missão e relata o trabalho
da espiritualidade para
permitir que o Espiritismo
encontrasse terreno fértil para
se desenvolver no nosso país.
Os fenômenos espíritas
iniciaram na América do
Norte, ganharam o interesse
do Velho Mundo e, seguindo
orientação de Cristo, o
governador espiritual do
planeta, chegaram ao Brasil.
A árvore do evangelho foi
transplantada para o solo
brasileiro. Grandes líderes

dela cuidaram, mudas foram
plantadas e espalhadas
pela nossa nação, deram
maravilhosos frutos que
foram colhidos e distribuídos.
Sementes foram preparadas
em nossos celeiros.
Mas não basta espalhar
nossas sementes apenas em
solo brasileiro. Assim como o
conhecimento tecnológico
deve se globalizar e levar o
progresso a diferentes nações, o
mesmo deve acontecer com o
conhecimento espiritual.

Nunca foi tão oportuno
entendermos que a
exportação de luz não é
uma simples e corriqueira
tarefa que cabe a alguns
discípulos devotados ou
mesmo a uma equipe de
abnegados. É um trabalho
confiado a toda rede da
Aliança


Nossos irmãos estrangeiros
também necessitam ter acesso
à Doutrina Espírita e aos
programas da Aliança Espírita
Evangélica.
A Terra deverá passar em
breve por uma transição
planetária, rumo a um mundo
de Regeneração. Não é um
processo isolado, limitado ao
solo brasileiro. O efeito é global,
atingindo também aqueles que
nunca ouviram falar do assunto.
Portanto, precisamos
exportar as luzes do evangelho
para todos os cantos do
planeta, lembrando que
amanhã nossas necessidades
reencarnatórias podem nos
levar a outras regiões, onde
poderemos colher o que hoje
estamos semeando.
Como levar o Espiritismo a
outras terras?

A própria experiência do
mundo material em abrir
fronteiras mostra alguns
caminhos. Para ampliar
nossos negócios, o país envia
verdadeiras caravanas com
representantes dos mais
diversos segmentos industriais
e comerciais. Escritórios e
agências comerciais são abertos
e contam com o total interesse e
apoio do governo e da iniciativa
privada.
Será que estamos agindo
na mesma proporção quanto
às caravanas de discípulos e
aberturas de centros espíritas
para que a luz da doutrina dos
espíritos, estrategicamente
instalada em terras brasileiras,
seja exportada a todas as
nações?
Penso que a Aliança Espírita
Evangélica através da Equipe
de Apoio ao Exterior, com
suas caravanas e por meio
do trabalho dos Médiuns
sem Fronteira (grupo que
dá apoio mediúnico às casas
espíritas no exterior) tem uma
grande tarefa a ser cumprida.
E estamos apenas no início,
pois há muito trabalho ainda a
realizar.
Nunca foi tão oportuno
entendermos que a exportação
de luz não é uma simples e
corriqueira tarefa que cabe a
alguns discípulos devotados
ou mesmo a uma equipe de
abnegados. É um trabalho
confiado a toda a Aliança, que
tem muito clara sua missão.
Chegou a hora de “fazer
juntos o que sozinho é
impossível ou, pelo menos,
muito difícil”.


Milton Antunes Martins é
voluntário da Equipe de Apoio
ao Exterior e da Casa Espírita
Aurora dos Aprendizes da
Regional Oeste – SP.

Pagina 05

O Discípulo de Jesus é um eterno
migrante?

E ntendemos
por migração o
deslocamento de
pessoas dentro de espaços
geográficos. Como nosso foco
é a evangelização do ser pela
reforma íntima, vamos refletir
também neste texto sobre as
micro migrações que cada um
faz dentro de si mesmo.
Os motivos para migrar são
os mais diversos. As pessoas se
movem por razões econômicas,
culturais, religiosas, políticas,
entre outras. Normalmente
estas migrações ocorrem
porque o ser busca alguma
forma de melhorar sua vida.
O espaço onde se
encontra não permite mais a
normalidade de sua existência.
Ou sua própria condição não
mais o satisfaz. Urge migrar!
Nas primeiras aulas
da Escola de Aprendizes
do Evangelho (EAE) e
no livro Os Exilados da
Capela, temos notícias de
migrações planetárias e da
movimentação das massas
sobreviventes dos grandes
afundamentos. Nessas
situações, o ser foi levado a
migrar não só de espaços
físicos como também e
principalmente sair de dentro
de si. Sua forma anterior

resultados e a mudança
era necessária. Eis o grande
desafio: migrar e mudar.
Observamos ao longo da
História várias migrações.
Muitas por uma espécie de
êxodo rural, onde se busca
melhores condições em uma
grande cidade. O contrário
também ocorre, quando há a
busca pela tranquilidade do
interior.

Para a necessária
reformulação dos nossos
hábitos, temos que sair de
dentro de nós


Temos as migrações diárias,
que pessoas se deslocam para
trabalhar e voltam no final do
dia. E, finalmente, podemos
falar daquelas que são
causadas por catástrofes ou
calamidades, onde o ser se vê
levado a deixar toda sua vida
para trás e buscar, mesmo que
sem querer, o novo.
Enfim, percebemos que
esse movimento de migração,
de busca do novo e de algo
melhor contribui para a
evolução da humanidade.
Ao passo que a acomodação
deixa o indivíduo estacionado.

Devemos ser eternos
migrantes para evoluir?
Sim, este é o grande
desafio. O Discípulo de Jesus
para mudar o mundo precisa
MIGRAR.
E isso pode acontecer no
seu deslocamento do dia a dia
ou mesmo em uma mudança
de país.
Ao se tornar um IMIGRANTE,
ele busca acolhimento em uma
nova terra onde contribuirá
com as luzes que adquiriu em
função da Escola.
Ele também se tornará
um EMIGRANTE, porque saiu
de sua terra natal e levará as
sementes do amor de Jesus
para semear onde estiver.
E nas migrações
pendulares, onde alguém
sai de manhã e volta ao final
do dia, deverá se tornar um
caravaneiro do bem, pois em
um mesmo dia se encontrará
com os mais diferentes tipos
de pessoas e as diversas
situações onde o serviço em
nome de Jesus se torna cada
vez mais claro.
Ouvimos muito e até
repetimos em nossas aulas,
palestras e comentários
evangélicos que a SEARA DE
JESUS É O MUNDO.

Como ter convicção e fazer
esta pregação se não ousamos
sair de dentro de nós?
Para a necessária
reformulação dos nossos
hábitos, temos que sair de
dentro de nós. E, muitas vezes,
isso significa ir ao encontro
da dor, participando de
caravanas de evangelização
e auxílio àqueles que, por
qualquer razão, não vêm ao
centro espírita.
Como seremos um
Discípulo de Jesus se não
formos solidários, caridosos e
amorosos e, principalmente,
se não ousarmos MIGRAR
para fora da estufa psíquica do
comodismo?
Milton Antunes Martins
é voluntário da Equipe
de Apoio ao Exterior e da
Casa Espírita Aurora dos
Aprendizes da Regional
Oeste – SP.

Pagina 06

Migração de ideias: da oralidade
à escrita

Os maiores líderes e mestres
da humanidade não
deixaram nada por escrito.
Sócrates, Buda, e principalmente,
Jesus marcaram sua vida pelo
planeta pelo exemplo e pelas
palavras que disseram. Foi
assim que impressionaram de
forma indelével seus seguidores
e discípulos.
Estes, visivelmente
impressionados pela
qualidade dos exemplos e pela
profundidade e amplitude dos
ensinos, teceram um verdadeiro
“tapete de ecos” que permitiram
que estes ensinos fossem
também gravados no espírito
de uma plateia ávida e carente.
A oralidade venceu o
tempo e as distâncias. Pautada
pela criatividade, emoção,
capacidade mnemônica e
potencial para representação,
suas lições foram levadas a
todos os cantos do globo.
Seja ao redor das fogueiras,
em palcos improvisados,
ambientes bucólicos ou hostis,
nas praças públicas, diante do
trono de um poderoso monarca
ou imperador, nos templos
religiosos, em cenários pagãos
e até mesmo embalados
pelas libações alcoólicas
nas tabernas, os mitos e as
verdades ganhavam cores de
sobrenatural ou de possibilidades
transformadoras.
Livros são vetores de
conhecimento
Os tempos avançaram,
mudaram seu entorno e as
pessoas. A escrita é inventada
e traz novas possibilidades de
levar a palavra além da oralidade.
Ganhamos alcance por meio de
registros históricos que superam
as limitações da memória.
A escrita permitiu ao ser
humano registrar fatos em livros
e repassar esse conhecimento
a futuras gerações, atuando
como importante vetor do
conhecimento. Os livros,
portanto, têm vital importância
no desenvolvimento das
sociedades e do crescimento
intelectual dos seres humanos.
Os livros têm até hoje papel
fundamental na propagação
do Espiritismo. Os fenômenos
espíritas espantaram o mundo
a partir do século XIX. Das
irmãs Fox, às mesas girantes
e dos “raps” às mensagens
psicografadas, estes fenômenos
de simples entretenimento
e curiosidades ficaram para
sempre estampados nas
maravilhosas obras básicas que

pela codificação de Kardec vêm
revivendo o Cristianismo.
Se não fosse a escrita, as
lembranças do mestre Jesus
falando aos seus discípulos às
margens do mar da Galileia
teriam se apagado com o tempo.
Os fenômenos espíritas não
teriam passado de diversão.
Não fosse o livro, a magistral
colaboração de Chico Xavier não
seria levado a efeito, e suas ações
talvez ficassem circunscritas às
lembranças de poucos que o
conheceram em Pedro Leopoldo.

O Espiritismo avança
para terras estrangeiras
e a primeira solicitação
que recebemos dos
abnegados brasileiros
que lá se instalam é a de
remessa de livros.

“O livro foi e continua sendo a
forma mais clara e objetiva para
disseminar as ideias espíritas”.
A frase do livro Espiritismo:
primeiros passos (editora Aliança),
usado como material didático do
Curso Básico de Espiritismo, deixa
clara a importância dos livros na
disseminação do Espiritismo.
As ideias de Kardec chegaram
primeiro nas sociedades
intelectuais do Brasil do século
XIX, especialmente entre aqueles
poucos que dominavam o idioma
francês. A tradução das obras de
Kardec e o lançamento de revistas
espíritas foi o passo seguinte.
A primeira edição do Livro
dos Espíritos traduzida para o
português foi publicada em 1875.
Ainda assim, esse
conhecimento se limitava
aos poucos que sabiam ler na
sociedade brasileira da época,
formada majoritariamente
por analfabetos. Mas, nos anos
seguintes, a educação básica

avançou na sociedade e o
analfabetismo diminuiu. Com
isso, houve uma popularização
dos livros de todos os tipos,
inclusive, os espíritas.
No século XX, o Brasil passou
a ser protagonista no movimento
literário espírita, com destaque
para a extensa obra deixada
por Chico Xavier. Só o médium
mineiro psicografou mais de 450
livros. Somando seu trabalho a de
outros colaboradores, a literatura
espírita ganhou milhares de livros,
todos publicados originalmente
em português.
Agora o Espiritismo avança
para terras estrangeiras e
a primeira solicitação que
recebemos dos abnegados
brasileiros que lá se instalam
é a de remessa de livros. São
muitas as solicitações para
a tradução de obras e são
poucos os companheiros que
colaboram neste importante
setor.
O espírita deve vivenciar o
Espiritismo de onde estiver.
Especialmente para aqueles
que estão distantes de um
centro espírita, o livro é um
recurso valioso para continuar
a enobrecer a alma.
O Mestre pediu que
pregássemos em seu nome,
curássemos os cegos e surdos
da alma e expulsássemos os
demônios da ignorância e
isto não se faz somente com
oralidade. O livro muitas vezes
chega primeiro do que nossa
fala. Especialmente agora com
versões digitais, o livro anda mais
depressa, atinge um número
maior de pessoas, está em todo
lugar e é sempre bem-vindo.
Lembremos as palavras
do Mestre pouco antes de
sua ascensão: “Sereis minhas
testemunhas em todos os cantos
da Terra” e até que cumpramos
esta importante sentença, o
livro pode nos antecipar. As
palavras de luz escritas por
nossos precursores podem
chegar primeiro e, até mesmo,
nos substituir e representar, até
que nos tornemos OS ARAUTOS
DO SENHOR. E, como “bardos”
atuais e “aedos” modernos,
possamos pregar “as maravilhas
do Reino de Deus” em todos os
cantos do planeta.
Milton Antunes Martins é
voluntário da Equipe de Apoio
ao Exterior e da Casa Espírita
Aurora dos Aprendizes da
Regional Oeste – SP

Pagina 07

25 curiosidades sobre as atividades
da Aliança no exterior

As iniciativas da Aliança
no exterior envolvem
não apenas o trabalho
de nossos irmãos desbravadores
em novos países, mas também
a dedicação de um grupo de

espiritual. Trata-se de um trabalho
complexo, que exige organização e
diversos desafi os.
Para trazer um pouco mais de
detalhamento, selecionamos 25

curiosidades sobre as atividades da
nossa rede no exterior, a partir de
relatos das reportagens publicadas
em O Trevo e de colaboradores
que compartilharam sua
experiência.

Você sabia que…

1– A Aliança promove diversas
Caravanas Globais para apresentar
no exterior sua estrutura de rede e
seus programas de espiritualização,
como a Escola de Aprendizes do
Evangelho, a Mocidade Espírita e a
Evangelização Infantil.
2– Uma das primeiras visitas de apoio
ao exterior foi em 1994, para a cidade
de Loberia, na Argentina. O grupo
Edgard Armond de Santo André (SP)
foi sorteado para ir à Loberia apoiar
o grupo Amália Domingo Soler, um
dos primeiros a oferecer a Escola de
Aprendizes do Evangelho.
3– As duas primeiras casas no exterior
a se tornarem Grupos Integrados da
Aliança foram em Loberia e Mar del
Plata, na Argentina.
4– Assim como no Brasil, na
Argentina a caridade também
teve papel relevante na divulgação
do Espiritismo. Em Mar del Plata,
foi estruturado um trabalho
de assistência social para dar
complementação alimentar a
crianças de um bairro carente, além
de evangelização infantil. A iniciativa
saiu na mídia local e também
virou referência para outros
companheiros espíritas argentinos
em outras cidades.
5– A maioria dos frequentadores
dos centros espíritas no exterior é
formada por brasileiros expatriados.
Além de buscar um local de estudo
e trabalho para si, eles também têm
a missão de apresentar o Espiritismo
para estrangeiros.
6– Um dos principais pedidos dos
grupos no exterior é a tradução de
livros espíritas. Atualmente, a editora
Aliança tem 51 livros traduzidos para
o espanhol, 6 para o inglês, 5 para o
alemão e 2 para o francês.
7– As Escolas a Distância foram
essenciais para o surgimento de
grupos em países como Alemanha,
Bélgica, Cuba e Estados Unidos.
8 – As Escolas de Aprendizes do
Evangelho a Distância (EAED)
surgiram na década de 80,
atendendo primeiramente brasileiros
que não poderiam frequentar uma
escola presencial.
9– Em 1988, surgiu a primeira
iniciativa na região Centro-Oeste
de uma escola que não tinha uma
equipe dirigente presencial. Os

dirigentes se deslocavam uma vez
por mês para as cidades de São
José do Rio Claro e Campo Novo do
Parecis (MT).
10– Tal iniciativa abriu espaço para
a realização das EAEDs no exterior.
Uma das maiores experiências
da Aliança com turmas da escola
a distância ocorreu em Cuba,
conduzida pelas Caravanas.
11– A primeira Caravana a Cuba
ocorreu em janeiro de 2009, com
palestras em 10 cidades. Três
meses depois, houve outra para
implementar o Curso Básico de
Espiritismo. Depois disso, ocorreram
diversas caravanas para Cuba
nos anos seguintes para auxiliar
a implementação de grupos de
estudo e trabalhos.
12 – Em 2011, havia 50 grupos
conduzindo o programa de EAE em
Cuba com 455 alunos e dois grupos
de Pré-Mocidade com 22 alunos.
13 – Uma das frentes de trabalho
da Aliança de apoio ao exterior é
o Médiuns Sem Fronteiras. Entre
as atividades estão vibrações por
grupos de trabalho no exterior, pelas
caravanas e por países em guerra.
Há também apoio mediúnico a
casas espíritas no exterior, tais como:
verifi cações para assistidos de casas
que têm assistência espiritual, mas
não tem grupo mediúnico e exames
espirituais dos alunos das escolas.
14 – O trabalho dos Médiuns Sem
Fronteiras se iniciou em setembro de
1999 no CEAE Vila Manchester, para a
sustentação da abertura da Escola de
Aprendizes do Evangelho a Distância
(EAED) no exterior.
15 – Esse mesmo grupo apoiou a
criação da primeira EAED em Tóquio,
em 2000.
16 – Atualmente, são direcionadas
vibrações de apoio a 54 grupos de
estudo ou casas espíritas no exterior,
em todos os continentes.
17 – O grupo de trabalho de Apoio
ao Exterior da Aliança foi criado na
Reunião Geral da Aliança (RGA) de
2001.
18 – O primeiro centro espírita da
Aliança na Europa foi criado em
Bruxelas, na Bélgica, em 1996.
Iniciativa de expatriados brasileiros,

recebeu inicialmente a
comunidade brasileira e
portuguesa. Em meados
dos anos 2000, decidiram acelerar
a migração dos trabalhos para o
idioma francês para atrair mais
frequentadores belgas.
19 – Uma das difi culdades
dos espíritas no exterior é o
desconhecimento da doutrina,
mesmo na Europa, terra onde
Allan Kardec publicou as obras
básicas. Para explicar a questão,
separamos um trecho do artigo de
Chico Bosco, na época residente
em Bruxelas, publicado em O Trevo
de julho de 1998: “Kardec pode ser
considerado aqui como um ilustre
desconhecido; e o Espiritismo uma
seita exótica, apócrifa, com a qual
se pode, de tempos em tempos, se
divertir em sessões de clarividência
e adivinhações. Esse quadro é o
mesmo de há cem anos na França
de Kardec.”
20 – A criação dos centros espíritas na
Austrália teve apoio da Regional Vale
do Paraíba.
21 – No dia 10 de outubro de 2004
foi realizado o primeiro ingresso
de discípulos da Fraternidade dos
Discípulos de Jesus na Europa – na
cidade de Frankfurt, na Alemanha.
Dos 19 alunos da turma, 9 fi zeram o
exame espiritual naquele dia e foram
aprovados. São alunos da primeira
turma de EAE do grupo Freundeskreis
Allan Kardec Frankfurt. A foto saiu na
capa de O Trevo.
22 – Os 9 ingressantes eram
brasileiros, mas a cerimônia tinha a
presença de alemães. Foi necessário
“improvisar” uma tradução
simultânea.
23 – As iniciativas da Aliança de apoio
aos grupos no exterior já estiveram
na capa de O Trevo em 11 edições
antes desta.
24 – O site da Aliança tem uma
ferramenta para a seleção do idioma
do site. Com isso, é possível traduzir
automaticamente todo o conteúdo
publicado para 133 línguas.
25 – A equipe do site escolhe toda
edição uma matéria de O Trevo
para publicação. Assim, é possível
ler também este texto em qualquer
idioma.

Pagina 08

Talita, a tartaruguinha, e outras memórias da 35ª Caravana a Cuba

Participei da 35ª Caravana a
Cuba, de 31/05 a 19/06/2017. Foi
uma experiência maravilhosa!
Sandra Pizarro e eu facilitamos
o Curso de Preparação para
Evangelizador da Infância.
Foram três cursos intensivos
em três localidades, durante
três fi nais de semana. Diversas
pessoas participaram com o
intuito de montar e oferecer o
curso, posteriormente.
Já se vão seis anos e
ainda me lembro com
muita emoção. Pessoas
comprometidas, interessadas,
que não mediam esforços
para participar. Diversas
limitações, todas superadas
com muita criatividade. No
fi m, não havia limites.
Numa das aulas do curso,
os participantes, em grupo,
planejaram e apresentaram
uma aula para os vários ciclos
e também para a Escola de
Pais. Que satisfação ver tudo
o que trabalhamos sendo
aplicado! Quantas risadas!
Em Camagüey um dos
grupos elaborou a aula JA36,

Talita, a tartaruguinha, cujo
tema é gostar de si mesmo.
Fizeram um pequeno teatro
para contar a história. Fábio,
um senhor de mais de 80
anos, fez o papel da tartaruga.
Com uma mochila nas
costas, simbolizando o casco,
dobrado sobre si, caminhava
lentamente enquanto as
demais participantes faziam
a narração. Esbanjava
juventude!
Preparava-se para ser
evangelizador de crianças.
Soube que Fábio desencarnou
há alguns anos. Onde quer
que esteja, minha gratidão por
aquele momento.
Em Bayamo, conheci a
Sociedad Espirita Gracias
a Dios. Uma casa que foi
ampliada para atender
à Evangelização Infantil.
Lá, todos os voluntários
eram evangelizadores. O
Curso de Preparação para
Evangelizador da Infância
era o primeiro a ser oferecido
aos alunos das Escolas de
Aprendizes do Evangelho,

em Cuba.
Havia um mural da
Evangelização, muito
lindo! Com as fotos dos
evangelizadores (que eram
muitos!) e das crianças.
Os livros de apoio e todo o
material maravilhosamente
arrumado. Um exemplo de
organização, de capricho, que
demonstrava a importância
que o trabalho tem.
Já imaginou se aqui no
Brasil fi zermos o mesmo?


Maria Filomena C. Lopes
é da Equipe de apoio à
Evangelização Infanti
l

O que não estamos fazendo?

Nesta edição de O
Trevo, trouxemos alguns
relatos sobre iniciativas da
Aliança Espírita Evangélica
para apoiar a expansão do
Espiritismo no exterior. Apesar
das conquistas dos trabalhos
realizados, é preciso também
refl etir sobre o que ainda
precisamos fazer.
Estamos sentindo um
pouco de distanciamento
dos apoiadores. Muitas vezes
fi camos sem notícias dos
nossos apoiados no exterior.
Em alguns casos, as vibrações
às Casas no Exterior fi cam sem
receptividades!
Precisamos junto à Diretoria
da Aliança desenvolver um
trabalho corporativo de apoio
e integração permanente

com as Casas no Exterior
como acontece com as nossas
Casas no Brasil. Aqui temos as
Regionais e talvez precisaremos
criar um modelo para as Casas
no Exterior que passam muitas
vezes esquecidas no movimento.
Trago abaixo um trecho do
editorial de O Trevo de julho
de 2012:
“A Aliança do Futuro
não deve fi car limitada
ao que estamos fazendo
hoje. Precisamos refl etir
principalmente naquilo que
não estamos fazendo, mas
deveríamos. A sociedade
avança e multiplicam-se as
provas coletivas e individuais
no campo racional e no campo
moral, para que possamos fazer
bem a atual transição de nível

planetário. No que compete à
Aliança, isso exige a evolução
constante de nosso programa.
A Aliança foi criada para
contribuir com a evolução
da humanidade, junto a
tantas outras iniciativas que a
Espiritualidade Superior vem
desenvolvendo ao longo das
eras. Nos momentos de nossas
vidas em que nos lembramos
de nossa natureza verdadeira, é
útil nos indagarmos se e como
servimos a uma Causa Maior,
pois a Aliança verdadeira é
formada por todos nós.”

Dagmar Theodoro Cruz é
da Equipe de Apoio ao Exterior
e do CEAE Manchester, da
Regional São Paulo – Leste

Pagina 09

Um ‘obrigado’ do Canadá aos Médiuns sem Fronteiras

A distância e as barreiras
são limites existentes
somente no plano físico.
As fronteiras nos separam,
mas o amor de Cristo nos
une. E o que é o trabalho
abnegado dos Médiuns
sem Fronteiras senão a
personifi cação desse amor?
Há 8 anos surgia em
Edmonton, no Canadá,
o sonho de iniciarmos
atividades espíritas
nessas terras distantes.
Desde os primeiros
momentos recebemos
o apoio da equipe dos
Médiuns sem Fronteiras,
o que foi essencial para

que pudéssemos ter a
sustentação necessária para
a realização do nosso sonho.
Ao longo desses anos
muitos foram os trabalhos
aos quais pudemos contar
com o apoio deles em
diversas atividades: exames
espirituais das 2 turmas da
EAE, exames dos cursos
de médiuns, vibrações de
sustentação pelos trabalhos,
vibrações para participantes,
amigos e familiares,
tratamentos a distância,
vibrações pela nossa futura
sede etc.
Somos extremamente
gratos por esse trabalho

maravilhoso, que esteve
presente conosco e que
nos ajudou a regar nossas
sementinhas que hoje dão
frutos.
Nossa eterna gratidão
a esses amorosos
companheiros que estiveram
conosco de mãos dadas,
nos guiando, orientando
e ajudando. Que um dia
possamos fazer por outros
irmãos o que vocês fi zeram
por nós.

Izabela Bonani é do
Grupo Espírita A Caminho
da Luz, de Edmonton /
Canadá.

Guiada pela espiritualidade até a livraria da Aliança

Sou brasileira e moro há
25 anos fora do Brasil devido
ao trabalho do meu marido.
Atualmente moro em Santo
Domingo, na República
Dominicana.
Encontrei a doutrina
Espírita há 22 anos, depois do
desencarne de minha mãe.
Fui buscar consolo e encontrei
compreensão, entendimento,
acolhimento, gratidão e o
verdadeiro sentimento de amor
ao próximo.
A República Dominicana é
uma ilha pequena e faz divisa
com o Haiti. O Espiritismo
aqui ainda é pouco difundido
e existem alguns tabus por
desconhecimentos da doutrina.
Pertenço a um grupo de
brasileiras expatriadas, hoje
quase todas já se mudaram a
outros países, mas seguimos
nos encontrando online.
Fazemos o estudo do evangelho
semanalmente, quando, por
surpresa, recebemos uma
mensagem que existia um
grupo espírita kardecista e
deveríamos buscá-lo.
Encontramos o Centro
Espírita Elupina Cordero (CEEC),
um grupo pequeno, porém com
bases sólidas e fomos recebidas

de braços abertos.
Por meio de mensagens
psicografadas recebidas pelo
centro, tivemos a confi rmação
que o sr. Alipio González
Hernández estava presente nos
orientando .
Diversas vezes sentimos
sua presença de maneira
a nos conduzir. Tomamos
conhecimento que os livros
pertencentes ao centro espírita
haviam sido doados por sr
Alipio, e que, inclusive, ele
esteve visitando o país anos
atrás. O dirigente do grupo, o dr.
Fernando Antonio Lora Gómez
e sua esposa, a sra. Vilma Piña
Guzmán, haviam participado da
correção da tradução de alguns
exemplares .
Devido à escassez de livros
no país, senti necessidade
de buscar novos exemplares.
Então, antes de minha
última viagem ao Brasil, em
fevereiro/23, liguei para a
editora IDE tentando saber
se ainda existiam livros para
serem vendidos. Fui super bem
atendida e informada que não
havia mais exemplares.
Chegando em São Paulo
me dirigi a Feesp para uma
palestra e aproveitei para passar

por uma livraria que anos atrás
comprei alguns exemplares
espíritas em espanhol… Mas a
livraria havia sido fechada. Voltei
à Feesp, orei e entrei na livraria.
Conversei com a atendente e
me aconselhou a buscar na
internet o telefone e endereço
da livraria da Aliança Espírita,
pois sabia que tinha outras lojas.
Liguei e a Val me atendeu.
Com uma inspiração divina,
cheguei na livraria e para
surpresa haviam muitos
exemplares espíritas traduzidos
pelo sr Alipio, exatamente
iguais aos que nos chegavam
ao centro espírita. A emoção foi
muito grande. Me senti guiada
e orientada o tempo todo.
Muita gratidão.
Acredito que somos
dirigidos, orientados, inspirados
e abençoados pelo amor
de irmãos espirituais. Vários
exemplares que trouxe já foram
distribuídos. Muito obrigada
pela oportunidade.

Sandra Felipe Penteado
Bartolomeu é do Centro
Espírita Elupina Cordero
(CEEC), na República
Dominicana.

Pagina 10

Cosmos: lições de astronomia,
evolução e espiritismo

fantástica, o maior porto
do mundo, na época que
a navegação era o contato
entre os povos e teve seu
apogeu nos seus 600 anos de
existência, que começaram
por volta de 300 a.C., chegando
a possuir meio milhão de livros
(em papiro).
Lá os sábios estudavam
todo o cosmos, uma palavra
grega que expressa a ordem do
universo e implica a profunda
interconexão entre todas as
coisas. Foi lá, por exemplo,
que Herófi lo, o fi siologista,
estabeleceu de maneira
sólida que é o cérebro, e
não o coração, a morada da
inteligência. Foi lá também
que foram feitas as cópias que
chegaram até nós do Antigo
Testamento para o grego.
Dos poucos fragmentos
e livros que sobreviveram ao
incêndio, sabemos que havia
uma história do mundo em três
volumes, hoje perdida, de um
sacerdote babilônio chamado
Beroso. História esta que hoje
diversos livros espíritas nos
trazem repletos de detalhes
de nosso avanço espiritual no

Interessante como algumas
obras não precisam
ser espíritas para falar
de Espiritismo. Como nas
parábolas do Mestre, que
trazem também a mensagem
subliminar nas entrelinhas de
textos majestosos.
O livro Cosmos certamente
é uma delas. Escrito por Carl
Sagan, um visionário que
popularizou a astronomia e
a astrofísica, trazendo uma
forma de pensar muito
racional e organizada sobre
nosso contexto neste universo
gigantesco de Deus. O livro
faz parte de uma lista seleta
do Congresso Americano de
publicações que moldaram os
Estados Unidos da América.
Para quem imagina
que encontrará fórmulas
e teorias da formação dos
mundos…está certo. Porém,
esta é uma diminuta parcela

do livro. Com um grande
histórico das civilizações e
do conhecimento humano,
nos leva a viajar junto nesta
odisseia do descobrimento do
mundo e da exploração dessa
perspectiva cósmica.
A introdução, logo na
primeira frase, nos traz Sêneca,
fi lósofo grego do século I,
dizendo: “Há de vir o tempo no
qual uma pesquisa diligente
durante longos períodos
revelará coisas que hoje estão
ocultas… A natureza não revela
seus mistérios de uma vez só.”
Nos lembra que mundos
são raridades preciosas, que
existem centenas de bilhões
de galáxias, cada uma em
média com 100 bilhões
de estrelas e 10 bilhões de
trilhões de planetas… Algo
inimaginável como o infi nito.
Nos lembra que Alexandria
foi uma metrópole egípcia

mundo material.
Sabemos também que o
universo conhecido tem 14
bilhões de anos, conhecido
falemos, pois sabemos ser
infi nito. Que a passagem do
caos do Big Bang (teoria do
início da criação da nossa
parte do universo conhecido)
para o cosmos que estamos
começando a conhecer é a
mais espantosa transformação
de matéria e energia que
tivemos o privilégio de
deslumbrar. E somos nós
mesmos uma das mais
espetaculares de todas as
transformações, formados da
poeira das estrelas.
O livro fala de evolução, de
seleção natural, de vida, de
genética e ressalta: ”Parecia
não haver um modo pelo
qual átomos e moléculas
pudessem de algum jeito se
juntar espontaneamente para
criar organismos com tão
espantosa complexidade e de
tão sutil funcionamento como
os que adornam quaisquer
das regiões da Terra… Cada
célula de seu corpo é um tipo

Pagina 11

de comuna, com partes que
uma vez haviam sido livres,
tendo se juntado para o bem
comum. E você é feito de 100
trilhões de células. Somos cada
um de nós uma multidão.”
Há dezenas de bilhões
de tipos conhecidos de
moléculas orgânicas, mas
apenas 50 delas são usadas
nas atividades essenciais da
vida. Os mesmos padrões
são empregados repetidas
vezes, conservadoramente,
engenhosamente, para
funções diferentes.
O autor destaca que apenas
uma célula viva é um regime
tão complexo e tão belo
quanto o reino das galáxias e
das estrelas. Que a elaborada
maquinaria das células
tem evoluído de maneira
meticulosa por mais de 4
bilhões de anos e que nossos
corpos são remanescentes
de 40 mil gerações de
homens pensantes que nos
precederam.
Comenta que a
evolução deve ter sido
desesperadamente lenta
e funciona por meio de
mutação e seleção. Isto é
muito interessante e nos
remete a pensar que um dos
maiores avanços da alma é a
paciência como virtude. Para
poder participar mais e mais
da criação divina, basta para
isto substituirmos a palavra
mutação acima por criação.
Assim, através do pensamento
e vontade, espíritos de moral
elevada podem atuar sobre a
matéria e através da intuição
e sabedoria utilizar as Leis
Divinas no processo criador,
mutador.
Nos destaca que o sábio
antigo Ptolomeu nos estudos
dos céus chegou a uma
espécie de êxtase onde
registrou: ”Mortal como sou,
sei que nasci para durar um
dia, mas quando acompanho
sempre que quero a compacta
multiplicidade dos astros em
seu curso circular, meus pés já
não tocam a Terra.”
É interessante pontuar que
os planetas sentem a presença
do Sol pelo magnetismo. E
Newton, após a revolução que
conseguiu trazer na ciência,
antes de morrer escreveu:
“Não sei o que o mundo pode
achar de mim; mas para mim
mesmo parece que fui apenas
um menino, brincando na
praia e me divertindo quando

encontro, vez ou outra, uma
pedrinha mais lisa ou uma
concha mais bonita do que o
normal, enquanto o grande
oceano da verdade jaz
totalmente não descoberto à
minha frente.”
Fala de catástrofes e
estatística, da Lua, de planetas,
das diversas sondas enviadas
para o sistema solar, sobre a
exploração de Marte, Vênus,
que a natureza levou centenas
de milhões de anos para fazer
a bactéria evoluir e bilhões
para criar o gafanhoto. Se
entendermos que a Natureza
é produto Divino feito por uma
legião de trabalhadores no
bem, pois onde está a atenção
está também o coração,
poderemos compreender o
quão abençoados somos por
ter este corpo físico que nos
permite avançar.
Ainda que, com a evolução
do entendimento da energia
elétrica, a mente humana
evoluiu no abstrato saindo do
mecânico, analógico para o
digital.
Que os pitagóricos
imaginavam o mundo ser
constituído de 4 elementos
(terra, fogo, água e ar) e que a
substância dos corpos celestes
seria feita de uma quinta
essência, daí a origem da
palavra quintessência, muito
difundida no espiritismo.
Discorre sobre os ciclos
também, ponderando: “E se
existem ciclos na era dos seres
humanos, não poderia haver
ciclos nos éons dos deuses?
A religião hindu é a única
entre as grandes crenças do
mundo que cultiva a ideia
de que o próprio cosmos
passa por um imenso, na
verdade infinito, número de
mortes e renascimentos. É
a única religião na qual a
escala do tempo corresponde,
sem dúvida por acaso, à
da moderna cosmologia
científi ca. Seus ciclos vão
desde um dia e noite
normal a um dia e noite de
Brahma, com 8,64 bilhões
de anos, mais longo que a
idade da Terra ou do Sol, e
cerca de metade do tempo
transcorrido desde o Big Bang.
E há escalas de tempo ainda
mais longas.”
O livro fala que a
quantidade de informações
contidas nas canções das
baleias Jubarte é mais ou
menos a mesma quantidade

de informação contida na
obra Ilíada ou na Odisseia.
Que a evolução do cérebro
humano mostra todas as fases
anteriores do núcleo para a
periferia, desde os répteis aos
mamíferos. Uma descrição
similar encontramos no livro
Missionários da Luz ao explicar
o desenvolvimento fetal,
também, o entendimento
de que a espécie humana se
distingue pelo pensamento.
As Leis da Natureza são
uma linguagem comum
a todos os mundos (nós,
espíritas, sabemos que
o pensamento também
é uma linguagem
universal). A exploração do
cosmos é uma jornada de
autodescobrimento, e com a
razão aprendemos a moderar
nossa raiva, nossa frustração,
nosso desespero. Assim, a
história humana pode ser vista
como um lento amanhecer
da consciência de que somos
membros de um grupo maior.
Fala de muitas outras coisas
interessantíssimas, de Santo
Agostinho aos Gregos, Jônios,
cérebro, consciência etc. Se
as elencasse aqui, não haveria
páginas sufi cientes a não ser
as do próprio livro.
Este livro virou uma série
muito famosa de TV de
mesmo nome que teve uma
continuação recente. Vale a
leitura. Fiquemos com Deus.

Mauro Iwanow
Cianciarullo é da Casa
Espírita Evangelho e Amor
(CEEA) – Regional São Paulo
Livro: Cosmos
Editora: Companhia das Letras
Autor: Carl Sagan

Pagina 12

Um alerta aos pais

Olá, famílias! A inspiração
para escrever sobre este
título surgiu a partir da
fala de uma criança de 6 anos,
durante uma atividade na
evangelização infantil. Estávamos
realizando um exercício sobre
autoconhecimento e uma das
perguntas era: O que te faz feliz?
Espontaneamente, sem parar
para analisar nem pensar muito,
a resposta desta criança foi:
“o que me faz feliz é quando
minha família brinca comigo,
isso me deixa feliz, queria que
tivessem mais tempo para
brincar comigo, a minha família
só fi ca no celular!”
Por um instante pude sentir
a emoção e a tristeza que se
refl etiam naqueles pequenos
olhos que me encaravam,
buscando uma resposta, e que
logo se distraíram ao ouvir as
palavras da amiga ao seu lado.
O lar é a primeira escola
do espírito. Os pais são os
primeiros educadores, aqueles
que irão ensinar, exemplifi car,
orientar, guiar e zelar por seu
desenvolvimento como um
todo. Os momentos convividos
em família são grandes
oportunidades para transmitir
valores inerentes à formação da
criança.
Se antes do grande
avanço tecnológico atual não
conseguíamos dar a atenção
sufi ciente às crianças, o que
dizer então dessa nossa vida
cotidiana agitada?
Será que a tecnologia tão
avançada e rica em conectar
pessoas está nos deixando
distantes de nossos fi lhos?
Estamos realmente conscientes
da responsabilidade?
Se para os adultos não é fácil

competir por atenção contra a
tecnologia, imagine então para
as crianças.
Em O Evangelho Segundo
o Espiritismo, Santo Agostinho
nos diz: “Lembrai-vos de que
a cada pai e a cada mãe Deus
perguntará: Que fi zestes
da criança confi ada à vossa
guarda?”.
Receber de Deus um ser
aparentemente tão frágil e poder
contribuir para sua formação
moral e espiritual é uma missão
que nosso Pai nos concede.
Busquemos nos tornar exemplos
a serem seguidos, assim como
Jesus, nosso modelo e guia.

“O que me faz feliz é
quando minha família
brinca comigo.
A minha família só fi ca
no celular!”

Procuremos estar atentos às
nossas crianças. Os momentos
de brincadeiras também são
de grandes aprendizados, pois
assim a criança aprende de
forma natural e simples sobre
o mundo. Aprende a despertar
suas emoções, a desenvolver
a confi ança, o respeito ao
próximo, a autoestima, entre
outras lições. E quando os pais
participam desses momentos
de brincadeiras, tão especiais
para as crianças, são criadas
memórias afetivas que farão
parte de todas as fases de suas
vidas.
Todos nós temos memórias
afetivas que se tornaram histórias
engraçadas, tristes, alegres e
que compartilhamos. Algumas
até narramos aos nossos fi lhos.
Então, refl ita: Você já sentiu a

tristeza da ausência na infância?
Jesus ao nos ensinar ”façais
aos outros o que gostaríeis
que vos fi zessem”, também
está se referindo ao nosso
relacionamento com os fi lhos.
Só por um minuto coloque-se
no lugar da criança que aguarda
passar alguns momentos com
você, esperando um minuto,
como você pediu, minuto que
para ela parece eterno, pois
nunca acaba. Procure perceber
suas atitudes, busque o olhar de
seu fi lho, observe como os olhos
dele brilham e sorriem quando
veem sua atenção totalmente
voltada a ele.
Segundo O Livro dos
Espíritos, “a delicadeza da
idade infantil os torna brandos,
acessíveis aos conselhos da
experiência e dos que devam
fazê-los progredir. Nesta fase é
que se lhes pode reformar os
caracteres e reprimir os maus
pendores”.
O momento é agora! A
brincadeira é uma forma de
aprendizagem educativa
prazerosa e signifi cativa para o
espírito na fase da infância.
Além disso, a
responsabilidade da tarefa
evangelizadora se faz
presente no lar, na realização
do Evangelho, nas leituras
edifi cantes, nos exemplos
diários da conduta familiar, na
conscientização de que cada
criança é um espírito único, que
deve ser visto, ouvido, respeitado
e amado em sua essência.

Silvia Maria dos Santos
Amâncio Ribeiro é do CE Luz do
Caminho (CELUCA), Regional
Vale do Paraíba

Pagina 13

Entrevista: Nobuko Miyashiro

Essa entrevista teve como
motivação conhecer um
pouco mais da história de
uma família que se aproximou
do Espiritismo e das práticas
espiritualistas, mesmo tendo
raízes em uma cultura tão
diversa da nossa, a cultura
japonesa, e também conhecer
como a migração favoreceu
encontros inter religiosos
que, mesmo em meio a tanta
intolerância, são a marca
registrada do povo brasileiro.
Sim, foi pela dor que a
família de Nobuko Miyashiro,
com influências do Budismo
e do Catolicismo, chegou à
assistência prestada em um
barracão muito humilde.
Confira a seguir a entrevista
conduzida por Estela
Miyashiro, neta de Nobuko, a
pedido da equipe de O Trevo:
Estela: Como foi essa
chegada da sua família
japonesa para o Brasil
e como você, de origem
japonesa, conheceu o
Espiritismo?
Nobuko: Meus pais vieram
da cidade de Okinawa, no
Japão […] Sempre ouvi falar
que eles deixaram uma filha
ou filho mais velho lá. Eu não
sei se é verdade esse caso,
porque antigamente toda
família japonesa deixava um
filho ou uma filha lá, por causa
da guerra. Eu nunca soube se
era verdade ou não.
E: Como se tivesse que
ficar alguém para lutar pelo
país, é isso? Mas você nasceu

em Suzano [estado de São
Paulo], né?
N: Sim, eu e meus irmãos
nascemos todos aqui no
Brasil.
E: Como você descobriu o
Espiritismo? Não foi a partir
dos seus pais, não?
N: Não, porque eles tinham
outra religião, o Budismo, eles
não seguiam a religião, mas
acreditavam. Seguir a religião
é uma coisa, acreditar é outra,
né. Eles acreditavam no
Catolicismo.
E: Ah, era o Budismo e o
Catolicismo? E como que
o Espiritismo chegou para
você?
N: Eu muitas vezes me
sentia mal, eu era bem nova
[criança], parece que eu perdia
os sentidos e eu lembro que
minha mãe jogava água na
minha cara, na minha cabeça
para acordar. No dia seguinte
eu me sentia bem mal, mas
não entendia nada. Meus
pais conheciam uma família
que era espírita e de vez em
quando eu comecei a ir com
eles nesse centro espírita, mas
era aquele bem antigo, uma
choupana, um barracão, bem
pobre mesmo, eles tinham
que apagar a luz pra receber,
eu ficava no escuro, não via
ninguém, morria de medo!
Foi bem depois [anos
depois], eu já era casada,
já tinha seu pai, ele sofria
de bronquite, mas ele se
sentia tão mal, eu comecei a
frequentar o centro espírita
lá no Belém. E eu conheci
várias pessoas que faziam
parte da mesa espírita e
eles davam passe no seu
pai. Aí devagarinho ele foi
melhorando, mas eu dei muito
remédio pra ele, por causa da
bronquite.
E: E o passe ajudava?
N: Ajudava bastante. Aí eu
conheci a dona Luiza e um
senhor chamado seu Lopes.
Ele era muito bom, ele dava
passe no seu pai e conversava
muito.
E: Ah, eu achei que você
conheceu o Espiritismo pela
dona Luiza, mas você já
conhecia quando era jovem.
N: Eu conhecia, mas não

entendia. A gente sabe que
aquela pessoa é espírita e tira
tudo de ruim da gente, mas
conhecer a mediunidade,
entender como são os guias,
não entendia nada disso. Eu
fui entender tudo com a dona
Luiza e o seu Lopes.
E: O conhecimento da
Doutrina foi depois?
N: Foi bem depois. Eu já
tinha o seu pai e ele tinha
quatro pra cinco anos, por aí.
E: E você se considera
espírita?
N: Eu me considero. Eu
respeito todas as religiões. Tem
que respeitar e não debochar,
porque são bem diferentes
uma da outra.
E: Eu gosto de várias
religiões e dá para encontrar
vários pontos similares. Eu
acho bonito como Deus
se manifesta de diferentes
naturezas para diferentes
pessoas, em diferentes
culturas, acho muito lindo. E o
que mais gosta do Espiritismo
que você acredita que te
ajudou?
N: Eu acredito porque é
uma uma religião sincera. Pelo
menos até aqui, que eu sei, a
gente não ouve mentira.
E: E tem algum livro
espírita que você gosta mais,
que você acha inspirador?
N: O Evangelho, o seu pai
trouxe um de quando ele
era pequeno, uns seis anos,
tava caindo aos pedaços [o
livro]. Mas eu não era muito
frequentadora porque seu
avô não acreditava, ele
ouvia a dona Luiza mas não
acreditava.
E: A dona Luiza era
médium de incorporação?
N: Era muito forte, nossa!
Quando terminava a sessão,
ela trabalhava quase que
a sessão inteira, quando
terminava ela não lembrava
de nada, quando voltava
pro corpo dela estava muito
cansada.
E: É porque o espírito
consome a energia do corpo,
né.
N: Antes de começar a
sessão ela se concentrava
firme e ela se entregava. Ela se

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concentrava e falava firme. Era
diferente quando ela falava
com outro espírito.
E: E você quis trabalhar a
sua mediunidade?
N: Não, mas eu frequentava
o centro espírita. Quando
seu pai ficava ruim a gente
ia toda semana. Seu avô me
levava e buscava, mas ele não
acreditava, nunca entrou, ele
ia contra a vontade dele.
E: Ele era católico, né. A
família dele também.
N: É, eles são católicos.
E: Ao mesmo tempo, ele
se aproximou da família
da Luiza, apesar de não
frequentar o centro, ele tinha
amigos ali, era quase da
família.
N: Sim, quase parte da
família, uma pessoa que
ele sempre respeitou, que
considerava mesmo.
E: Você chegou a conhecer
seus avós?
N: Não, nem avós, nem
tios. Meus pais não eram
de conversar, de comentar.
Minha mãe não entendia
português e eu não entendia
japonês. Mãe e filha não
falavam a mesma língua, isso
dificultou demais. Minha irmã
mais velha e meu irmão mais
velho falavam japonês então
eles ficavam lá conversando.

anos, sou eu, porque eles
faleceram antes dos setenta
[anos]. E fico pensando, o que
estou fazendo aqui, dando
trabalho pros outros, será um
castigo pra mim, não sair,
não andar! Eu queria estar
andando.
E: Tudo tem um motivo. O
processo de envelhecimento
traz essas limitações,
principalmente motoras, e às
vezes, até cognitivas. A sua
cabeça está boa, tem gente
que anda e não está com a
mesma cabeça que você!
[as duas dão uma pausa]
Olha o passarinho na janela.
N: Olha, se não tivesse a
rede eles entravam!
[pausa]
Eu via coisas, eu conto pro
teu pai, ele acha estranho. Eu
não sei se vem do espírito,
imaginação, não é. Porque
eu lembro até hoje porque
depois eu vi na televisão
muitos anos depois. Eu via
que eu estava deslizando
no gelo, via umas peças nos
braços.
E: Você se via esquiando
no gelo como se fosse em
uma outra vida?
N: É, muitas coisas eu

lembro, de criança eu morava
numa casinha de sapê e via
uns troncos enormes e eu
dormia num corredor e eu
tinha minha cama e eu via um
monte de serzinho pequeno,
uns dez centímetros, usavam
uma batina de marrom com
aquele capuz, aquela roupa
comprida. Eu tive muito
desses sonhos.
E: Deve ser algum espírito
elemental. E fada, você viu?
N: Não. Quando eu era
criança também via e ouvia as
coisas e não tinha com quem
conversar, né. E os vizinhos
falavam que eu estava louca.
Sofri muito porque eu não
podia contar com meu pai e
minha mãe.
Eu não tinha com quem
desabafar, com quem
conversar, contar… Se eu
contasse pras minhas irmãs
elas iam falar que era coisa da
minha cabeça. Então, eu tinha
que dormir naquele corredor
imenso, eu ficava apavorada.
Como eu ouvia e sentia as
coisas. Tinha uns oito ou nove
anos eu ouvia as coisas.
E: Mas o Espiritismo te
ajudou a aliviar isso né?
N: Bastante.

Eu nunca pude desabafar
com a minha mãe porque ela
não me entendia, ela nunca
se esforçou para entender
o português, nem assinar o
nome, ela assinava.
Então eu tive uma vida
sofrida porque não podia
contar com a minha mãe,
nem com o meu pai e nem
minhas irmãs, a gente traz
isso pro resto da vida, né.
E: Algumas mágoas, né?
N: Ah, muitas!
E: Mas também teve a
oportunidade de criar sua
família, né? Mesmo que
pequena, com só meu pai
de filho, agora o Ravi. Agora
uma nova história é uma
nova oportunidade, então
acho que a sra também
teve a oportunidade de
recomeçar de novo.
N: Ah, completamente!
Muda tanto, né (risos). Da
minha família, eu sou a única
com vida, aos oitenta e poucos

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O minimamente necessário
para ser dirigente de EAE

Otrabalho em nosso grupo
do projeto EAE/FDJ tem
sido muito intenso e, como
procuramos ressaltar sempre que
temos oportunidade de expor e
descrever o desenvolvimento do
trabalho, tudo é feito para atender
às demandas do movimento
em Aliança e com foco no
melhoramento e evolução da EAE,
no que diz respeito à qualifi cação
dos voluntários envolvidos no
processo.
Além disso, todas as decisões
são feitas em conjunto, passando
pela avaliação das coordenações e
ciência e aprovações no Conselho
de Grupos Integrados da Aliança
(CGI), quando cabível.
Um dos pontos que tem causado
uma necessidade mais intensa de
esclarecimentos é a ratifi cação – já
que não é uma alteração do que já
havia sido defi nido desde sempre
– dos critérios mínimos para que
alguém seja um Dirigente de EAE,
ou mesmo para se fazer o Curso de
Formação para Dirigente de EAE.
A conferir:

  • O futuro dirigente, para se
    habilitar a realizar o curso, deve
    estar no grau de Discípulo, ou seja, ter ingressado com sucesso na FDJ, cumprindo todas as etapas da EAE para tal.
  • Para dirigir efetivamente
    uma turma de EAE, o aluno do
    Curso de Formação deve ter sido
    aprovado neste Curso, seja pela
    equipe encarnada, seja pelo Exame Espiritual.
  • Recomendamos que o
    voluntário também esteja
    capacitado no Curso de Facilitador (ou Expositor, como era designado), pois ele deve e precisa se responsabilizar por todas as aulas, independente da presença de um
    facilitador do tema.
    Além disso, queremos reiterar

os critérios para a ATUALIZAÇÃO
geral de Dirigentes de EAE. Esta
iniciativa, também alinhada com
as solicitações do movimento,
por meio de levantamentos
feitos reiteradamente ao longo
dos últimos 6 anos, e verifi cada e
aprovada em CGI, reforçamos:

-Este é um programa de
ATUALIZAÇÃO de dirigentes que
estavam em exercício desta função,
ou seja, aprovados anteriormente
em curso de capacitação de
dirigentes de EAE e, possivelmente
dirigindo turmas ou tendo dirigido
uma ou mais turmas de EAE.

– Não é um curso de Formação
para NOVOS dirigentes, sendo
este de responsabilidade de cada
regional, segundo os critérios acima
descritos.

-E, também acordado em
Conselho, a recomendação
fundamental é que TODOS os
dirigentes de EAE da Aliança
passem por esta atualização até o
fi nal de 2025 para que se habilitem
a dirigir novas turmas.

-E, estamos recomendando
que os Dirigentes de EAE sejam
igualmente capacitados como
Facilitadores de aulas.

-Esperamos ter aclarado ainda
mais este tema, que sabemos traz
questões em muitas de nossas
casas e regionais, mas sabemos
de fundamental importância para
uma evolução segura de nossa EAE
em um mundo que muda todo dia
e para atender um novo público.
De qualquer forma, a equipe do
projeto está sempre à disposição
para dirimir dúvidas e esclarecer a
todos pelo e-mail: projetoeaefdj@
equipesalianca.org.br
ou procure
o Coordenador de EAE/FDJ de sua
Regional.

Cida Vasconcelos é da Equipe
de Apoio Projeto EAE-FDJ

Foto: Aziz Acharki – Unsplash

POESIA
Renunciar, erro fatal!
Por Jerson Bottaro
Nascemos para um projeto
Projeto visando um bem maior
Neste intuito não somos apenas
o objeto
Somos o grande condutor.
Condutor das ações
Que se bem conduzidas
Adestraram também nossos
corações
Para as realizações iluminadas.
Somos responsáveis por nós
Somos responsáveis por todos
em nosso caminho
Somos responsáveis pelo
Planeta
Pois não estamos sós.
Avanço intelectual e espiritual é
fundamental
Permite que utilizemos nossa
razão
Para que não vivamos como um
vegetal
E nossa vida seja de realização.
Nossas amizades sejam fortes
Enlaçadas por um fi o
inquebrável, resistente
Onde as tormentas não nos
desgaste
Para que sigamos avante.
Trabalhar pelo nosso País e
nosso Planeta
Nos campos sociais da
educação, saúde e segurança
Possibilitando que todos
atinjam sua meta
Sem carregar o sentimento de
vingança.
É nosso direito
É nossa responsabilidade
Tratemos a todos com respeito
Deixando de lado nossa vaidade.
Mantendo sempre a conexão
espiritual
Para nossa vida não desabar
Se faz necessário e primordial
De nossa encarnação não
renunciar!

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