Presença sem pressa

Presença sem pressa

 Davi desceu apressado da van escolar. Sua mãe, Maria, sempre o esperava no portão com aquele sorriso! Ele chegava, a abraçava e corria para seu quarto.

Ali era o seu mundo. Jogava a mochila, tirava o tênis e se jogava na cama. Sua mãe logo aparecia dizendo:

– Davi! Nada de se jogar na cama sujo e suado, filho. Venha tomar um banho para almoçar.

– Só um pouquinho, mãe! Estou cansado – ele sempre argumentava.

– Vamos, filho, depois do almoço iremos sair.

Davi se levantou. Esticou os braços e, imitando um zumbi, foi com passos lentos até o banheiro. Sua mãe achou engraçado. Ria baixinho, sem que seu filho percebesse.

Após o almoço, saíram a passos largos. Davi tinha uma consulta no pediatra e o consultório era no segundo andar do shopping da cidade.

Dona Maria andava rápido. Davi tentava acompanhar a mãe. Às vezes precisava dar uma corridinha para alcançá-la, que distraída numa ligação ao celular, não se atentava aos esforços do filho.

Ele colocou a mão no bolso do short e achou um papelzinho amarrotado. Abriu e viu que era um cartãozinho que a tia da Evangelização havia lhe entregado, com a frase: “Quando seguimos os passos de Jesus somos mais felizes”. Olhando os passos apressados de sua mãe, ele pensou: “Será que os discípulos também corriam para alcançar Jesus?”

Imaginou Jesus caminhando pelas estradas de terra, sendo seguido pelos seus discípulos. Jesus devia olhar para trás de vez em quando e esperar seus amigos. Ele sorriu ao imaginar a cena.

Quando entraram, ele ficou admirado! No shopping não havia escadas rolantes e sim rampas rolantes.

– Uau! – Disse Davi – Que coisa! A gente não precisa andar. É só pisar na rampa e ficar parado. Nossa, mãe, que legal!

Mas sua mãe não ouviu, ainda estava ao celular.

Davi ficou imaginando: “E se as ruas fossem de rampas? Como seria legal! Eu não ia precisar andar.”

Chegando ao consultório, D. Maria desligou o celular. Percebeu que Davi estava ofegante, com as bochechas vermelhas.

– Nossa, filho, desculpe! A mamãe andou muito rápido.

Davi pegou o cartãozinho amarrotado do bolso e perguntou:

– Mãe, será que as pessoas conseguiam acompanhar Jesus sem se cansar?

Dona Maria pegou o cartão e leu.

– Acho que ele andava no tempo certo, filho. Nem tão rápido, nem tão devagar. Ele não deixava ninguém pra trás, Jesus sabia esperar. Ele caminhava junto das pessoas, prestando atenção em cada uma delas.

Por um instante Davi ficou em silêncio, segurou a mão de sua mãe e disse:

– Mãe, acho que seguir Jesus não é correr atrás dele e sim caminhar junto, observando seus passos e seus exemplos.

Naquele momento Dona Maria aprendeu uma grande lição: o verdadeiro caminho não é feito de pressa, mas de presença. Não é a distância que nos separa de Jesus, mas a distração que nos impede de perceber que Ele caminha ao nosso lado.

Ela percebeu que, com a correria da vida, vinha se distanciando de seu filho, negligenciando os momentos preciosos de estar com ele.

Daquele dia em diante passou a caminhar ao seu lado, de mãos dadas, valorizando a cada instante sua presença.

 

Silvia Maria dos Santos Amâncio Ribeiro

Centro Espírita Luz do Caminho – CELUCA

Regional Vale do Paraíba

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