Divergência na educação dos filhos

Divergência na educação dos filhos

Todos os dias temos a oportunidade de fazer a diferença na vida daqueles que cruzam nosso caminho.

Luciana, como as demais pessoas que chegam a casa Alvorada Cristã, da cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo, foi convidada a assistir à Preleção, harmonização e fazer o tratamento espiritual que ocorre aos domingos. Assim, seguimos com os convites para que todos possam conhecer outros trabalhos da casa espírita.

Certo dia Luciana chegou à Escola de Pais e, desde o início, mostrou-se muito interessada e participativa em todos os encontros. Como mãe zelosa, compreende a importância do exemplo para seus filhos, ao participar da Escola de Pais. No entanto, conforme o tempo foi passando, compreendeu que não é só uma questão de exemplo, e sim uma oportunidade de encontrar respostas que a auxiliam na arte de educar.

Falando em arte de educar, há sempre um tema trabalhado na Escola de Pais que fica guardado em nossa memória, em virtude da riqueza de aprendizado e reflexão. Desta maneira, gostaria de compartilhar com você leitor um desses temas de que até hoje eu e Luciana extraímos grandes aprendizados: “Divergência na educação dos filhos”¹ – tema no qual esbarramos, sem perceber, quando estamos em uma conversa fraterna.

Para elucidar a leitura, primeiramente preciso explicar que eu sou Helena, evangelizadora da Escola de Pais, e Luciana é mãe de duas crianças, sendo que uma tem síndrome de Down. Nesta semana conversei com Luciana, que contribuiu na construção deste artigo que transcrevo abaixo:

Helena: A temática abordada na Escola de Pais “Divergência na educação dos filhos”, possui a principal característica que permeia a relação cotidiana na educação dos filhos. Para você, qual foi a compreensão neste processo de construção da família?

Luciana: O papel da Escola de Pais na orientação diária da educação de nossos filhos é muito importante para a construção de uma família unida e respeitosa, onde cada membro é visto como um ser único, com defeitos e qualidades que precisam ser trabalhados num ambiente familiar construído com aceitação das diferenças.

Helena: A Evangelização Infantil tem suas metodologias e filosofias para auxiliar na educação de uma criança, no entanto, ela necessita da família para concretizar o seu desenvolvimento. Percebendo e entendendo tais contribuições o que mudou na sua forma de educar?

Luciana: Acredito que a maior contribuição da Evangelização Infantil na forma de educar minhas filhas seja a constante tentativa de me colocar no lugar delas, tentando entender suas necessidades, me aproximando, conversando e não simplesmente me impondo.

Helena: Na evangelização infantil, a criança é preparada para ter autonomia, para isso, precisa compreender que faz parte de um processo no qual suas ações promovem resultados de uma educação. Ou seja, tem como principal foco facilitar a formação de um adulto com competência suficiente para perceber a realidade em que vive e ser um sujeito transformador e não manipulado. Como mãe de uma criança com síndrome de Down qual é a sua percepção neste aspecto da autonomia na educação?

Luciana: A autonomia dos filhos é uma preocupação constante dos pais, principalmente com relação aos filhos especiais. No meu caso, procuro não superproteger minha filha com SD (síndrome de Down), não a vejo como coitadinha. Acho importante que ela se frustre, como qualquer outra criança, falo NÃO quando necessário, procuro trata-la como qualquer outra criança, explicando o certo e o errado. Acho que tudo isso traz habilidades emocionais necessárias para a aquisição da autonomia.

Helena: Neste contexto de educar o filho, as crianças com síndrome de Down são muitas vezes interpretadas como sendo teimosas, quando, na verdade, é apenas a maneira que encontram para expressar as suas opiniões. A Escola de Pais tem contribuído para auxiliar neste sentido de compreender o comportamento da sua filha?

Luciana: De fato, a teimosia é uma característica muito comum nas crianças com SD (síndrome de Down), é como uma forma de se comunicarem, de se fazerem ouvir e respeitar. Realmente, é muito difícil convencer minha filha de algo que ela não queira, é preciso muita paciência e humildade, virtudes que a Escola de Pais me ensina constantemente, neste exercício diário de respeito ao semelhante.

Helena: Você gostaria de deixar uma reflexão aos pais e responsáveis?

Luciana: Minha reflexão é no sentido de sermos mais compreensivos e tolerantes conosco mesmo, no exercício da maternidade e paternidade. Queremos sempre acertar com nossos filhos, mas isso é impossível, pois também estamos aprendendo a cumprir essa missão sagrada.

Como evangelizadora, meu coração se enche de agradecimento ao Pai da Vida pela oportunidade de levar o Evangelho para os lares, vivenciando o que Jesus nos ensinou:

E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura².

Helena Dias

                                                                                                              Luciana Martins Seggiaro Nazareth

                                                                                                              Casa Alvorada Cristã – Indaiatuba

Regional Campinas

Referências:

¹O Livro dos Pais – Volumes 1 e 2, disponível em http://editoraalianca.com.br/promocoes/

² Evangelho de Marcos 16:15