Dia de finados na visão espírita

Dia de Finados na Visão Espírita

Ao preparar uma aula para a Pré-Mocidade, notei que iria cair justamente no dia 2 de novembro. Então pensei em fazer apenas um comentário sobre a data no início da aula antes de abordar o tema que estava no planejamento original. Mas a pesquisa realizada sobre o Dia de Finados na visão espírita reuniu textos e reflexões tão interessantes que percebi ser possível construir uma aula inteira voltada a esse assunto. Consultei os demais dirigentes e decidimos por mudar o plano inicial e adotar o tema Dia de Finados. Seria uma oportunidade de resgatar o significado dessa data e despertar curiosidade e diálogo — e foi exatamente isso que aconteceu.

O Dia de Finados é um tema excelente para trabalhar com os alunos, tanto pela profundidade doutrinária quanto pela facilidade de conexão emocional. Desde o começo, os alunos se mostraram muito participativos. Responderam espontaneamente, contaram casos familiares e compartilharam dúvidas sinceras.

Para variar, no dia 02/11/2025, estava chovendo em São José dos Campos e enquanto ocorria o trabalho de passes antes da aula, pensei: – “Poxa, com esse clima, capaz dos alunos desanimarem de vir para a aula e ficarem dormindo; se vierem poucos, vai ficar sem graça fazer o teatro.”

Mas por “sorte”, nesse dia também teve atividade para os pais dos jovens da Pré-Mocidade e da Mocidade, então tivemos nosso número habitual de alunos na Pré-Mocidade e foi uma das aulas mais cheia de participação que presenciei. Ao final da aula, aceitaram fazer essa apresentação para todos e ficaram entusiasmados dando várias sugestões como aumentar o número de personagens e fazer um cenário.

Ensinar sobre o Dia de Finados é falar sobre amor e imortalidade. Que esse relato inspire outros dirigentes a promover reflexões profundas com seus alunos.

Thais Franchi Cruz

Fraternidade Paulo de Tarso

Regional Vale do Paraíba

Segue a estrutura, caso outros dirigentes queiram aplicar:

Estrutura da aula

1. Motivação inicial

Escrever no quadro branco:

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, essa é a lei”. A frase gravada na lápide de Allan Kardec resume a essência da visão espírita.

2. Provocações

Instigar os alunos com perguntas. Lançar as questões e deixar todos participarem:

– O que significa Finados?

– Alguém já perdeu algum familiar?

– Como as famílias de vocês costumam lembrar seus entes queridos falecidos nesse dia?

– Conhecem alguém que vai ao cemitério no Dia de Finados?

– Por que as pessoas vão ao cemitério?

– Os desencarnados vivem no cemitério?

3. Discussão sobre diferentes culturas

Perguntar se já ouviram falar de outras tradições, como o Dia de los Muertos no México.

Falar sobre outras celebrações semelhantes em diferentes culturas, destacando como o amor é universal. Pontuar que a ideia da imortalidade aparece em quase todas as religiões. A vida prossegue. Há muitas moradas na casa do Pai.

4. Leitura coletiva do texto sobre a história da data

O texto inclui reflexões do Espírito Emmanuel, no livro Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, sobre o culto aos mortos na antiguidade e a intuição ancestral da imortalidade.1

5. Estudo de questões do Livro dos Espíritos (320, 321, 322, 323, 324, 326, 327 e 329)

Ler as questões e pedir palpites aos alunos antes da leitura das respostas dos Espíritos.

6. Leitura da poesia “Quando Nós Morrermos”

Ler para os alunos a poesia psicografada de Vicente de Carvalho.2

7. Encenando a poesia

Com o auxílio da Inteligência Artificial transformou-se a poesia numa peça teatral. Os alunos assumem os seguintes papéis: espírito desencarnado, defunto, narrador e pessoa que fala: Agora ele vai descansar. Os demais alunos fazem o coro com falas ao final de cada uma das 4 cenas. (Clique no link a seguir para ler o texto da peça)

Peça Quando Nós Morrermos

8. Reflexão final

Para concluir, ler o texto destacando que o amor é a ponte com os que partiram e que a prece é um recurso de união entre os planos.3

9. Mensagem

Ler para os alunos o trecho final da mensagem de Joanna de Ângelis, Glória da imortalidade, psicografada por Divaldo Pereira Franco em nov/2015.4

10. Sugestão

Levar os textos impressos, algumas cópias do roteiro da peça, um chale branco para o aluno que fizer o papel do espírito desencarnado.

Anexos e referências:

1 Texto sobre a história da data:

Desde os tempos mais antigos, as pessoas têm o costume de lembrar-se daqueles que já se foram. Em quase todas as culturas e religiões do mundo, existem formas de homenagear os mortos — um sinal de que o amor e a saudade são sentimentos universais. Nas tribos antigas, as pessoas se reuniam nos lugares onde enterravam seus entes queridos — os chamados “campos santos”, que hoje chamamos de cemitérios

O espírito Emmanuel, no livro Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, explica que, desde o início da humanidade, o culto aos mortos atinge proporções espantosas. Inúmeras eram as tribos que se entregavam às invocações dos antepassados, por meio de encantamentos e de cerimônias de magia. As excessivas homenagens aos mortos, no seio da civilização dos egípcios, constituem, até em vossos dias, objeto de estudos especiais. Toda a vida oriental está impregnada dos mistérios da morte e, no Ocidente, povos, como os celtas, também acreditavam na espiritualidade. A ideia da imortalidade é latente em todas as almas e é a base de todas as religiões antigas e modernas. Quando o espírito deixa o corpo, ele continua vivendo em outra dimensão, em uma das “muitas moradas” da casa de nosso Pai.

Hoje, o Dia de Finados é resultado de muitas influências culturais e religiosas que se misturaram ao longo da história. Cada pessoa e cada povo têm seu próprio jeito de lembrar os que partiram — com flores, orações, velas, fotos, músicas ou silêncio. No entanto, em todas essas formas, há algo em comum: a reverência à vida.

(O trecho de Emmanuel está em: https://www.aliancalivraria.com.br/emmanuel-novo-projeto)


2 Poesia:

QUANDO NÓS MORRERMOS

Quando nós morrermos
O corpo não pode mais falar
Mas na condição de espírito
eu ouço aqui e acolá
a famosa frase:
“Agora ele vai descansar”

Entendo dos outros a boa intenção de só assim poder se expressar.
Mas ficar deitado nesse caixão
Coça mais que cansanção
Pra mim não dá!

Quando nós morrermos
o fazemos dentro da vida
mas mantemos a ilusão
no descompasso do coração
Que ali seria a última despedida
Mas continuamos a pensar, a sentir e a falar.

E sem ainda visualizar
Ou ter a sensibilidade de perceber
que passamos pela morte sem morrer
E quando a ficha cai
É quando tudo se esvai
e aí finalmente percebemos que passamos…

Quando nós morrermos
O corpo se desintegra e desaparece
Mas o eu pensador de cada um de nós, nada esquece!

E ficamos como estamos
exatamente como somos
Ou como éramos
até que nos encontram
Ou nós mesmos nos encontramos.

Na “morte” como na “vida” tudo é uma dinâmica de pura ação
e nem a morte e nem a vida tem a autorização de Deus de ser o término ou o descanso eterno de nada
e tudo pode ser comparado a uma sequência imortal em disparada
e o que era a morte sentida passa a ser a vida enaltecida pelos ateus.

Quando nós morrermos
É de se lamentar
Por isso meus irmãos
Sem querer ser intrometido permitam-me lhes dar
Um conselho de um “Morto” com a melhor das intenções;

Enquanto estiveres com este corpo (material) aprendamos a valorizar
a saúde, a vida, o trabalho e o lar…
Não deixem o tempo passar em vão e afasta do coração;
O ódio, o tédio, os vícios, a ganância e a prostração!

Porque quando a hora chegar
Não terá mais como voltar hoje
Que possamos entender, compreender e praticar
a sutileza do verbo AMAR!

Mas não vamos esperar para fazer isso.

QUANDO NÓS MORRERMOS!

Subscreve: Vicente de Carvalho
Em 02 /11/24
Psicografia: Moni Mota


3 Conclusão da aula:

Para Deus vale mais a intenção do que o fato em si. Por isso o respeito a cada manifestação reverenciando os que já partiram, e a liberdade para tal.

Prestar homenagens no Dia de Finados vai além das formalidades externas. A verdadeira manifestação do carinho certamente se dá na intimidade do coração, onde o amor se fortalece e serena a saudade quando ela dói mais intensamente.

A prece, esse “celular” infalível, que nos foi concedida pela bondade de Deus, é uma ferramenta inigualável para nos comunicarmos com os entes queridos que desencarnaram.

A oração nos une, nos imanta, fazendo com que as vibrações sinceras do afeto alcancem sempre aqueles que estão em outras dimensões. Os sentimentos ultrapassam fronteiras e chegam aos entes queridos que agora habitam o mundo espiritual.

Sim, porque a morte não é a morte, mas a porta de entrada para a glória da vida. A vida continua, e o vínculo entre os corações não se desfaz com o tempo nem com a distância entre os planos da existência.

No Dia de Finados, portanto, os espíritas não celebram a morte, mas a imortalidade da alma. O 2 de novembro é um dia de reverência à vida, lembrando carinhosamente os que nos antecederam de retorno à pátria espiritual.

Aos que partiram, nossa prece, nossa gratidão, nossa saudade, nosso carinho, nosso amor!

OBS: Escrevi esta conclusão me baseando nas seguintes fontes:

https://www.mundoespirita.com.br/?materia=reverenciando-a-vida

https://espiritismoemfoco.com/o-dia-de-finados-sob-a-otica-do-espiritismo/

https://www.mundoespirita.com.br/?materia=o-dia-de-finados


4 Mensagem final:

https://www.mundoespirita.com.br/?materia=gloria-da-imortalidade

One Thought to “Dia de finados na visão espírita”

  1. Glória Aparecida

    Maravilhosa sugestão de aula. Rica, que fixa a lição, pois os jovens são os protagonistas.
    Que Deus abençoe a cada um que trabalhou para nos trazer tão rica experiência.

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