Autismo – Inclusão no âmbito da doutrina espírita

Autismo – Inclusão no âmbito da doutrina espírita

 

Hoje em nossa coluna Evangelização e Família trazemos o tema Autismo – Inclusão no âmbito da Doutrina Espírita.  Podemos considerar que a ideia de inclusão, apesar de não ser totalmente nova, ainda esbarra no fato de que há muitos necessitados que deixam de frequentar a Casa Espírita pela ausência de aparatos adequados e pessoas preparadas para atender às suas necessidades. Assim, será que não estamos em débito no que diz respeito à inclusão? O que é necessário fazer?

Em visitas às Casas Espíritas, dificilmente encontramos algo ou um voluntário preparado para receber crianças, jovens e adultos com deficiência auditiva, visual, motora, intelectual e os transtornos de desenvolvimento, incluindo o Autismo. Como podemos perceber, estamos distantes da proposta inclusiva exemplificada por Jesus. 

Se a temática em questão nos toca o coração e a mente, é hora de uma atitude ainda que seja pequena, mas com o desejo de acertar, especialmente na Casa Espírita. Para isto, é necessário avaliar as nossas próprias visões, buscar uma qualificação, pelo menos básica, para o acolhimento com amor a todos, incluindo a família. 

Hoje em especial, vamos falar sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) que é um transtorno do neurodesenvolvimento. Uma condição caracterizada por comprometimento na comunicação e interação social, associado a padrões de comportamento restritivos e repetitivos. Vale ressaltar que não é uma doença.  

Você sabia que atualmente, cresce cada vez mais o número de diagnósticos de transtorno do espectro autista (TEA)? Em 2004, o número divulgado pelo Centers for Disease Control and Preservation (CDC) (1) era de 1 criança a cada 125. Em 2014, esse número estava em 1 para 59. Já em 2016 passou a 1 em cada 54. Na última, publicação revisada em março de 2022 (com dados observados em 2018), a prevalência está em 1 para a cada 44 crianças. O autismo no Brasil é um assunto que vem sendo discutido há muito tempo, principalmente porque os dados mais recentes estimam que no Brasil, 2 milhões de pessoas têm autismo. 

Ao receber o diagnóstico de autismo, a família passa por um turbilhão de emoções que vão desde a aceitação até o início da busca por profissionais que irão apoiá-la nesta jornada. É nesta fase, que o Centro Espírita possui um papel fundamental para o suporte às crianças, jovens e pais.  

E, para nos auxiliar nesta tarefa, Lúcia Moyses (2) através de uma exímia obra literária “A Evangelização de Portas Abertas para o Autismo”(3), nos apresenta experiências de diversos autores, inclusive alguns com TEA, oferecendo várias possibilidades de como apoiá-los, trazendo vários subsídios e recursos aos evangelizadores e coordenadores das áreas de educação espírita, ajudando-os a conhecer melhor o transtorno do espectro autista – TEA.

 

Em sua obra, Lucia Moysés potencializa o nosso olhar como evangelizadores ao destacar várias vivências e exemplos, sendo um deles a lista de recomendações elaborada por William Tziavaras (4), um jovem com TEA que traz recomendações para professores. Ele inicia …

Então, quando você me vê hoje, você só está vendo o melhor de mim. Então, novamente, eu escrevi isso ontem à noite, e sempre há uma chance de que você obtenha o pior Willian mais desregulado hoje. 

Então, como um centro de primeira infância pode ser mais inclusivo? Aqui estão minhas sugestões: 

  • Inclua todos os alunos em todas as atividades. Se a atividade tiver componentes que sobrecarregariam os sentidos de uma pessoa autista, tente acomodar suas necessidades para que participem. Nunca force uma situação. 
  • Incentive amizades entres pares, nunca se refira a amigos sem deficiência como “ajudantes”. Amigos naturalmente se ajudam;
  • Durante o tempo de assistir ao filme, se seu aluno autista preferir se mover, brincar ou “se afastar” do grupo, sempre deixe e presuma que é assim que ele gosta de assistir o filme. 
  • Eu sei que não é fácil cuidar de alunos com “alta necessidade de suporte”. É ainda mais difícil e frustrante ser esse aluno. Muitos dos meus colapsos foram iniciados por coisas que ouvi. Por favor seja gentil.” (2)   

 

Quando uma família chega à Casa Espírita é recomendável, antes de encaminhar à evangelização, conversar com os pais para saber a necessidade da criança, jovem ou adulto. Evite abraços, procure identificar qual a forma de comunicação. Muitas das vezes será necessário o quadro da rotina ou a utilização da comunicação aumentativa e alternativa – CAA (5). Tudo que causa mudança, causa muita insegurança. Portanto, é necessário adaptar para se comunicar. Por exemplo, jamais utilize palavras que designam outro objeto ou qualidade (metáfora). Há necessidade de preparar a turma da evangelização que irá receber a criança. Veja como é importante nos atentarmos aos pequenos detalhes para que possamos acolher com amor sendo inspirados por Jesus. O Evangelizador precisa entender que a pessoa com autismo é um Espírito inteligente e que está ansiando para ser acolhido. 

Eu diria que é imprescindível a necessidade de conhecer e ler o livro, como nos sugere Carlos Campetti (6), ao dizer no prefácio que a obra se “[…]desenvolve sobre o assunto de forma magistral”. (4) É admirável a capacidade de síntese de Lúcia Moysés ao afirmar que “[…]experiências bem sucedidas têm demonstrado que os passes e os demais recursos espirituais são valiosos aliados no tratamento de crianças e jovens com o TEA, sendo capazes de subsidiar as terapias convencionais recomendadas pelas equipes multidisciplinares” (2)

Ficou entusiasmado? Quer saber um pouco mais sobre esta obra e como os Evangelizadores estão trabalhando na conquista da inclusão total das crianças na Evangelização? Não perca a Live com Lúcia Moysés no dia 11 de fevereiro de 2023 às 16h no canal da Aliança (7).

 

Viviane Eloy

Equipe editorial do blog para a Evangelização Infantil

Referências: 

  1. Dados estatísticos sobre transtorno do espectro autista. https://www.cdc.gov/ncbddd/autism/data.html
  2. Lucia Moyses, no âmbito profissional, é professora aposentada pela Universidade Federal Fluminense, com doutorado em psicologia educacional. Além de livros acadêmicos, é autora de obras sobre a evangelização espírita infantojuvenil. Há muitos anos contribui com a formação de educadores espíritas promovidos pela área da infância e juventude da FEB. É, ainda, palestrante espírita e colaboradora da Casa de Batuíra – Grupo de Apoio ao Menor, em São Gonçalo (RJ). 
  3. A Evangelização de Portas Abertas para o Autismo, Lucia Moysés. Editora EME. https://editoraeme.com.br/home/776-a-evangelizacao-de-portas-abertas-para-o-autismo.html
  4. William Tziavaras, canadense, 13 anos, estudante. Utiliza a chamada Spell to Communication (S2C). Colaborador com a International Association for Spelling as Communication (I-ASC) com entrevistas e sugestões para familiares e educadores. 
  5. Comunicação Aumentativa e Alternativa – CAA, abrange os métodos de comunicação usados ​​para complementar ou substituir a fala ou a escrita para pessoas com deficiência na produção ou compreensão da linguagem falada ou escrita. A comunicação alternativa é utilizada por pessoas com diferentes deficiências, desde as congênitas, como paralisia cerebral, deficiência intelectual e autismo e deficiência adquiridas, como esclerose lateral amiotrófica e doença de Parkinson. 
  6. Carlos Campetti, atual integrante do Conselho Federativo da Federação Espirita Brasileira (FEB) e membro da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional, presidente de Estudios Espíritas Sin Fronteiras, diretor de programas da FEBtv. Por muitos anos coordenador e evangelizador, jornalista e pai de autista. 
  7. Live – Canal da Aliança – Perspectiva Inclusiva na Evangelização com Lucia Moysés https://www.youtube.com/live/QNsU9sRoEHo?feature=share